08 maio 2022

CURIOSIDADES BAIANAS (14) Estrada Real

 


Estrada Real era o nome alusivo à via terrestre que, no século XVIII, a partir da Capitania do Rio de Janeiro, dava acesso à região das Minas Gerais e Chapada Diamantina, na Bahia. Devido ao volume de riqueza explorado na região, a Coroa portuguesa procurou garantir o seu controle e fiscalização de maneira severa, instalando postos de inspeção (registros) para arrecadar os diversos tributos sobre minerais, como o ouro e diamante, bem como mercadorias, escravos e animais em trânsito, instituindo mais tarde as chamadas Casas de Fundição e mantendo na região dois destacamentos de cavalaria, os chamados Dragões das Minas, além de um terceiro, no Rio de Janeiro. A designação Estrada Real reflete o fato de ser esse o caminho oficial, o único autorizado para a circulação. A abertura ou utilização de outras vias constituía crime de lesa-majestade, sendo a origem da expressão descaminho com o significado de contrabando. Como era proibido se fazer o trajeto por outra via, o caminho foi usado por imperadores, soldados, mercadores, músicos, aventureiros e intelectuais, que além de produtos, carregavam ideais, como o de se transformar o Brasil em uma república independente.

 

As vias hoje reunidas sob o nome de Estrada Real foram fundamentais na história do povoamento e da colonização de vastas regiões do território brasileiro, tornando-se verdadeiros eixos histórico-culturais de construção de parte da nossa história. A grande movimentação e importância da Estrada Real fizeram nascer ao longo dos seus 1.200 km, inúmeras vilas, povoados e cidades. Mas é claro que com o fim desse ciclo econômico e com a industrialização, o caminho ficou por muito tempo adormecido, que acabou por conservá-lo e possibilitou hoje o surgimento de vários projetos de recuperação para explorar seu potencial turístico.  A união desses destinos reuniu atrativos de sobra para uma longa viagem. São construções coloniais, igrejas, museus, reservas ecológicas, esportes de aventura, estações de águas minerais, culinária mineira e, principalmente, muita história. Entretanto, a Estrada Real não nasceu com toda essa extensão, foi devido a união de três caminhos surgidos em momentos diferentes que deram origem ao que ela é hoje: o Caminho Velho, o Caminho Novo e a Rota dos Diamantes.

 

Desde abril de 2004, 28 municípios baianos, em um mil quilômetros de extensão, passaram a fazer parte dos caminhos da Estrada Real. O marco inicial do roteiro da Estrada Real na Bahia começa na cidade de Rio de Contas, localizada a 1,2 mil metros de altitude e com inúmeros atrativos religiosos, culturais e históricos. São cerca de 287 prédios tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sem mencionar a riqueza natural, como inúmeras cachoeiras e o Pico das Almas, um dos pontos mais altos do Estado. O projeto Estrada Real consiste em aproveitar, para fins de turismo, o caminho construído na época do Brasil colônia. Na Bahia, a Estrada Real atravessa pólos turísticos da Chapada Diamantina, onde os tempos áureos do ciclo do diamante se fez com mais força, integrando os municípios de Lençóis, Mucugê, Palmeiras, Andaraí, Seabra, Iraquara, Itaetê, Nova Redenção, Ibicoara, Rio de Contas, Érico Cardoso, Rio do Pires, Jussiape, Piatã, Abaíra, Paramirim, Livramento de Nossa Senhora, Morro do Chapéu, Jacobina, Miguel Calmon, Piritiba, Wagner, Bonito, Ourolândia, Campo Formoso, Saúde, Caem e Utinga. (Texto do livro Breviário da Bahia, de Gutemberg Cruz lançado em 2014 pela Assembleia Legislativa da Bahia)

Nenhum comentário: