26 fevereiro 2013

Canudos, o outro lado da guerra: lição de coragem, fé e beleza

A cidade de Canudos é famosa. Sua história correu o mundo devido a Guerra de Canudos. Mas, o município, situado no Nordeste da Bahia, formado por mais de 13 mil habitantes e que tem como lema “O sertanejo é antes de tudo um forte”, é mais do que a infame guerra que aconteceu em seu solo árido. Apesar da Guerra de Canudos (1896 a 1897) ser o grande apelo turístico desta cidade ainda tão jovem, emancipada do município de Euclides da Cunha no dia 26 de fevereiro de 1986, e que completa este ano 28 anos de independência política, Canudos é uma lição de coragem, fé e beleza, numa terra onde a aridez reina imperiosa.

No entanto, a Canudos que a Bahia e o Brasil conhece atualmente, é a terceira da região. A primeira Canudos surgiu como uma pequena aldeia nos arredores da Fazenda Canudos, no século XVIII. Com a chegada de Antônio Conselheiro e seus seguidores, em 1893, o lugar foi rebatizado para Belo Monte, e passou a crescer vertiginosamente. Calcula-se que no seu auge em 1897 contasse com 25 mil habitantes, sendo destruída pelo Exército durante a guerra. Já a segunda Canudos surgiu por volta de 1910, sobre as ruínas de Belo Monte. Seus primeiros habitantes eram sobreviventes da guerra.

NASCIDO 3 VEZES - Depois de uma visita do presidente Getúlio Vargas, em 1940, decidiu-se construir um açude no local. Em 1950, com o início das obras da barragem que inundaria o vilarejo, os habitantes começaram a ir embora. Muitos se mudaram para Cocorobó, uma antiga fazenda que ficava aos pés da barragem a ser construída. Com o fim das obras, a segunda Canudos desapareceu sob as águas do açude de Cocorobó em 1969. O vilarejo de Cocorobó tornou-se município em 1985 e, apesar de ficar a 20 km do local original, foi rebatizada de Canudos, tornando-se assim a terceira (e atual) cidade com este nome.

Entre 1994 e 2000, as ruínas da segunda Canudos puderam ser vistas no interior do açude, nas épocas de seca. Canudos está inserida no Polígono das Secas. No entanto, suas terras são banhadas pelo rio Vaza-Barris. A origem do nome da cidade é curioso: os primeiros moradores da localidade eram fumantes inveterados de cachimbos feito com longos canudos. Daí o nome do município. Tendo como padroeiro Santo Antônio, a cidade
fica a 410 km de Salvador.

ÁGUA DOCE & PEIXE-FRITO - Além de conhecer o Parque Estadual de Canudos, o qual guarda toda a história da Guerra de Canudos, o visitante também deve conferir o Jorrinho, uma área de lazer muito interessante, localizada nas proximidades do rio Vaza-Barris, onde os banhistas se refrescam do calor do sertão baiano. Outro lugar em Canudos em que o turista pode apreciar a paisagem exuberante, dar um mergulho no açude, dançar uma seresta e saborear um delicioso peixe-frito na hora, é a Prainha.

A Prainha que há muito tempo já é frequentada por banhistas, agora está mais atrativa, já que barracas foram instaladas no local. Estas barracas dispõem de música e as mais variadas bebidas e comidas típicas. Por ali também se apresentam grupos musicais. Um delicioso mergulho no açude de água doce e sem poluição é praticamente irrecusável. À noite, ainda se pode divertir nos bares e praças da cidade, com tranquilidade e segurança comuns de uma cidade pacata do interior.

O resgate cultural e histórico faz parte do projeto A Caminho dos Sertões de Canudos, realizado por historiadores baianos. Poetas, cantadores, vaqueiros, escritores e grupos folclóricos e musicais se engajaram em eventos realizados em diversos municípios da região envolvidos no projeto. O projeto começou a ser posto em prática em 2007. Usando a tecnologia do GPS (sistema de posicionamento global), os historiadores tiveram como ponto de partida fazer o traçado dos caminhos das tropas deslocadas para combater Antônio Conselheiro. A partir daí, buscaram referências da história, cultura e turismo. O objetivo é concretizar um programa de turismo sustentável, com fundamentação histórica e cultural. Nele, estão incluídos o Parque Estadual e o Memorial Antônio Conselheiro, utilizados pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb).
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