Os
jornalistas Otto Freitas e Washington de Souza Filho lançaram na última
terça-feira (22/09/2015) na Assembleia Legislativa (Alba) o livro da coleção
Gente da Bahia, Lage – o traço do humor.
Os autores mostram a aguçada visão de mundo do cartunista. Fiz o prefácio.

Nos anos 70 começou a desenhar uma página inteira de humor no jornal O
Dia, de Piauí. Durou um ano. Em seguida começou a ilustrar a coluna esportiva de Carlos Eduardo Novaes, no Jornal do
Brasil. Depois veio a serie Cartunzão, muito irreverente. Para o suplemento A Coisa, criou L´amu tuju L´amu, abordando os costumes e comportamentos populares.
Nos anos 80 começou outra serie de tiras diárias, Tudo Bem, onde a mulher, Kátia Regina, era a personagem principal, mesmo com a presença constante de Arlindo Orlando. Em 1989, foi ao ar na Radio Educadora FM o especial Lage, Cartunista Baiano, onde as tiras Tudo Bem foram transportadas para a linguagem radiofônica.

É bom lembrar que A
Coisa foi uma das primeiras publicações de humor e quadrinhos que surgiu em Salvador, na década de 70, e começou em formato de jornal, como suplemento da Tribuna
da Bahia. O seu editorial dizia: “Esquecidos como profissionais sérios, confundidos muitas vezes com o seu trabalho que faz rir ou divertir, os desenhistas de humor e quadrinhos lutaram com dificuldade até serem reconhecidos como artistas importantes, ou mesmo artistas (…). A importância do humor e quadrinhos é indiscutível hoje em dia, pois nunca se discutiu tanto a respeito (…). Trata-se então de tomar consciência de nossa própria importância como profissionais e nos impor através da qualidade de nossos trabalhos. Consciente disso, foi que nós de A Coisa, lutamos e conseguimos reunir um grupo de pessoas interessadas que tem como meta principal uma maior valorização do autor brasileiro e em particular baiano. Acreditamos ter chegado em momento oportuno, procurando suprir a falta de uma publicação desse gênero entre nós. Pretendemos também divulgar e abrir novas perspectivas aos humoristas e desenhistas que ainda não tiveram oportunidade de publicar seus trabalhos”.

De 1985 a 1988 Lage produziu vídeo-charge (ou charge eletrônica) na TV Educativa. Foi o primeiro a trabalhar nessa área na Bahia. Participou de vários salões de humor no Rio de Janeiro, Bahia,
São Paulo/Piracicaba e Paraná/Curitiba, entre outros. Em São Paulo, foi premiado em duas edições do Salão de Humor da Universidade Mackenzie, em 1971 e 1973. - em um deles com a charge em que um mendigo bate à porta de uma
igreja e pergunta ao padre, que aparece por trás dela, meio escondido, como se
quisesse manter distância: “Deus está?”.
Conquistou ainda um prêmio internacional, no Salão de Humor em Stutgart, Alemanha,
em 1984, com a
charge Bem-vindo ao Terceiro Mundo. Mais de 400 trabalhos de
vários países participaram do concurso denominado Die Eine Welt. Foram
escolhidos os 20 melhores do mundo, sem ordem de premiação.
Em 1997, Lage recebeu o seu
último prêmio, o Trofeu HQ Mix, em São Paulo, reunindo alguns dos mais
importantes cartunistas e desenhistas de quadrinhos do Brasil, como Ziraldo,
Maurício de Sousa, Angeli e Chico Caruso. O prêmio foi concebido a Lage como
reconhecimento pelo seu trabalho realizado na Bahia.
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O "Breviário da Bahia"

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no Pérola Negra,
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