07 junho 2011

Balada de um Homem Solitário (6)

Caminho do sol nascente: um sonho


O vento sussurrava gemidos. Ele seguia embevecido pelo suave cantar daquele vento. Seus cabelos balançavam em ritmo tumultuado, mas sua face era branda, seus olhos lentos, seu corpo rígido.... Inconscientemente, seus passos alargavam-se mais para a beira, mais para perto do precipício... E ele continuava a seguir o caminho, como se fosse o caminho da vida.

Vozes sopravam em seus ouvidos palavras doce como mel, mas tão doce que deixava enjoado. Aquilo crescia em sua consciência, tomava forma e parecia saltar de seu corpo. Por fim, o fim estava próximo. A solução seria aquela, uma solução insolúvel port ser inconsciente. Mas o vento agora sopra com mais força, como se anunciasse o final.

Sua fronte alta franziu-se, seus olhos claros escureceram, sua boca delineada sentiu um vinco amargo e seu queixo severo contraiu-se. Seu rosto ficou desfigurado, sua estatura alta e bem equilibrada ficou pendendo no espaço vazio. Aquela seria a hora de tomar uma atitude de sã consciência ou cairia de uma vez no precipício do além, na calada da noite. Seu destino começava a tomar um impulso irresistível. E se não fosse por isso, já estaria despencando e espatifando-se no fundo do poço. Com o suor escorrendo-lhe pelo rosto, conseguiu recuperar o ritmo que vinha do seu interior há muito esquecido pelo sopro constante do vento gemido.

Não parou, apenas mudou de direção do seu caminho. Seus olhos agora adquiriam aquela mesma tonalidade clara que existia antes, e vagamente olhou para o horizonte, para as montanhas quietas, emergindo da bruma azulada. A terra estava úmida com o orvalho da manhã, o vento agora sopra alegre, o calor amigo do sol desponta longe. Aos meus pés, folhas verdes caem suavemente e, no apontar do sol alto uma figura emerge em sua direção, o vento modela em nobres planeamentos o corpo perfeito da mulher amada. Os dois hão de se encontrar e, por isso, eles agora têm pressa.

Um vento mais forte saúda os dois parados, já entrelaçados. Ele olhou para o chão e viu flores que ali brotavam um fino brilho resplandecente. Ela também viu, e juntos sorriam e continuaram, mais apressado agora, pois não queriam ficar envolvidos pela poeira do tempo.

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