20 janeiro 2016

Paixão pelo saxofone (01)



Há 175 anos surgia o saxofone, mas o novo instrumento de sopro só foi patenteado dois anos depois.
Criado no século 19 pelo belga Adolphe Sax, o instrumento não foi valorizado pelas orquestras sinfônicas. Do início nas bandas marciais ele acabou transformando-se no símbolo do jazz, depois caiu na boca do rock, das trilhas de cinema, da publicidade e de uma nova geração que ganha a vida e se diverte explorando a sensualidade de seu som.

Sendo um instrumento híbrido (corpo de metal, mas a palheta é de fibra de madeira), sua sonoridade típica e seus múltiplos recursos cativaram os músicos, que nele encontraram meios para expressar seu talento. Muitos afirmam que o saxofone é o instrumento que mais se aproxima da voz humana. O soprano tem dois formatos: reto (o mais comum) e curvo (pouco usado)

O músico Coleman Hawkins teve a primazia de popularizar o instrumento e ficou conhecido como o pai do saxofone no jazz. Já no jazz moderno, Charlie Parker (um dos criadores do estilo bebop) deu início a uma nova era, influenciando milhares de músicos em todo o mundo. Parker mudou tudo no jaz com uma sonoridade e fraseado sinuoso e a inserção de uma torrente de notas inimagináveis. Em cada solo novos rumos para o instrumento e o jazz. Sua energia e paixão pelo sax fez escola. Em seguida veio Lee Konitz com novas sonoridades, Lester Young e seu cool jazz. Outros nomes importantes no jazz: Dexter Gordon, Wardell Gray, Stan Getz, Sonny Rollins e John Coltrane. Este último trouxe ao instrumento uma velocidade até então jamais imaginada.

No Brasil o destaque vai para Vitor Assis Brasil, Hermeto Paschoal, entre outros.

QUEM É QUEM NA BAHIA

Eis alguns nomes de músicos da Bahia que têm intimidade com o instrumento

Rowney Scott eleito pelo Troféu Caymmi como o melhor instrumentista de 1985, época do auge do saxofone no mundo. A sensualidade e a melodia harmoniosa estavam no ar.

Paulinho Andrade além de saxofone toca também flauta. Já gravou com diversos artistas, foi professor da Academia de Música Atual. Sua formação musical é erudita. Cursou a Escola de Música da UFBa e enveredou pelo jazz nos anos 80 por questão de preferência.

Tuzé de Abreu se apaixonou pelo instrumento por causa do disco do saxofonista americano Paul Desmond. Tuzé tinha 13 anos e já tocava violão, piano e quis aprender sax e resolveu estudar o instrumento.

Luciano Queiroz acostumou desde criança a ouvir o instrumento pelo pai e passou então a toca-lo. Já tocou com diversos grupos como o Tríade, Sexteto do Beco, Oficina de Frevos e Dobrados, Banda Sinfônica da UFBa, entre outros.

Jeová Nascimento começou estudando violão. Depois entrou para a faculdade e começou a estudar instrumento de sopro. Inicialmente desenvolveu um trabalho com o grupo Operanóia. Fora da Bahia estudou com Paulo Moura, Nivaldo Ornellas, entre outros.

Zeca Freitas primeiro se interessou pela flauta, em seguida sax e foi tocar no Sexteto do Beco, do qual foi um dos fundadores. Foi também um dos fundadores da Academia Música Atual.

Vivaldo Conceição teve contato com a música desde os sete anos e tocou em muitas orquestras.


NA LITERATURA E CINEMA

A paixão pelo jazz acompanhou o escritor Fernando Sabino desde a juventude e sua andança pelo mundo lhe possibilitou se aproximar de inúmeros grandes mitos jazzísticos. Em muitas crônicas, Sabino já falou de sua paixão pelo jazz e pelo sax. No desenho animado da família Simpson a garotinha Lisa é apaixonada pelo saxofone. Em “On The Road” o escritor Jack Kerouac apresenta uma passagem em transe de uma saxofonista em altas doses de suspense.

No cinema, o cineasta Clint Eastwood dirigiu em 1988 o filme “Bird”, biografia do saxofonista Charles "Bird" Parker, um dos mais famosos jazzmen americanos. A fita conta sua vida, cheia de drogas, álcool, amores e sua brilhante arte. Três anos antes Joel Schumacher dirige o “Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas” onde um grupo de jovens pretende se manter unido após sua formatura, enfrentando junto as alegrias e problemas da nova fase de suas vidas. O sax tem ponto alto.

No filme “A Estrada Perdida”, de David Lynch (1997) o ator Bill Pullman faz o papel de um saxofonista de jazz vanguardista que é casado com Renee (Patricia Arquette). Ele suspeita que Renee pode ser infiel a ele, mas percebe que tem coisas maiores para se preocupar quando alguns vídeos aparecem na porta da sua casa, provando que alguém está observado a casa por fora e por dentro. Quando Renee é encontrada morta, Fred é preso e condenado por homicídio em primeiro grau. Entretanto em uma manhã não está mais em sua cela e se transformou aparentemente em Pete Drayton, um jovem mecânico de automóveis que é libertado mas tolamente se envolve com a mulher de Dick Laurent, um gangster, chamada Alice Wakefield, uma loira bem sensual que é exatamente igual a Renee. Complicado? Nada disso, é sensualidade do sax a toda prova.

E o sax continua seduzindo o mundo e sendo um dos principais astros na música, cinema, teatro, televisão, publicidade. Para aprender a tocá-lo basta possuir o instrumento e dispor de determinação e tempo.

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