12 setembro 2012

O rei das selvas completa 100 anos de existência (1)

Um misto de fantasia e realidade. A história com tanta inspiração e, que dentre os heróis de ficção, nenhum tem obtido, durante sua existência, tanto prestígio. Tarzan, o Rei das Selvas, completa 100 anos de existência em outubro próximo. Divulgado de todas as formas (livros, filmes, peças teatrais, novelas radiofônicas, quadrinhos e seriados de tevê), o “velho” herói continua firme no coração da juventude. Nenhum outro personagem está em cartaz há tanto tempo. Mas nenhum outro, como o Homem-Macaco, possui tanto poder de estimular a fantasia do amor e da força selvagem.

Tarzan é talvez o maior mito do século XX e a mais duradoura referência da moderna cultura popular, surgida do cruzamento do sonho com as técnicas de marketing. É considerado o mais célebre herói de ficção do século passado, ultrapassando em popularidade outros heróis igualmente famosos, tais como Tintin, Astérix, Mickey, Super Homem, Flash Gordon, Mandrake, Fantasma, entre muitos outros.

O herói conseguiu o feito extraordinário de estender o seu domínio a áreas tão diversificadas como a literatura, o cinema, a televisão, a rádio, a banda desenhada, os desenhos animados ou os jogos de vídeo. Ironicamente e de forma paradoxal, constata-se que se, por um lado, é ao cinema que a figura do Rei da Selva deve a sua fama universal e imortalidade, por outro lado, foi essa mesma Sétima Arte que mais distorceu o espírito inicial da criação de Edgar Rice Burroughs.

Há 100 anos nascia Tarzan, criado por Edgar Rice Burroughs num conto, Tarzan of the Apes (Tarzan dos Macacos), publicado na revista All-Story (em outubro de 1912, e virou best seller em 1914, quando foi publicado em livro). Em 1918, Tarzan foi levado ao cinema, com o ator Elmo Lincoln, e em janeiro de 1929 saiu sua primeira história em quadrinhos. Até hoje, Tarzan é um herói e um mito. Na linguagem dos macacos, Tarzan significa pele branca. Das 67 novelas escritas por Burroughs, 27 tinha Tarzan como herói. Traduzido para 31 línguas, registra uma média de 60 milhões de cópias e um número incalculável de leitores. Os quadrinhos, o rádio e a televisão, além do cinema, se encarregaram de perpetuar sua imagem.

Vinte atores viveram Tarzan em quase 50 filmes. É o mito cinematográfico de maior duração. Nenhum outro personagem está em cartaz há tanto tempo. Mas nenhum outro, como o homem-macaco, possui tanto poder de estimular a fantasia do amor e da força selvagem. O herói por excelência, de princípios morais rígidos, defensor da justiça, intrépido e ágil, viveu aventuras que fascinaram gerações e povos. Cerca de 75% das rendas auferidas com seus filmes vinham do estrangeiro. Se o público adorava o Tarzan das telas, Burroughs, ao contrário, se amargurava ante a figura caricata e praticamente analfabeta em que Hollywood transformara o Rei das Selvas.

Para Burroughs, Tarzan era um homem sumamente inteligente, sensível, civilizado na acepção pura do termo, heróico, belo e, acima de tudo, livre, o paradigma do homem inatingível para a época. Nem sempre, todavia, os filmes refletiam o personagem literário. O filme de Tarzan que mais bem reproduz a obra original é Greystoke – a lenda de Tarzan, o rei das selvas, realizado por Hugh Hudson, em 1984, com Christopher Lambert no papel. Mas em termos de imagem cinematográfica, Johnny Weissmuller, que viveu o papel na série da Metro-Goldwin-Mayer, foi o que marcou mais o personagem junto aos fãs.

SENHOR DAS SELVAS NO MUSEU

O grito que imortalizou Tarzan no cinema, misturado com os sons da selva africana, deram as boas-vindas ao visitante na exposição do Musée du Quai Branly, em Paris, dedicada a este herói atípico que cresceu na natureza, rodeado de macacos e afastado da civilização. "Tarzan! ou Rousseau chez les Waziri" (Tarzan! ou Rousseau com os Waziri) explorou em setembro do ano passado "o senhor da selva" através de objetos de coleção de diversos museus franceses, assim como filmes, cartazes, quadros, fotografias e figuras. Organizado pelo antropólogo Roger Boulay, em parceria com o Centre International de la Bande Dessinée et de l'Image, instituição voltada para a preservação da memória da indústria de HQs, a mostra tenta dissecar um mito da cultura de massa.

A exposição mostrou a influência de um dos mitos mais populares do século XX, que saiu dos livros e "criticou de maneira feroz e contínua a sociedade urbana", explicou o organizador da exibição, Roger Boulay. Um herói ecologista, pois divulga o cuidado com a natureza e rejeita constantemente a tecnologia e o progresso, aparece na mostra como representante do debate mundial sobre o meio ambiente, uma preocupação quase inexistente no início do século passado.

Filho de aristocratas ingleses, criado entre macacos, Tarzan nasceu em 1912, da pena do escritor americano Edgar Rice Burroughs, que desenvolveu a personalidade deste herói em 22 livros entre 1914 e 1947, que rendeu a publicação de mais de 15 milhões de exemplares e foram traduzidos em 56 idiomas. Inspirado na tradição de romances como "O livro da selva" (1894) ou "As Minas do Rei Salomão" (1885), Burroughs, que nunca foi à África, se inspirou no mito de Rômulo e Remo e o de Hércules para criar seu personagem, para demonstrar o vínculo do homem com o mundo animal, separados pela civilização. O imediato sucesso de "Tarzan, O Rei dos Macacos" (1912) e do resto das histórias desencadeou a adaptação da história em outros formatos, que tiveram a mesma fama (cerca de 15 mil histórias em quadrinhos e 46 filmes, além de numerosas séries de televisão).

A exposição, que apresentou as diferentes adaptações de desenhistas de quadrinhos como Harold Foster e Burne Hogarth, exibe, além disso, partes dos mais populares filmes do mito, que imortalizou em mais de doze filmes, entre 1932 e 1949, o ator e antigo campeão olímpico de natação Johnny Weissmuller. Bourrough misturou em Tarzan as aventuras, as façanhas e a reflexão sobre a sociedade, a natureza e a evolução, como evidencia seu especial interesse pelo darwinismo - teorias publicadas quando o escritor nasceu - contra o criacionismo vigente durante séculos.

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