19 fevereiro 2013

Defensores da anarquia: Punks

Eles defendem a anarquia. O movimento punk surgiu por volta de 1976. Jovens inconformados se rebelaram contra a apatia que dominavam o rock desde o surgimento do gênero progressivo e começaram a formar suas próprias bandas. Pode ser apontado como a primeira tribo urbana a se insurgir contra a aldeia global, recorrendo a dois ou três acordes viscerais, um vocal geralmente gritado, cabelos espetados ou moicanos, e muita raiva. “Anarchy in the UK”, o primeiro sucesso do grupo que se sintetiza essa estética, os Sex Pistols, detona a anarquia nas terras da rainha da Inglaterra e espalha a revolta estética dos punks pelo mundo.

O punk é uma música simples, de poucos acordes e um vocal geralmente gritado. Os temas das músicas giram em torno de problemas sociais. Bandas como Ramones, Clash, Sex Pistols e Damned arregimentaram um grande número de fãs. No Brasil, só dois anos depois surgiram os primeiros bandos punks, na periferia de São Paulo e do Rio de Janeiro, entre jovens desempregados e sem perspectivas, “oprimidos pela selvageria urbana”, como os define o criador de Bob Cuspe, o mais famoso punk brasileiro, o cartunista paulista Angeli. Bandas como Os Inocentes, Ratos do Porão, Coquetel Molotow entre outros representam o movimento.

Na Bahia, os integrantes do movimento punk se reuniam todos os domingos pela tarde na Praça da Sé. E nos dias de semana faziam seu point na Praça da Piedade onde se juntaram para conversar e vender bottons. Jorge Luís Araújo, o Paquito, na época 15 anos, disse que se envolveu na turma através da música. Depois, com os shows dos Garotos Podres e outros punks. A família interfere, “mas não tem agressão física, só discórdia, crítica”. Ao contrário do que muita gente imagina, a maioria estuda de manhã e trabalha à noite e, como muitos deles moram em bairros distantes, escolheu a Piedade como local de reuniões que começam a partir das 19 horas. Idealistas, desejam um mundo igualitário, sem comandantes. Por isso, aproveitam o movimento da praça para espalhar panfletos nos quais fala a doutrina punk. Existe a gangue Verme do Sistema que são os garotos menos rotulados, não utilizam a indumentária (roupas pretas e cabelos a la moicanos) comum aos outros. Nas outras gangues os componentes são conhecidos pelos apelidos de Morcego, Olho Seco, Pobreza e Minério.

Cabeças Raspadas

Os skinheads ou carecas, também originários da Inglaterra, surgiram para fazer frente ao movimento hippie, desaparecido no começo dos anos 70. Dissidentes do movimento punk têm uma ideologia neonazista e pregam a violência. São rivais dos fãs do heavy metal. A reativação dos cabeças raspadas acontecia na esteira do movimento punk. Pregavam o nacionalismo puro, era,m acusados de neonazistas e se contrapunham aos próprios punks, chamados por eles de “vendidos ao sistema” e não-politizados. Os skinheads são do tipo que batem no peito e se orgulham de ser operários. Eles geralmente trabalham em indústrias ou construções. São machistas ao extremo e não gostam de quem usa o visual militar sem pertencer cão movimento. Estima-se que a na década de 90 em São Paulo – seu principal núcleo – existiam por volta de 500 skinheads.Cabeças raspadas – por máquina dois --, tatuagens, coturnos pretos, calças justas, suspensórios e camisas de algodão formavam o visual da tribo. A música tem um ritmo semelhante ao rock metaleiro. Antes, eles tinham uma bandeira na cidade: Bandeira de Combate. São fãs de hardcore, música executada com muita velocidade e peso. Eles não bebem, não fumam e abominam tóxicos. A terapia de contra-ataque aos grupos opositores ao seu radicalismo é a violência. Quase todos praticam musculação. “Não dá para dizer que a gente é pacifista quando se vive em uma sociedade violenta”, diz um dos carecas mais tradicionais da cidade.

Quem mais sofreu nas mãos dos carecas foram os grupos heavy metal e os darks, considerados por eles contestadores de botique. São poucas as garotas que se integraram à tradição de violência dos carecas. Todos são bastante jovens. A maioria mora no subúrbio e na Cidade Baixa. Eles se reuniam às sextas-feiras no QG improvisado num bar do Politeama de Cima. O bairro da Massaranduba tem um grande número desses adeptos, que muitas vezes ficam no Campo Grande aos domingos, em frente ao Teatro Castro Alves. Usam apelidos como Cafox, Dengue, Infortúnio entre outros para serem identificados em grupos. Eles vivem espalhados pela cidade, pregando as idéias de Hitler como herói e justificando as atrocidades atribuídas a ele como manipulação da imprensa sionista. Seu lema: “Tudo pela nossa Pátria, o Brasil. Abaixo os judeus, comunistas e homossexuais. Hitler era um grande homem”. Adotam uma filosofia nazista que preferem ocultar sob o nome de nacionalista.

Tribos urbanas 2 (Reportagem publicada originalmente no jornal A Tarde, 16/06/1991. Texto: Gutemberg Cruz)

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1 Comentários:

At 1:52 PM, Anonymous Cleviton said...

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