26 junho 2013

“Uma mão suja lava a outra”



Em seu artigo quinzenal (Socialismo de mercado) no jornal A Tarde (25/05/2013) o escritor Antonio Risério informou que a questão central da esquerda brasileira hoje é o mercado. “Trata-se de continuar favorecendo o enriquecimento dos que já são ricos e de dar, aos pobres, um gostinho qualquer de ascensão social. O mercado é, na verdade, o grande ímã. A referência fundamental” (…) “O que conta é a manutenção do poder de compra de quem sempre pôde comprar e o aumento (mínimo) da possibilidade de compra de quem nunca comprou”.

Em seu editorial Miséria sem fim (28/05/2013) o jornal A Tarde informa: “A campanha da presidenta Dilma Rousseff à reeleição, em 2014, certamente repetirá exaustivamente números do IDF (Índice de Desenvolvimento da Família), segundo o qual o País está à beira de extinguir a miséria. Leva em conta o crescimento da renda das parcelas da população sitiadas na base da pirâmide social” (….).

“O fim da miséria exige mais do que a simples elevação de renda. É fundamental ter acesso à educação de qualidade, que leva a melhores posições no mercado de trabalho. Só assim é possível ter um crescimento sustentável, de longo prazo. O IDF (cujas notas vão de zero, no caso do pior nível, até um, para o melhor) revela que são muito baixos os indicadores quando se trata de acessos tanto ao conhecimento (índice 0,38) quanto ao emprego (0,29). Isto é, apenas 38% dos direitos dos pobres p quanto à educação estão sendo atendidos,  só 29%  no que diz respeito ao trabalho. Corre-se o risco, pois, de ver perpetuando o amparo de benefícios diretos, como o programa Bolsa Família, hoje com um orçamento de R$ 24 bilhões”(...)
 
E encerra o editorial: “Não se erradica a miséria apenas atacando sua dimensão monetária. Esta é apenas uma parte da equação, hoje razoavelmente resolvida com os recursos do Bolsa Família. É preciso considerar seriamente o pilar da educação, sob pena de ver ruir todo o modelo de engenharia econômica”.

Com a economia estabilizada e a inflação sob controle, a classe política não conseguiu criar um caminho para um projeto futuro. O que se observa hoje é muito marketing. Sempre existiu. Projetos sólidos, eficientes, está longe de surgir nessas bandas. Projetos plausíveis, e com tempo determinado porque nosso metrô já se arrasta por décadas...

A sociedade está anestesiada diante do descaso, do abandono, do degrado, do caos no trânsito, da sujeira nas ruas, da violência em cada bairro, da má educação das pessoas (ricas e pobres...basta olhar o índice de pessoas alfabetizadas na Bahia). Salvador está apática. A cidade vive hoje das glórias de um passado...

Para a escritora Aninha Franco (Muito. A Tarde. 0/05/2013, p.33), o tempo passa lento na Baía. “Quem nos freia temporariamente? Quem nos obriga à lerdeza de agir? Quem nos arma da destreza de destruir o criado para criar outra coisa, prometida melhor, e jamais realizada?, questiona.

“A política reflete o mundo comercial e industrial guiado pelos seguintes lemas: 'Mais vale receber do que dar', 'compre barato e venda caro', 'uma mão suja lava a outra'.”(Ema Goldman).

A política no mundo contemporâneo se torna um exercício de fuga da verdade. A velha indagação
romana (cui bono?) reveste-se de grande atualidade. Quem se beneficia com os dribles à realidade?. O filósofo inglês Francis Bacon há quatro séculos já apontava que os políticos são bons ilusionistas. No palco da política, a simulação e a dissimulação tornam-se ferramentas indispensáveis para a grandeza do espetáculo e aplauso das plateias. Por isso os atores se esmeram em artifícios para melhorar o desempenho no teatro político.

“Certos homens públicos políticos cavaram um abismo entre eles e a ética na vida pública, mas simultânea e ardilosamente construíram uma aparente e paradoxal engenharia de pontes e atalhos. Tanto mais se afastam das regras da coisa pública, mais dele se aproxima cada vez mais sagrada e umbilical união, para extrair benefícios, gozar com esmero as maravilhas de suas vidas privadas, até o último degrau da privacidade, a intimidade” (Aloisio da França Rocha Filho. A Tarde, 11/09/2011).

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