12 janeiro 2016

Nossas origens cósmicas: somos poeira das estrelas (2)


Depois da grande explosão inicial, aonde toda a viagem cósmica começa, aqui se inicia a segunda era, a eraquímica. Esses átomos se espalharam-se pelo espaço interestelar, semeando as galáxias nascentes que encheram o Cosmo. E nessas galáxias, o mesmo processo de vida e morte das estrelas foram se repetindo, e mais elementos químicos foram forjados. Junto a elas nasceram planetas e suas luas. Naquela onde existia água líquida e uma química complexa, a vida pode ter surgido.

Começou aqui a terceira era, a era biológica. A vida surgiu aqui na Terra, composta dos restos de estrelas que explodiram em nossa vizinhança cósmica.

A quarta era, era cognitiva, começou menos de meio milhão de anos na Terra. A vida demora a evoluir de seres unicelulares a seres multicelulares e, destes, a seres inteligentes.

A vida surgiu quando apareceu a molécula de RNA, a primeira dotada de uma propriedade bem simples: fazer cópias de si mesma. Mas as moléculas de RNA não puderam se multiplicar sem restrições. Para se formar precisaram ser sintetizadas a partir de outras moléculas presentes ni ambiente primordial que compunha a superfície da Terra. Ou seja, elas foram obrigadas a competir pelos recursos existentes naquele tempo. Sobreviveram as mais aptas, aquelas capazes de retirar do meio tudo o que necessitavam para dar origem a moléculas filhas, que herdaram a habilidade das mães.

Todo ser vivo surgiu da água, do oceano. Assim, 600 milhões de anos o rio da vida abandonou o monotonia unicelular e deu origem aos primeiros seres formados por agrupamentos rudimentares de várias células. A competição por nutrientes e condições físicas favoráveis fez com que essas formas de vida multicelulares aumentassem rapidamente de complexidade, dando origem a animais e vegetais que deixaram os mares e se estabeleceram em terra firme.

Um códon é a receita para a construção de cada um dos aminoácidos, os tijolos básicos dos quais os seres vivos são feitos. As proteínas, moléculas que fazem tudo na célula, são compostas de dezenas ou centenas de aminoácidos enfileirados. Existem na natureza 22 aminoácidos, cada um definido por uma sequência de três letras no DNA ou RNA.

No início do processo evolutivo, existíamos em meio aos oceanos. Carregamos o oceano dentro de nós. Nossas veias espalham as marés. A composição de nosso sangue continua sendo basicamente de água salgada. E necessitamos de solução salina para lavar os olhos e, ao longo dos séculos, a vagina feminina tem sido descrita como possuindo odor semelhante ao de peixe.

O discípula de Freud, Sandor Ferenczir, foi ousado o suficiente para declarar, em sua obra Thalassa: A Theory or Genitality, que os homens faziam amor com as mulheres porque seus interiores cheirava, a salmoura de arenque e, com o ato, os homens estariam tentando voltar ao oceano primordial – “sem a menor dúvidas, uma das teorias mais fantásticas sobre o assunto. Não somente devemos nosso olfato e paladar ao oceano, mas temos o cheiro e o gosto do oceano, disse Diane Ackerman em sua obra História Natural dos Sentidos.

Quando a pequena luz se apaga, a célula perde energia e então decide retornar para as estrelas, de onde um dia partiram. E esse ciclo se repete pela eternidade, vida e morte, morte e vida no princípio meio e fim

Essa é a nossa origem. E se você se interessou pelo assunto e deseja se aprofundar mais, vale a penar ler esses livros: Origens, de John Gribbin, A Aurora Cósmica, de Erick Chaisson, O Código Cósmico, de Heinz Pagels, Cosmos, de Carl Sagan, O Tear Encantado, de Robert Jastrow, Uma Nova História do Tempo, de Stephen Hawking e Leonard Mlodinow, O Universo numa Casca de Noz, de Stephen Hawking
 
Somos criaturas solares,
dependemos do sol para sobreviver
Não somos um sistema fechado,
trocamos energia uns com os outros,
reciclando a vida até morrer.

É preciso olhar para as coisas
de modo diferente
para admirá-las em sua plenitude
e viver com toda virtude.
Assim o sol irá brilhar
em toda nossa juventude.


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