11 novembro 2015

Gente da Bahia


Desde criança frequentava a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, em Nazaré. Para mim, o local era um dos mais importantes na infância e adolescência. Lá, viajava pelo mundo através das letras... Mais tarde, vendo a necessidade dos jovens em conhecer as mais expressivas figuras públicas, seja na política, economia, ciência, cultura, ou seja, da Bahia, resolvi, com recursos próprios lançar, em 1997 o livro Gente da Bahia (Editora P&A) com biografias curtas de 100 personalidades.
Em 1998 publiquei o segundo volume, desta vez com 50 grandes nomes da terra. Os livros foram distribuídos gratuitamente paras as bibliotecas de Salvador.

Agora, em 2015, tomei conhecimento que a Editora Caramuré publicou seis livros sobre a história de grandes nomes da Bahia. As obras integram a coleção Eu Vim da Bahia e foram feitas em vitopaper (papel sintético desenvolvido à base de fibras plásticas que resistem a  intempéries, como rasgos e líquidos. Reforça a sustentabilidade e a vocação educacional. A linguagem é lúdica e ilustrações belíssimas de artistas plásticos baianos.
A professora, escritora e ensaísta Ayêska Paulafreitas e o ilustrador Mike Sam Charges contaram a história do geógrafo Milton Santos (1926-2001). Ele nasceu no município de Brotas de Macaúbas e foi um dos grandes pesquisadores da globalização (O Menino e o Globo).  Descolonizar é olhar o mundo com os próprios olhos, pensa-lo de um ponto de vista próprio. O centro do mundo está em todo lugar. O mundo é o que se vê de onde se está.

Já a história do educador Anísio Teixeira (1900-1971), nascido em Caetité, foi contada pela artista plástica e escritora Neide Cortizo (Quem está aí?). Anísio Spínola Teixeira foi uma das maiores autoridades educacionais da América Latina, estudando a educação como o maior problema político do Brasil. Para ele, a educação deve serajustada as condições da sociedade, servindo de instrumento para a mudança e progresso. Dedicou-se inteiramente a área da educação, na qual exerceu cargos relevantes.

A mãe de todos os soldados, a enfermeira Ana Nery (1814-1880), que nasceu em Cachoeira foi escrito pela poetisa Maria Antônia Ramos Coutinho com ilustrações de Janete Kislansky (Ana, meu avô e eu). 

A sambista de Salvador Tia Ciata (1854-1929) teve sua história contada pela psicóloga Lena Lois e ilustrada por Paulo Rufino (Tia Ciata e um sonho de menino).


E o poeta Castro Alves (1847-1871), nascido em Muritiba, foi escrito por Adelece Souza com ilustrações de Daiane Oliveira (Cecéu, Poeta do Céu). Ele foi o mais seminal dos poetas românticos, um abolicionista, republicano e feminista. E numa época (meados do século XIX) em que tais heresias poderiam levar ao cadafalso imperial. Romântico, o poeta defendia em verso e prosa liberdade para homens e muçheres, república, abolição e democracia.

A educadora, escritora e cordelista Mabel Velloso escreveu a trajetória do engenheiro Theodoro Sampaio (1855-1937) que nasceu em Santo Amaro e contou com ilustrações de Rebeca Silva (Theodoro, uma viagem no ontem). 

Engenheiro, escritor, cartógrafo, historiador e o único deputado federal nascido escravo no Brasil. Ele foi o primeiro a mapear a região da Chapada Diamantina e fez uma extensa expedição pelo rio São Francisco, já preocupado com a sua degradação. Suas anotações ajudaram Euclides da Cunha a escrever Os Sertões, assim como seus próprios livros.

Os seis títulos contribuem para a memória e o registro das realizações dessas personalidades. A abordagem pedagógica dos autores tem o potencial de sensibilizar jovens e estudantes para a história desses baianos notáveis. A coleção Eu Vim da Bahia oferece ao público mais um encantamento pela leitura. E que a editora continue a oferecer o público leitor outros nomes importantes da nossa terra.

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