01 outubro 2007

Realidade virtual: a passagem para o futuro (1)

Um mundo criado por computadores no qual não existem barreiras de tempo ou espaço. Trata-se da realidade virtual, celebrada como a mais avançada fronteira da relação entre humanos e computadores. Para ingressar neste mundo artificial, o “viajante virtual”, como um astronauta, deve usar equipamento especial, começando com um capacete e uma luva conectados a um computador. É só pressionar a tecla para que o viajante desligue de um plano para outro, com uma ilusão muito mais profunda de envolvimento do que efeito especial do cinema. Enquanto esses equipamentos não chegam ao Brasil, vale conferir a realidade virtual através do filme “O Passageiro do Futuro”, que já passou em nossos cinemas e está disponível em DVD. (Esta reportagem foi publicada em novembro de 1992).


O roteiro foi baseado num conto de Stephen King – nome que sempre causa boa impressão quando encabeça os créditos de filmes de terror e suspense – e um ótimo trabalho de computação gráfica, a New Line conseguiu fazer com que um filme de baixo orçamento (em torno de US$ 10 milhões) rendesse, em duas semanas, mais de US$ 17 milhões nos Estados Unidos. O diretor Brett Leonard acrescentou o mundo virtual à trama e, assim, imprimiu força e ritmo a uma boa edição das cenas filmadas e seqüências feitas em computação gráfica, que retratam a realidade virtual (RV). Na RV, é possível entrar em mundo gerado pelo computador, com a real sensação de que se está vivendo dentro desse mundo.

“O Passageiro do Futuro” (The Lawnmower Man) é uma mistura da história de Frankenstein com “Scanners – Sua Mente pode Destruir”. O monstro em questão é Jobe Smith (na pele do ator Jeff Fahey), jardineiro, um debilóide com idade mental de criança que, um dia, recebe do Dr. Lawrence Ângelo (Pierce Brosnan) uma proposta para aumentar a inteligência através da realidade virtual. Ângelo é um pesquisador que resolveu dar um tempo nas experiências que faz para a Virtual Space Industries, um complexo que deseja tornar suas cobaias mais agressivas, de modo a suportarem situações de guerra insuportáveis para humanos. Por discordar dos princípios da VSI, Ângelo decide testar seu aparelho no jardineiro. Logo, o cientista percebe que abordo do aparelho virtual, Jobe aprende latim, fica inteligente e até sensível, despertado os desejos de uma fogosa vizinha.

Como as possibilidades de continuar a experiência se esgotam no laboratório caseiro, Ângelo propõe à VSI lançar o experimento, só que sem as drogas neurais que fariam de Jobe um ser agressivo. Um assistente troca as vitaminas estimulantes e os software de Jobe. A partir daí, ele se descobre com poderes telepáticos e telecinéticos (mover objetos com a força do pensamento) e de destruir seus inimigos. Anglo perde o controle. Jobe se transporta literalmente para o “mainframe” (principal processador) do computador. De onde poderá sair para a segunda parte do filme. (que realmente foi exibido anos depois).

NOVAS DIMENSÕES - Um dos pontos altos do filme é a cena de amor entre Jobe e a vizinha. Da abertura de arrancar o fôlego até o clímax, as imagens, geradas pelo grupo de estúdios de processamento digital contratados deixam contagiar pelo espetáculo visual dessa nova dimensão de tempo e espaço. Para o diretor Brett Leonard, essa atração pela realidade virtual tem explicação: “O que mostramos no filme está de cinco a 10 anos na frente, em relação ao que existe agora. Eu acredito que o próprio fascínio exercido pela imagem cinematográfica muda radicalmente com a Realidade Virtual, porque ela oferece ao espectador a possibilidade de interagir com o que se vê na tela. O que dará dimensões completamente novas à indústria do entretenimento”.

A revolução técnica dos efeitos digitais chegou ao cinema em 1977, no filme “Guerra nas Estrelas”. Em 1982, surgem novas seqüências de computação gráfica em “Jornada nas Estrelas 2” e “Tron” em 84, mais eficiência nos efeitos em “O Último Guerreiro das Estrelas”. Em 87, foi a vez de “William”; em 84, “O Segredo do Abismo” e em 1990, Schwarzenegger fez uma viagem artificial em “O Vingador do Futuro” até chegar nos efeitos digitais de “O Exterminador do Futuro 2”.

A realidade virtual foi criada dentro dos laboratórios da NASA como forma de permitir a montagem de uma estação espacial com robôs comandados por controle remoto. A simulação em projetos militares tem sido bastante beneficiada pelo ciberspace. Além da NASA, a Universidade de Carolina do Norte também tem desenvolvido trabalhos na visualização de espaços para a arquitetura. Mas é no lazer que a realidade virtual vai ter sua aplicação mais popular e, com certeza, divertida, principalmente com o desenvolvimento do hardware, no que diz respeito à velocidade de processamento.

Os computadores mais velozes ainda não conseguem trabalhar em tempo real com uma alta resolução gráfica. Mas tudo é apenas uma questão de tempo. Assim que os fabricantes produzirem um hardware superveloz, a criação dos cenários ficará limitada apenas pela imaginação do homem. O espaço virtual também é chamado de cyberspace. O termo surgiu pela primeira vez no livro de ficção científica “Neuromancer”, de William, Gibson – não por acaso, ele teve a idéia do livro quando viu garotos jogando videogame em fliperamas.

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