19 setembro 2012

Drummond: 110 anos de nascimento

No dia 31 de outubro de 2012 marca os 110 anos de nascimento de Carlos Drummond de Andrade. E o poeta ganhou casa nova, ou seja, depois de 27 anos tendo seus livros publicados pela Record, a Companhia das Letras reeditou toda a obra do escritor, com novo projeto gráfico e conselho editorial próprio. O poeta mineiro foi o homenageado da Flip em 2012, quando o evento completou dez anos.

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em sua décima edição que aconteceu em julho, elegeu o poeta itabirano como o homenageado do evento. O Instituto Moreira Salles lançou o DVD Consideração do Poema: Leituras de Carlos Drummond de Andrade, em que poemas de Drummond são lidos por Caetano Veloso, Cacá Diegues, Adriana Calcanhoto, Milton Hatoum entre outros.

O poeta e pesquisador Eucanaã Ferraz lançou em 2011 pelo Instituto Moreira Salles o livro “Versos de Circunstância”. O abra traz 295 poemas, sendo 229 inéditos, produzidos entre 1951 e 1968. Os textos foram retirados de três cadernos de Drummond, nomeados como versos de circunstâncias. A Companhia das Letrinhas publicou a versão ilustrada de Menino Drummond, que reúne 22 poemas do mineiro. A Globo Livros lançou Cyro e Drummond – Correspondência entre Cyro dos Anjos e Carlos Drummond de Andrade reunindo 50 anos de cartas entre os poetas. A editora também editou sua biografia Os Sapatos de Orfeu, escrita pelo jornalista José Maria Cançado.

Carlos Drummond de Andrade – Coleção Encontros é um livro de entrevistas concedidas entre 1927 e 1987 organizado por Larissa Ribeiro para a Azougue Editora. A obra compõe perfil divertido e surpreendente de Drummond. A Palavra Mágica: Certa palavra dorme na sombra/de um livro raro./Como desencantá-la?/É a senha da vida/a senha do mundo./Vou procurá-la.//Vou procurá-la a vida inteira/no mundo todo./Se tarda o encontro, se não a encontro,/não desanimo,/procuro sempre.//Procuro sempre, e minha procura/ficará sendo/minha palavra.

A obra do poeta mineiro começou a ser reeditada pela Companhia das Letras. Os primeiros volumes já estão nas livrarias: A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Contos de Aprendiz (1951) e Fala, Amendoeira. Os próximos volumes: Sentimento do Mundo, As Impurezas do Branco, Antologia Poética e Contos Plausíveis.

Poeta, contista e cronista, Drummond é considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa e da literatura latino-americana. É respeitado por críticos nacionais e estrangeiros como um dos grandes poetas universais. Funcionário público, homem de natureza reservada, avesso principalmente às entrevistas, só mesmo no fim da vida o mineiro de Itabira, Minas Gerais, se liberou para as manifestações pessoais. Cada vez mais frequentes, elas foram uma voz lúcida e iluminada. Ao longo de sua vida, produziu mais 40 livros, muitos deles traduzidos para países como França, Inglaterra, Itália, Alemanha, Suécia, Argentina, Chile, Peru, Cuba, Estados Unidos, Portugal, Espanha e Tchecoslováquia.

Poema de Sete Faces: Quando nasci, um anjo torto/desses que vivem na sombra/disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.//As casas espiam os homens/que correm atrás de mulheres./A tarde talvez fosse azul,/não houvesse tantos desejos.//O bonde passa cheio de pernas:/pernas brancas pretas amarelas./Para que tanta perna, meu Deus,/pergunta meu coração./Porém meus olhos/não perguntam nada.//O homem atrás do bigode/é sério, simples e forte./Quase não conversa./Tem poucos, raros amigos/o homem atrás dos óculos e do bigode.//Meu Deus, por que me abandonaste/se sabias que eu não era Deus,/se sabias que eu era fraco.//Mundo mundo vasto mundo/se eu me chamasse Raimundo/seria uma rima, não seria uma solução./Mundo mundo vasto mundo,/mais vasto é meu coração.//Eu não devia te dizer/mas essa lua/mas esse conhaque/botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira, Minas Gerais, em 1902, e morreu no Rio de Janeiro, em 1987, aos 85 anos. Passa boa parte da infância na fazenda da família, "sozinho, entre mangueiras" , como diria, mais tarde, em seu poema Infância, publicado em Alguma Poesia. É tido como um dos mais maiores poetas que o Brasil já teve, comparado aos maiores poetas estrangeiros. Drummond foi redator do Diário de Minas. Mais tarde foi responsável pela abertura no jornal de textos modernistas. Depois de haver completado o curso de Farmácia, atividade profissional que não exerceu, foi convidado pelo amigo Augusto Capanema, então Ministro da Educação, para chefiar o referido gabinete, em 1930.

O mundo é grande: O mundo é grande e cabe/nesta janela sobre o mar./O mar é grande e cabe/na cama e no colchão de amar./O amor é grande e cabe/no breve espaço de beijar.

Mais tarde, Drummond tornou-se chefe do Serviço do Em 1930 lança Alguma Poesia e, em 1934, Brejo das Almas, ambos com textos carregados de fina ironia. Foi uma fase que, enquanto ironizava os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser do poeta de Itabira. Em 1987, doze dias depois da morte de sua única filha Maria Julieta, Drummond morria a 17 de agosto, deixando obras inéditas como O Avesso das Coisas, O Amor Natural e Moça Deitada Na Grama.

O nome de Drummond está associado ao que se fez de melhor na poesia brasileira. Pela grandiosidade e pela qualidade, sua obra não permite qualquer tipo de análise esquemática. Para compreender e, sobretudo, sentir a obra desse escritor, o melhor caminho é ler o maior número possível de seus poemas.

Mãos Dadas: Não serei o poeta de um mundo caduco./Também não cantarei o mundo futuro./Estou preso à vida e olho meus companheiros/Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças./Entre eles, considere a enorme realidade./O presente é tão grande, não nos afastemos./Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.//Não serei o cantor de uma mulher, de uma história./não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela./não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida./não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins./O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,/a vida presente.

Muitos poemas de Drummond funcionam como denúncia da opressão que marcou o período da Segunda Grande Guerra. A temática social, resultante de uma visão dolorosa e penetrante da realidade, predomina em Sentimento do mundo (1940) e A rosa do povo (1945), obras que não fogem a uma tendência observável em todo o mundo, na época: a literatura comprometida com a denúncia da ascensão do nazi-fascismo.

Obras

Poesia:

* Alguma poesia (1930)
* Brejo das almas (1934)
* Sentimento do mundo (1940)
* Poesias (1942)
* A rosa do povo (1945)
* Claro enigma (1951)
* Viola de bolso (1952)
* Fazendeiro do ar (1954)
* A vida passada a limpo (1959)
* Lição de coisas (1962)
* Boitempo (1968)
* As impurezas do branco (1973)
* A paixão medida (1980)
* Corpo (1984)
* Amar se aprende amando (1985)
* O amor natural (1992)

Prosa:

* Confissões de Minas (1944) - ensaios e crônicas
* Contos de aprendiz (1951)
* Passeios na ilha (1952) - ensaios e crônicas
* Fala, amendoeira (1957) - crônicas
* A bolsa e a vida (1962) - crônicas e poemas
* Cadeira de balanço (1970)
* O poder ultrajovem e mais 79 textos em prosa e verso (1972) - crônicas
* Boca de luar (1984) - crônicas
* Tempo vida poesia (1986)
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