09 agosto 2007

Cinco fases de Gilberto Gil -1967/1987 (4)

A quarta fase do artista utilizando os recursos tecnológicos. Nesses 20 anos de estrada, tornou-se não apenas um músico brilhante, mas um compositor capaz de inspirar-se em praticamente todos os estilos de música brasileira, muitas vezes estabelecendo cruzamentos originais entre esses estilos e os ritmos africanos ou o rock. Sua música é sempre moderna e, embora sintonizada com os ritmos internacionais, jamais perde um agudo senso de brasilidade que é uma de suas características mais marcantes. A quarta fase de Gil começa com “Realce”, em 1979, utilizando plenamente os recursos tecnológicos. Em 1980 Gil faz uma excursão ao lado de Jimmy Cliff onde o sucesso era a canção “Não Chores Mais”, adaptação do reggae “No, Woman, no Cry”, do jamaicano Bob Marley. Ainda em 1980 ele lança “Luar”. Essa é a fase tecnológica de Gil, com os elementos brasileiros característicos trazidos para a linguagem da moderna eletrônica. Tanto “Se eu Quiser falar com Deus” (meditativo) quanto “A Gente Precisa ver o Luar” (expansivo) estão no disco Luar. É de 1982 o disco Um Banda Um, onde o artista mostra suas duas faces, alegre e triste. É a face triste, filosófica nas canções “Drão” e “Esotérico”. “Drão! É uma canção sobre a compaixão:

“Drão/o amor da gente é como um grão/uma semente de ilusão/tem que morrer pra germinar/plantar nalgum lugar/ressuscitar no chão/nossa semeadura/quem poderá fazer/aquele amor morrer!/nossa caminhadura/dura caminhada/pela estrada escura//Drão/não pense na separação/não despedace o coração/o verdadeiro amor é vão/estende-se, infinito/imenso monólito/nossa arquitetura/quem poderá fazer/aquele amor morrer!/nossa caminha dura/cama de tatame/pela vida afora//Drão/os meninos são todos sãos/os pecados são todos meus/Deus sabe a minha confissão/não há o que perdoar/por isso mesmo é que há/de haver mais compaixão/quem poderá fazer/aquele amor morrer/se o amor é como um grão!/Morrenasce, trigo/Vivemorre, pão” (Drão)

As diferentes fases da carreira de Gilberto Gil expressam as experiências mais típicas de sua geração. A pluralidade, a diversificação, a receptividade, a flexibilidade e o colorido de cada movimento caracterizam essa trajetória artística. Depois do lado triste, o lado alegre com “Banda Um” e “Andar com Fé”.

“BandaUmBandaUmBandaUmBanda - ô-iê/Iê-iê-iê-iê/BandaUmBandaUmBandaUmBanda - ô-ô(Iô-iô-iô-iô)//Banda Um que toca um balanço parecendo polka/UmBandaUmBandaUm/Banda Um que toca um balanço parecendo rumba/UmBandaUmBandaUm//Banda Um que é África, que é Báltica, que é Céltica/UmBanda América do Sul/Banda Um que evoca um bailado de todo planeta/UmBandaUm, Banda Um//BandaUmBandaUmBandaUmBanda - ô-iê (bis)//Banda pra tocar por aí/No Zanzibar/Pro negro zanzibárbaro dançar/Pra agitar o Baixo Leblon/O Cariri/Pra loura blumenáutica dançar/(Hum...) Banda Um, Banda Um//BandaUmBandaUmBandaUmBanda - ô-iê (bis)//Banda Um que soa um barato pra qualquer pessoa/UmBanda pessoa afins/Banda Um que voa, uma asa delta sobre o mundo/UmBanda sobre patins//Banda Um surfística nas ondas da manhã nascente/UmBanda, banda feliz/Banda Um que ecoa uma cachoeira desabando/UmBandaUm, bandas mis//BandaUmBandaUmBandaUmBanda ô-iê/Iê-iê-iê-iê/BandaUmBandaUmBandaUmBanda - ô-ô(Iô-iô-iô-iô) (Um Banda Um)

Gil é um homem que acredita que um dia a felicidade vai vencer. Felicidade é uma coisa interior, de conhecer sempre, ainda que no escuro, o caminho de casa. Isso que ele chama de felicidade. É nesse caminho as canções “Metáfora” e “Deixar Você”. “Metáfora” fala da sensorialidade, o que é percebido pelos sentidos e o que escapa a eles.

“Uma lata existe para conter algo/mas quando o poeta diz: "Lata"/pode estar querendo dizer o incontível//Uma meta existe para ser um alvo/mas quando o poeta diz: "Meta"/pode estar querendo dizer o inatingível//Por isso, não se meta a exigir do poeta/que determine o conteúdo em sua lata/na lata do poeta tudonada cabe/pois ao poeta cabe fazer/com que na lata venha caber/o incabível//Deixe a meta do poeta, não discuta/deixe a sua meta fora da disputa/meta dentro e fora, lata absoluta/deixe-a simplesmente metáfora” (Metáfora)

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