16 agosto 2016

Oito anos sem o grande Caymmi


O cantor e compositor Dorival Caymmi morreu no dia 17 de agosto de 2008 no Rio de Janeiro, aos
94 anos. Vítima de insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos, o cantor baiano era conhecido pelo seu pequeno produção composta de pouco mais de cem canções e pela fama de preguiçoso. Se a quantidade era pouca a qualidade suas composições era muita. Ele terminou a vida reencontrando o tema mais famoso de suas obras. Nos seus momentos finais, olhava o mar.

“Ficamos sem mar, sem vento, sem rio, sem floresta. Ficamos num deserto” (Aldir Blanc, compositor). “O frescor e a modernidade dele eram eternos” (Carlos Lyra, cantor e compositor). “Ele cantou da forma mais íntegra e verdadeira.
Falou do povo baiano, da natureza, do mar, da Bahia, com uma verdade e simplicidade incríveis. É um compositor único, de uma grandeza incrível, que falou do amor de uma maneira muito especial” (Gal Costa, cantora).

Com a morte de Dorival Caymmi, o país perdeu o último dos grandes cantores e compositores da década de 30. A afirmação foi feita pelo novelista Gilberto Braga, no Salão Nobre da Câmara dos Vereadores do Rio, onde o corpo de Dorival está sendo velado. “Com a sua morte, não fica mais nenhum deles vivo. Apesar de a década de 60 ter sido brilhante do ponto de vista musical, a de 30 é o apogeu da música popular brasileira, com Ari Barroso, Noel Rosa, o próprio Dorival e muitos outros”.
 
João Valentão é brigão
Pra dar bofetão
Não presta atenção e nem pensa na vida
A todos João intimida
Faz coisas que até Deus duvida
Mas tem seu momento na vida
É quando o sol vai quebrando
Lá pro fim do mundo pra noite chegar
É quando se ouve mais forte
O ronco das ondas na beira do mar
É quando o cansaço da lida da vida
Obriga João se sentar
É quando a morena se encolhe
Se chega pro lado querendo agradar
Se a noite é de lua
A vontade é contar mentira
É se espreguiçar
Deitar na areia da praia
Que acaba onde a vista não pode alcançar
E assim adormece esse homem
Que nunca precisa dormir pra sonhar
Porque não há sonho mais lindo do que sua terra. (João Valentão, de Caymmi)

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