
Não
admira – segundo o sociólogo – que por muito tempo os promotores
da solução eleitoral para o dilema de assegurar os direitos de
segurança pessoal mediante o exercício dos direitos políticos
“desejassem limitar o sufrágio segundo a renda e a escolaridade”.
Por mais de um século após a invenção e a aceitação do projeto
de representação política, a extensão do sufrágio a todas as
pessoas, e não apenas às “de posse”, foi rechaçada com unhas e
dentes pelos promotores e advogados desse projeto.
Sem
direitos sociais para todos, um grande – e provavelmente crescente
– número de pessoas irá considerar seus direitos políticos
inúteis e indignos de atenção. Os dois tipos de direitos
(políticos e sociais) precisam um do outro para sobreviver, e essa
sobrevivência só pode ser sua realização conjunta. Mas há dois
mundos segregados e separados. As pessoas da camada superior não
pertencem ao lugar que habitam, pois suas preocupações estão em
outro lugar. Além de ficarem sozinhos e livres para se dedicarem
totalmente a seus passatempos e terem os serviços indispensáveis a
seu conforto diário assegurados, eles não têm outros interesses
investidos na cidade em que se localizam suas residência. A
população da cidade não é sua área de pastagem, a fonte de sua
riqueza e, portanto, também uma ala sob sua guarda, cuidado e
responsabilidade, como costumava ser para as elites urbanas de
outrora, os donas de fabricas ou os mercadores de bens de consumo e
de idéias.
Já o
mundo em que vive a outra camada de moradores da cidade, a camada
inferior, é o exato oposto da primeira. Caracteriza-se por ter sido
cortado da rede mundial de comunicação à qual as pessoas da camada
superior estão conectadas e à qual estão sintonizadas suas vidas.
Os cidadãos urbanos da camada inferior são condenados a
permanecerem nos locais e, portanto, se pode e deve esperar que suas
atenções e preocupações, juntamente com seus descontentamentos,
sonhos e esperanças, se concentrem nos “assuntos locais”. Para
eles, é dentro da cidade que habitam, que a batalha pela
sobrevivência, e por um lugar decente no mundo, é lançada, travada
e por vezes vencida, mas na maioria das vezes perdida.

A
incerteza do futuro, a fragilidade da posição social e a
insegurança existencial (circunstância da vida no mundo
líquido-moderno) tendem a se concentrar nos alvos mais próximos e a
se canalizar para as preocupações com a proteção pessoal. São os
tipos de preocupações que, por sua vez, se transformam em impulsos
segregacionistas/exclusivistas, conduzindo a guerras no espaço
urbano. O propósito dos espaços interditados é dividir, segregar e
excluir – não construir pontes, passagens acessíveis e locais de
encontro, facilitar a comunicação e agregar de outras formas os
moradores da cidade.
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