
Os judeus
eram caricaturados como
avaros, agiotas, desonestos,
financistas velhacos e
comerciantes ou alfaiates
de roupas de segunda
mão, ou mascates que
operavam à margem
do comércio e da
sociedade. Muitos chargistas
eram judeus e tentavam
“suavizar” e humanizar
seu material. Estudiosos
da comunidade imigrante
judaica da virada
do século informaram
que os judeus tem
uma longa tradição de
rir de si mesmos,
sabiam que na sociedade
cristã as artes, nas
diversas níveis, lidavam
com eles de forma
irônica.
No Antiguidade
os judeus já eram
representados como narigudos.
Os impressos europeus dos
séculos XV e
XVI dependiam de personagens
simbólicos para interpretar
judeus e judias: sacos
de dinheiro, chapéus especiais
e insígnias que eram
forçados a usar.
O século XVII trabalhava
com rótulos de identificação
fisiológica: barbas longas
ou tufos estreitos
que circundavam o
rosto, o nariz grotescamente
dependurado.

Abie, o
Representante
Personagem fumante,
de olhos arregalados,
baixinho, gorducho,
de nariz acebolado
e bigodinho, proferindo
um inglês com sotaque,
expressões e inflexões
ídiches, assim é
Abie, o Representante,
criado para as tiras
de quadrinhos por Harry
Hershfield (1885-1974),
cuja carreira de chargista,
radio comediante, escritor
e humorista, estendeu-se
a vários meios de
comunicação. Sua estreia
aconteceu em 1914
e seu encerramento
definitivo, com várias
interrupções, em 1940.
Abie foi a primeira
figura judaica em tira
de uma cadeia de
jornais.

Suas tiras
eram distribuídas pelas
agências (syndicates)
que impunham limitações
à liberdade de expressão
de chargistas que, em
sua maioria, ainda tentavam
evitar temas tidos como
ofensivos ou antipáticos
aos leitores. Abie, o
Representante, concordavam
seus estudiosos, divertia
leitores judeus e
não judeus de classe
média, que gostavam e
compartilhavam de suas
estripulias de trabalhador,
cidadão e marido.
Para John e Selma
Appel (Comics. Da Imigração
na America, Ed. Perspectiva,
1994, p.152) “as personagens
judaicas de Hersfield
eram os judeus aculturados
da mistura de raças,
em conformidade com
o ideal teuto-judaico
de agir em público
como ´americanos` e
de confinar as expressões
do Judaismo ao ambiente
doméstico. Essa postura
evitou um envolvimento
visível ou ativo
dos judeus em assuntos
tipicamente judaicos que
chamariam a atenção,
numa sociedade propensa (ao
menos potencialmente) a
reações anti-semitas,
para sua identidade
étnica ou religiosa”.
Outras personagens
judaicas das tiras
de jornais apareceram
ocasionalmente nas HQs
da década de 1920
e do início da
década de 1930. Nenhum,
entretanto, alcançou a
longevidade ou a
fama de Abe Kabibble.
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