20 fevereiro 2013

Música certa para geração aeróbica, darks e góticos

As tribos das noites dançantes garantem a música certa para as pistas das casas noturnas. Onde eles vão, levam uma turma junto. São as turmas dos disc-jockeys que garantem no movimento dos espaços no Rio Vermelho, Pituba e outros bairros de salvador. O ambiente acaba ficando parecido com clube prive, onde todo mundo se conhece e raramente aparece alguém diferente. Às vezes, o local não combina com o público, mas importante é a garantia de encontrar a música certa para dançar.

Os eletrônicos não têm ideologia própria, só gostam do mesmo som e do mesmo visual. O som é o eletrônico, o visual e cinto tacheado e botas pretas. Adeptos de danceterias cuja programação não dispensa o estilo musical belga new beat. Eles não se definem como um movimento.

Os rockabillies se comportam como se fossem personagens dos filmes de James Dean. Clones bem comportados do ator de Juventude Transviada, eles adoram o som do Stray Cats, Jerry Lee Lewis e Eddy Cochrane. Vestidos de rockers dos anos 50, os rockabillies não suportam o rock dos anos 90, pesado demais ou dançante estilo house. Usam topetes e gomalinas.

Curtidores da noite em geral, os darks, com seus trajes negros e pesados e seus gostos pelos ambientes apertados, vivem mesmo entre o pôr e o nascer do sol. Durante o dia, costumam ser ótimos estudantes. Seus autores preferidos são Rimbaud, Artaud e Sartre. Também do mesmo movimento, os góticos (pós-darks) vestem-se inteiramente de preto para demonstrar “luto pelo mundo” e usar maquilagem excessiva. O programa preferido dos góticos é procurar danceterias que possam acolhe-los com suas bandas prediletas: The Sistyer of Mercy, House of Love, Echo and the Bunnymen, Cabine C, Smarck entre outros.

Em outro estilo, a geração aeróbica veste basicamente collants coloridos bem justos, e é bem descontraída. O grosso da tribo vem da classe média e um símbolo de status pode ser um tênis reebooks novo em folha. Fazem o culto ao corpo e têm pavor a celulites ou barriguinhas indesejáveis. Mais comportamental do que musical, os adeptos da aeróbica só dançam ao som da mesma batida-acelerada cuja função é animar os passos e a coreografia usada nas academias da cidade.

Movimento rasta

Verde, vermelho e amarelo representam a bandeira da Jamaica, são as cores básicas do visual reggae. Elas simbolizam, dentro da religião rastafari, o retorno às raízes africanas. Os dradlocks, longos cachos de cabelo, símbolo bíblico da força masculina, hoje convivem com um novo look, um corte tipo militar, que desenha trilhas nas têmporas e até mesmo o contorno do mapa da África na parte de trás da cabeça, sempre completado por bonés confeccionados em tecidos e toucas de crochê imensas, usados noite e dia.

Os amantes do reggae comparecem a rigor, de tranças rasta, no Pelourinho. Ninguém consegue ficar parado. O incenso ajuda a manter o astral pós-zen, as mechas rastafaris surgem sob boinas e sacodem no som contagiante da Jamaica. Do Terreiro de Jesus até o Largo do Pelourinho a Terça do Reggae começou inicialmente como uma homenagem ao rei Bob Marley, um guerreiro na luta de resistência dos negros de todo o mundo contra a opressão e a discriminação.

Jimmy Cliff, Peter Tosh, Denis Brown, Black Uhuru, Gregory Isaac, Edson Gomes e Lazzo são alguns nomes do reggae que podem ser ouvidos no Bar do Cravo Rastafari, Pelourinho, ou no Bar do Reggae, no Maciel, os templos onde se cultua a música jamaicana. As tribos rastas invadem a noite baiana com, seu visual marcante, a beleza das roupas e das danças e forte alegria. Os efeitos penetrantes do baixo elétrico e bateria garantem de cara a integração rasta da nova curtição da noite baiana. Um efeito quase hipnótico. A penetração cada vez mais no nosso cenário musical pode ser comprovada pelos programas especiais nas emissoras de rádios e de novos artistas que divulgam esse gênero musical.

Tribos urbanas 3 (Reportagem publicada originalmente no jornal A Tarde, 16/06/1991. Texto de Gutemberg Cruz)

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