25 junho 2013

O povo quer ser ouvido



Inflação alta, nível de inadimplência crescente, grande índice de desemprego de jovens, presidentes das duas Casas do Congresso desacreditados, governo federal montado em 39 ministérios vazios que fazem planos que não se transformam em realidade. A onda de descontentamento se espalhou pelo Brasil e o estopim foi o aumento da tarifa de ônibus.

As lideranças políticas se fecharam em seus gabinetes e não querem ouvir o clamor do povo. Como escrevi semanas antes, um divórcio entre os governantes e a sociedade. O país sofre uma aguda crise de representação. uma repetição do jogo dos conchavos de antigas oligarquias que controlam partes da federação e espaço na administração pública.Está tudo controlado dizia uma canção popular. Certo partido cooptou a maioria das organizações de representação da sociedade civil. Quem não segue a cartilha é demitido imediatamente. Os que se calam tem que engolir o que o partido diz.

Mas o povo cansou dessa deterioração dos costumes políticos ao desconforto econômico e quer participar dos processos no país. Chega de corrupção, de justiça lenta e cega, de violência, dos gastos excessivos, da falta de projetos sociais. E essa onda de descontentamento que tomou conta do Brasil veio reforçada com o poder da tecnologia. Assim como ocorreu no Oriente Médio na Primavera Arabe (2010) ou nos EUA, com o Occupy Wall Street (2011), as redes sociais desempenham um papel fundamental nos protestos. É através deles que os assuntos são colocados em pauta e é por eles também que as mobilizações são organizadas.

Saídos do facebook, estudantes, profissionais, artistas e simpatizantes de movimentos de protestos semultiplicaram pelo país. Como confiar nesses políticos com suas máscaras ideológicas onde a direita nunca foi liberal (e sim ultra conservadora) e a esquerda faz conluio para conservar-se no poder. Essa insatisfação vai da indignação dessa politica tradicional e também dos acadêmicos que não concebem novas práticas de democracia e modelos de participação social. E a insatisfação é geral porque ninguém até agora fez qualquer esforço em prol da valorização da educação e da cultura, por exemplo. Lembre-se que a Bahia tem índices de analfabetismo vergonhoso.


Esse movimento de insatisfação popular com os políticos que estão no poder mostra que o brasileiro (desde jovens a idosos, passando por executivos engravatados) está cansado da atual situação. Cansou de saber que muito dinheiro público está sendo usado para realizar a Copa do Mundo mais cara da história. O povo demonstra que o momento do basta chegou. E irá às ruas quando considerar necessário.

Diversas capitais brasileiras como Teresina, São Paulo, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Goiânia, Rio de Janeiro, Brasília, Manaus, Natal, Florianópolis, Vitoria, Belém, Porto Alegre, Curitiba, Campo Grande, entre outras, além de centenas de municípios estão com suas ruas tomadas pelos insatisfeitos e invisíveis. Os políticos não ouvem o que o povo pede. Eles estão na contramão da história tentando até participar do movimento com bandeiras, mas o povo não deixou esses aproveitadores aparecer no manifesto. O povo hostilizou esses políticos.

O Brasil unido pede modificação justa. Estamos vivendo um clima de insatisfação geral. Gastosexcessivos (inclusive sem licitação) para inaugurar estádios esportivos com rapidez enquanto outras obras de interesse social são deixadas de lado ou paralisados (como o nosso pequeníssimo metrô, por exemplo), melhores condições na saúde, educação, saneamento básico, segurança, contra a PEC 37 (limita o poder de investigação do Ministério Público) são algumas palavras de ordem nas bandeiras, cartazes e panfletos que o povo reivindica. Protesto se faz com argumentos e se impõe pela razão. O reajuste da tarifa de transporte foi o rastilho de pólvora, mas a explosão se deu por causa de uma justa indignação da população a respeito da péssima gestão pública em geral, em todas as esferas do estado. Tudo é ruim e a população deu um basta. Enquanto os políticos estão deitados eternamente em berço esplêndido (com altos salários, mordomias e imunidade parlamentar), o povo acordou para protestar diante dessa situação. Esse povo não é passivo, mas pacífico.


Os desenhistas de quadrinhos não poderiam estar de fora nesse momento de indignação geral. E com seus lápis e papéis mostraram a realidade que acontece ao nosso redor. Esse jornalismo em quadrinhos é muito bom para mostrar que nossos quadrinhistas não vivem apenas dos utópicos super-heróis. Eles também sofrem na pele todo esse caos políticos. Precisamos mudar esse cenário!. Os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá produziram duas HQs abordando as manifestações que vem sendo feitas pelo País. O desenhista brasileiro Rafael Albuquerque (Vampiro Americano, Batman) produziu uma história em inglês para falar com seus fãs de outros países sobre a razão das passeatas estarem acontecendo, usando o futebol como alegoria para contrastar com as manifestações.

Outros autores que produziram trabalhos recentes sobre o assunto foram: Laerte, Gilmar, Angeli, Edgar Vasques, Banett, Koostella, Rafael Grampá, Carlos Amorim, Rafael Coutinho, Sama, Bruno Faria (Tira da Júlia), Rod Reis e Simanca.

O momento é de reflexão. Afinal, a história é feita nas ruas. É preocupante a realização da Copa de 20124 diante de tamanha manifestação. É preciso pensar (e realizar) melhor a segurança, gastos excessivos (cadê as obras de infra estrutura prometidas nesses jogos?), educação de qualidade, saúde para todos, saneamento básico. Os políticos devem mudar suas formas de agir egocentricamente.

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras, 28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

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