15 junho 2007

Música & Poesia

Infinito Particular (Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Carlinhos Brown)

Eis o melhor e o pior de mim

O meu termômetro, o meu quilate

Vem, cara, me retrate

Não é impossível

Eu não sou difícil de ler

Faça sua parte

Eu sou daqui, eu não sou de Marte

Vem, cara, me repara

Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim

Só não se perca ao entrar

No meu infinito particular

Em alguns instantes

Sou pequenina e também gigante

Vem, cara, se declara

O mundo é portátil

Pra quem não tem nada a esconder

Olha minha cara

É só mistério, não tem segredo

Vem cá, não tenha medo

A água é potável

Daqui você pode beber

Só não se perca ao entrar

No meu infinito particular.

Uma arte (Elizabeth Bishop. Tradução de Horácio Costa)


A arte de perder não tarda aprender;

tantas coisas parecem feitas com o molde

da perda que o perdê-las não traz desastre.

Perca algo a cada dia. Aceita o susto

de perder chaves, e a hora passada embalde.

A arte de perder não tarda aprender.

Pratica perder mais rápido mil coisas mais:

lugares, nomes, onde pensaste de férias

ir. Nenhuma perda trará desastre.


Perdi o relógio de minha mãe. A última,

ou a penúltima, de minhas casas queridas

foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder.


Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,

pior, alguns reinos que tive, dois rios, um

continente. Sinto sua falta, nenhum desastre.


- Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente

amado), mentir não posso. É evidente:

a arte de perder muito não tarda aprender,

embora a perda - escreva tudo! - lembre desastre.

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