05 agosto 2016

Trajetória do erotismo nas telas (2)



1962 – O Satânico Dr No (Ursula Andress)


Ela saiu do mar do Caribe, em seu biquini branco e caminhou sensualmente em direção à praia, observada por nada mais nada menos do que Bond. James Bond. Essa é considerada por muitos uma das cenas mais sensuais do cinema. E ela foi protagonizada pela atriz suíça Ursula Andress no papel de Honey Rider, a primeira “Bond Girl” da história, no filme O Satânico Dr. No (direção Terence Young). Ursula, que contracenou com o 007 interpretado por Sean Connery, fez o papel de uma bela colecionadora de conchas interessada em vingar a morte do pai assassinado pelo Dr. No.
 

1969 - Mulheres Apaixonadas (Glenda Jackson)

Com Oliver Reed no elenco, Russell realizou o filme que o consagraria em 1969, Mulheres Apaixonadas, uma adaptação do romance clássico de D.H. Lawrence. O filme foi um sucesso de crítica e bilheterias. Levou cinco indicações ao Oscar e deu o troféu de Melhor Atriz para Glenda Jackson. Mas é mais lembrado pela famosa cena de luta entre os atores Alan Bates e Oliver Reed, completamente nus – ideia que os mais novos se lembram como “inovação” de David Cronenberg em “Senhores do Crime” (2007). Foi o primeiro nu frontal masculino.
 
1967 - A Bela da Tarde (Catherine Deneuve)

A Bela da Tarde (direção Luis Buñuel) chegou a ser classificado como pornográfico. Erotismo, perversão e fetichismo se misturaram para contar a história de Séverini Serizi, interpretada por Catherine Deneuve, uma entediada e frígida esposa burguesa que busca num bordel de alta classe realizar suas fantasias sexuais. A sensualidade do filme reside muito mais nas roupas que cobrem o corpo de Deneuve e naquilo que sugere acontecer sem mostrar do que na própria nudez da atriz. A direção de Buñuel dá ao filme um tom onírico, surrealista e ressalta ao máximo a beleza de Deneuve.


1972 – O Último Tango em Paris (Maria Schineider)

O Último Tango em Paris conta a história da paixão, condenada ao fracasso, de um homem de meia-idade (Marlon Brando) por uma garota francesa sensual (Maria Schneider). Pela maneira como enfoca sexualidade e morte, o clássico de Bernardo Bertolucci causou forte impacto em todo o mundo, mas no Brasil ocorreu um fenômeno curioso. A censura implicou com a cena da manteiga e o filme entrou para a lista das obras proibidas. Simultaneamente, a censura não impedia que a cena fosse contada em detalhes, às vezes de forma até mais picante, nos jornais e revistas da época. A cena mais forte, que marcou a década e o imaginário de toda uma geração foi “a cena da manteiga”. Apesar da maioria das pessoas se lembram apenas da “manteiga”, as palavras que Marlon Brando profere durante aquele ato são agentes de violação muito maior que o ato físico em si. Num certo instante ficamos em dúvida sobre o que realmente faz Maria Schneider chorar em um dado momento, se é realmente a penetração anal física a que é submetida ou se é a penetração auditiva moral que a invadiu, esta sim, de maneira insuspeita e sem mediações. O fato de ela ter ficado com ele e continuado com aquele relacionamento legitima de maneira contundente a aparente “violação” a que tinha supostamente sido “submetida”, seja ela física ou moral. Da mesma forma que nos obriga a olhar para os nossos próprios valores e preconceitos, para a nossa própria moralidade insuspeita.

1974 – Emmanuelle (Sylvia Kristel)


Em 1974, teve início uma das mais famosas séries eróticas do cinema francês, Emmanuelle, com Sylvia Kristel. Emmanuelle popularizou o conceito do filme “soft core” (em contraposição ao hardcore de Garganta Profunda, por exemplo), que fica na fronteira entre o erótico e o explícito. A série influenciou boa parte da produção posterior de pornôs light. Nascida em um livro da escritora Emmanuelle Arsan, a personagem apareceu pela primeira vez no cinema no filme italiano “Io, Emannuelle” (1969), encarnado por Érika Blanc. Mas ela se tornou um mito sexual a partir da adaptação francesa de 1974, dirigida pelo fotógrafo de moda Just Jaeckin e protagonizada por Sylvia Kristel. A história gira em torno das aventuras sexuais de uma modelo francesa na Tailândia, realizadas com o consentimento de seu marido. No cardápio do filme, há sequências de estupro, masturbação, lesbianismo e ménage à trois – com sexo sugerido, mas não explícito.


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