17 setembro 2012

O rei das selvas completa 100 anos de existência (4)

Das novelas para as telas

Do musculoso Elmo Lincoln, o primeiro rei das selvas, até o esguio e elegante Christopher Lambert, nada menos que 20 diferentes homens-macaco passaram pelas telas. O mais famoso foi Johnny Weissmuller, um dos maiores atletas da história da natação, bicampeão olímpico e com o recorde de 67 marcas mundiais do nado livre. Ele ficou 17 anos (de 1932 a 1948) e 12 filmes como Tarzan. Foi em janeiro de 1918 que Tarzan surgiu pela primeira vez no cinema. Ele saiu das páginas das novelas de Burroughs para os filmes de aventuras. “Tarzan dos Macacos”, com Elmo Lincoln no papel principal, foi o primeiro filme da história a obter uma renda bruta de mais de US$1 milhão. Enid Markey personificava a companheira fiel do rei das selvas e com ele respirava-se um pouco de vida selvagem e pura das florestas com seus animais e seus perigos. Seu lançamento deu-se na National Film of América.

Em 1920, Gene Polar vive o papel do homem-macaco. Esses dois Tarzans eram do cinema mudo. Depois, vieram outros, como James H. Pierce, Frank Mervil. Em 1932, o campeão olímpico de natação, Johnny Weissmuller, deixou as piscinas para ingressar nas selvas africanas, acompanhado pela suave Mauren O´Sullivan. O som chegara ao cinema e, pela primeira vez, seria ouvido o grito de triunfo de Tarzan. Foi o grito do herói que impressionou as platéias. Quando Tarzan levava a mão à boca e soltava seu poderoso berro, a selva tremia. Ele podia estar contando vitória, advertindo bandidos ou chamando seus amigos elefantes para livrá-lo de alguma encrenca. A Metro-Goldwin-Mayer fez grande esforço para criar um som extraordinário. Trilhas sonoras que registravam o rosnar de um cão, uivos de hienas, notas de um violino desafinado foram misturados com a trilha do próprio Weissnuller gritando. Além de Weissmuller, somente Lex Barker sabia imita-lo.

Os intérpretes do herói foram escolhidos mais por sua capacidade atlética que por qualquer consideração artística. James H. Pierce (que se casou com a filha de Burroughs) tinha sido craque de futebol na Universidade de Indiana. Johnny Weissmuller, o melhor de todos, bateu 75 recordes mundiais de natação e foi a vedete das Olimpíadas de 1924 e 1928. Os Jogos Olímpicos foram uma sementeira de Tarzan: Buster Crabe, campeão olímpico de natação, e Herman Brix (depois, mudou o nome para Bruce Bennett), campeão de arremesso de peso. Glen Morris foi o campeão de decatio, em 1936. Gordon Scott, antigo cowboy e salva-vidas, foi o único a filmar na África (Tarzan e a Expedição Perdida, primeiro filme em technicolor). Já Dennis Miller, jogador de basquete, foi considerado o pior Tarzan de todos os tempos. Mike Henry, jogador de futebol americano, fugiu de uma vaca e foi agredido por Chita quando filmava no Rio. Desde então, produziram-se 50 filmes de Tarzan, cada um, eles com grande êxito. Embora gostasse de caçoar das películas, Burroughs ficou amargamente desapontado com os filmes de Tarzan. Muitas vezes nem ia vê-los. O seu Tarzan era um homem civilizado, herói, belo e, acima de tudo, livre. O mundo conhece bem a caricatura semi-analfabeta que Hollywood fez de Tarzan.

O personagem não enfrentou apenas os bandidos nas selvas. A censura foi um inimigo imbatível para o herói. O autor proibia Tarzan de dar gargalhadas nos filmes. O Código Hays (severa imposição das ligas de decência) cortou cenas de Tarzan e Jane nadando nus em A Companheira de Tarzan; censurou o ataque de vampiros em A Fuga de Tarzan e a morte de Jane em O Filho de Tarzan. E teve que vestir o jovem Eric Langlois com uma fina malha cor de carne nas cenas em que ele fazia um Tarzan nu e adolescente em Greystoke, a Lenda de Tarzan.


Depois de realizarem dezenas de filmes, novelas radiofônicas, discos, peças teatrais, quadrinhos, os produtores e diretores partiram para os filmes seriados a tevê – nova forma de explorar o mito de Tarzan. Ron Ely foi o primeiro Tarzan da televisão. Mais tarde uma série de Tarzan para a tevê foi levada em mais de 300 estações nos Estados Unidos e fora dele. Todos os dias, em quase todo o mundo, exibe-se um filme de Tarzan ou uma tira de quadrinhos. Oitenta anos depois, o mesmo intenso sucesso permanece. Tarzan continua venerado pelos velhos que o viram “nascer”, pelos adultos que o recordam e ainda se divertem com suas aventuras, e também pelas crianças que o têm como um ídolo sempre presente em suas brincadeiras.

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