20 agosto 2007

Pele, o mais visível órgão do corpo humano (1)

Para além da faceta dermatológica, a pele sempre teve um papel preponderante na sociedade humana e é esse lado que agora é revelado no livro Pele - Uma História Natural (Skin: A Natural History, University of California Press, 290 págs). O fascinante livro da professora de antropologia na Universidade Estadual da Pensilvânia, Nina Jablonski, é tão abrangente quanto a própria pele. Jablonski trata de tópicos que vão da história evolutiva da pele a perspectivas futuras, tais como peles robóticas ou eletrônicas, passando por temas como suor, cor, tato e dermatite. No processo, ela demonstra que a pele é não apenas crucial para nossa saúde como também um importante veículo para a expressão pessoal. Uma combinação de três atributos torna a pele humana única no reino animal. Primeiro, ela não é revestida por pêlos e sua. Segundo, é produzida naturalmente em ampla variedade de cores, “um fascinante arco-íris em sépia”, nas palavras de Jablonski, que varia do marrom escuro ao branco marfim pálido. Terceiro, ela é uma superfície para decoração, de maquiagem e outras formas de pintura temporária a cicatrizes e tatuagens.

A pele representa 16% do peso do corpo humano. Parece pouco? A pessoa que tem 70 kg, a pele é responsável por cerca de 12 kg do seu peso. Toda a superfície da sua pele mede de 1,5 a 2 metros quadrados. A pele é formada por três camadas, bem unidas entre si. São elas: epiderme, derme e hipoderme. Todas são importantes para o corpo, e cada uma tem características e funções diferentes.

A epiderme é a camada mais externa da pele, aquela que você pode ver, formada, na sua superfície, por células achatadas, chamadas queratinócitos, ricas em uma proteína chamada queratina. É a queratina quem, entre outras substâncias, ajuda a evitar a desidratação, ou perda de água, do organismo. Isso porque esta proteína mantém as células mais unidas e, conseqüentemente, com menos espaço para ocorrer a evaporação da água.

A epiderme tem ainda outras células, chamadas melanócitos, as que produzem a melanina, outra proteína, de cor escura, responsável pela pigmentação da pele. A quantidade de melanina determina a cor da pele de cada um. Além disso, a melanina protege a pele dos efeitos nocivos do sol. A epiderme está em constante renovação: as células mais antigas são substituídas por outras mais novas. As células (queratinócitos) nascem mais redondinhas e vão se achatando à medida que chegam na superfície.

A derme é a camada do meio da pele. Ela mede de um a quatro milímetros. É formada por fibras e por grande quantidade de vasos sangüíneos e terminações nervosas. As terminações nervosas (as extremidades dos nervos, a “pontinha” dos nervos), que estão localizadas na derme, recebem os estímulos do meio ambiente, e os transmitem ao cérebro, através dos nervos. Estes estímulos são traduzidos em sensações, como dor, frio, calor, pressão, vibração, cócegas e prazer.

A hipoderme é a terceira e última camada da pele. Esta camada é formada basicamente por células de gordura. Sendo assim, sua espessura é bastante variável...(depende se a pessoa é gordinha ou magrinha). Ela apóia e une a epiderme e a derme ao resto do seu corpo. E permite que as duas primeiras camadas deslizem livremente sobre as outras estruturas do organismo. Além disso, a hipoderme mantém a temperatura do seu corpo e acumula energia para o desempenho das funções biológicas.

A pele tem várias funções: Transmissão de estímulos e sensações (frio, calor, tato, pressão, dor, vibração, cócegas e prazer), regulação da temperatura corporal (elimina ou conserva o calor do seu corpo, conforme a necessidade), suor , arrepio, proteção (serve de “armadura” para você: suas estruturas protegem o corpo das agressões do meio ambiente, como bactérias e fungos, condições climáticas, poluição e substâncias químicas, entre outras.)

A pele é o maior e mais visível órgão do corpo humano. Sua riqueza e sua complexidade biológicas só são excedidas pelas do cérebro e do sistema imunológico. E, agora, ela enfim ganhou o livro que merece. Nina Jablonski escreveu a obra voltada ao grande público que cobre a pele humana em todos os aspectos “à maneira de uma antiquada história natural”, na definição da autora. Esperamos que a obra seja publicada no Brasil.

”Nossa pele é uma espécie de roupa espacial, dentro da qual nos movemos em meio a uma atmosfera de gases agressivos, de radiação solar e de obstáculos de todos os tipos”, escreveu Diane Ackerman em sua obra “Uma História Natural dos Sentidos”. “Nossa pele – escreveu – é o que fica entre nós e o mundo. Se pensarmos sobre o assunto, verificamos que nenhuma outra parte nossa entra em contacto com outra coisa além de nós como a pele. Ela nos aprisiona, mas também nos fornece a forma individual, protege-nos contra invasores, resfria-nos ou aquece-nos quando necessário, produz a vitamina D de que necessitamos, contém os fluídos de nosso corpo. Talvez o fato mais extraordinário seja sua capacidade de se recuperar e de, constantemente, se renovar. Pesando de três a cinco quilos, é o maior órgão que possuímos e o mais importante para a atração sexual (...) É à prova d´água, lavável e elástica. Apesar de ficar flácida ou enrugada quando envelhecemos, resiste surpreendentemente bem ao tempo. Em quase todas as culturas, é a tela ideal para ser decorada com pinturas, tatuagens e jóias. Porém, mais importante do que tudo, é o centro do tato”.

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