19 junho 2007

O amor segundo 19 filósofos (2)

Antonio Rosmini (o amor é a presença de Deus no mundo) informa que é do amor a Deus que brota o amor ao próximo, e é ainda este amor que constitui o fundamento de toda a ética. Segundo o filósofo alemão Ludwig Feuerbach (não amar a Deus para amar o homem), a divindade é uma invenção do ser humano. Uma vez reconhecendo o caráter alienante, ilusório e enganoso da fé religiosa, o amor, para ele, é uma realidade apenas natural.

Segundo o pensador dinamarquês Soeren Kierkegaard (o amor de Deus fundamenta e edifica o amor humano) existe o amor divino e amores humanos. Somente o amor de Deus e por deus eleva as relações interpessoais acima dos sentimentos puramente humanos para projetá-los na esfera da caridade verdadeira. No pensamento do bávaro Max Scheler (Deus é o fundamento do amor) o amor encontra a sua mais evidente justificação e garantia na presença amante de Deus, que escolheu, primeiro, justamente o amor para revelar-se aos seres humanos.

Na filosofia do austríaco Martin Buber (o amor reconhece o outro no diálogo) o amor consiste no diálogo entre Deus e o homem, dialoga entre o ser humano e o seu semelhante. No pensamento do filósofo Jacques Maritain (amor, amizade, caridade) o amor divino e o amor humano se implicam e se integram mutuamente. A filósofa e santa Edith Stein (o amor eleva à perfeição) doou-se a Deus por amor, amarrou-se a Cristo com um vínculo indissolúvel de amor, que a tornou, por sua vez, capaz de amar, dando-lhe a condição de viver uma autêntica e fecunda maternidade infantil baseado no amor e alimentada pelo amor.

Para o pensador parisiense Jean-Paul Sartre (o amor é conflito incurável), o amor é caracterizado por uma falta de autenticidade constitutiva, porque todas as relações humanas carecem, afinal, de autenticidade, e por isso são destinadas ao fracasso e à derrota. Já o pensador francês de origem lituana Emanuel Lévinas (o amor entre necessidade e solidão, alteridade e transcendência) faz referências ao amor fraterno universal e à solidariedade com o próximo como a duas realidades que torna possível a própria interioridade do sujeito. Assim o amor é situado como que no centro de um triângulo, cujas vértices são constituídas pelo rosto do outro, pela responsabilidade que cada indivíduo deve alimentar para com os próprios semelhantes e pela justiça que, em, certo sentido, torna efetiva o amor e a responsabilidade.

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