13 setembro 2012

O rei das selvas completa 100 anos de existência (2)

MITO

Em 1912, com a ficção científica conquistando grande público, Edgar Rice Burroughs (1875-1950) escreve Sob a Lua de Marte, que enviou para a revista All Story, de grande tiragem a época. Para sua surpresa, a história foi publicada e o editor enviou-lhe US$400 e o pedido de outra novela. Escreveu, então, O Proscrito de Tom. Que foi sumariamente rejeitada. Após ler The Darkest África, de Stanley e O Livro de Jângal, de Kipling, Burroughs criou seu personagem que viria a tornar-se um verdadeiro mito: Tarzan. Tratava-se de um mito diferente de tudo o que se editava na época. Era o ideal humano, puro, autêntico, sem covardias, belo e inteligente. Sua publicação teve tamanha repercussão e as cartas recebidas pelo editor e pelo autor foram inúmeras. A maioria pedia a continuação da história. Mas Burroughs não se encontrava interessado em Tarzan, mas no seu herói John Carter de Marte. Somente a pressão do editor e dos leitores é que possibilitou novas publicações. O personagem conquistou definitivamente o público. De sua criação até 1947, nada menos do que 20 volumes foram editados.

Burroughs baseou-se na estória de Rômulo e Remo que, abandonados por sua mãe, foram amamentados por uma loba. Tarzan, deixado na selva africana, fora criado por uma macaca e tornou-se o rei entre os grandes gorilas da selva. Desta forma, não tendo qualquer ligação com a sociedade, estava liberto dos defeitos e limitações da vida social. Burroughs criou todo um cenário grandioso e colorido, misturando sua fantasia ao estilo de Verne e aos fantásticos episódios de um livro de aventuras de caçadores africanos.

A história de Tarzan inicia-se quando, na sequência de um naufrágio, o casal aristocrático inglês, Lord Greystoke, esposa e filho conseguem chegar a uma praia, na costa africana. Os seus pais morrem pouco tempo depois e deixam órfão o pequeno branco indefeso, que é recolhido e protegido por Kala, uma grande fêmea gorila que o livra de uma morte certa. Criado no seio dos símios superiores na mais completa liberdade, o jovem Tarzan vai, progressivamente, adquirindo uma notável robustez e agilidade físicas e aprende, inclusivamente, a linguagem dos animais.

Mais tarde, Tarzan conhece a jovem Jane, que se torna a sua inseparável companheira de muitas aventuras pelos quatro cantos do planeta, penetrando em mundos fantásticos, como, por exemplo, quando descem ao centro da Terra ou visitam civilizações míticas perdidas na alvorada dos tempos. Entretanto, Tarzan adquire um profundo sentido de humanidade e de justiça, pondo-se ao serviço dos indefesos e de causas nobres, combatendo tribos selvagens e homens brancos gananciosos e desonestos. Quando um dia, ele descobre as suas próprias origens, regressa a Inglaterra e a Londres para uma curta estadia, mas rapidamente chega à conclusão de que o mundo dito civilizado e os costumes burgueses não são feitos para ele e decide, assim, regressar definitivamente à selva africana.

EXOTISMO

O sucesso chegou e com o passar do tempo, Burroughs tornava Tarzan mais grandioso e magnífico. Para isso, usava dois ângulos: o exótico dos ambientes e os estranhos personagens lutando contra Tarzan. Dessa maneira, criou vilões que pareciam sair da Odisséia ou de continentes submersos. Nasciam para o dia-a-dia de pacatos cidadãos da era contemporânea as sereias misteriosas de Opar, o mundo submarino, as amazonas guerreiras, os homens alados, rainhas envoltas em pedrarias e ouro, sábios e magos, humanóides com rabo, selvagens adoradores do fogo em templos paleolíticos. Brilhavam, sob nova luz, cidades sepultas no esquecimento, altares de sacrifícios humanos, deuses mitológicos e a maravilhosa Paul-Ul-Don, a terra antidiluviana. Todo um vocabulário requintado, inexistente, foi criado para conduzir Tarzan aos mais estranhos caminhos da imaginação: o búfalo era “gogo”, a tribo “hohotan”, “numa”era o leão, e a ordem para matar, o grito de guerra dos Tarzan do cinema e quadrinhos era “bandolo”. Os livros de Tarzan apareceram no Brasil através da Companhia Editora Nacional e sua Coleção Terramarear em 1935. Sucesso absoluto. Por que tanto sucesso?

Quem responde é o grande especialista em quadrinhos e romance popular, Francis Lacassin: “O fabuloso charme de Tarzan decorre, basicamente, do fato de que ele reinventou as origens e a potência integral do homem-macaco. Num século cada vez mais desoxigenado, urbanizado e submerso ao cimento armado, Tarzan recriou espaços de sonho. Ele encarnou, durante décadas, o fantasma coletivo da vida ao ar livre, sem qualquer constrangimento ou coerção social. A força da selva o fez herói permanente, apesar das novas figuras interplanetárias surgidas no cinema e nas histórias em quadrinhos”.

Quando Edgar Rice Burroughs procurava um local calmo onde pudesse escrever suas novelas, escolheu um longínquo ponto no Vale de São Fernando, nos arrabaldes de Los Angeles. Lá, comprou uma extensa faixa de terreno e construiu sua casa e escritório. E foi lá que ele visualisou muitas das fantásticas aventuras de Tarzan. Anos depois, a localidade progredia e os moradores, em homenagem ao seu vizinho mais famoso, cognominaram a cidade de Tarzana, Califórnia. Edgar Rice Burroughs morreu em março de 1950, com 75 anos. Pouco antes de seu fim, declarou que “nada poderia fazer Tarzan morrer”. O autor de Tarzan morreu sem nunca ter colocado os pés na África.

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