
Assim,
num planeta aberto à livre circulação de capital e mercadorias, o
que acontece em determinado lugar tem um peso sobre a forma como as
pessoas de todos os lugares vivem, esperam ou supõem viver. Nada
pode verdadeiramente ser, ou permanecer por muito tempo, indiferente
a qualquer outra coisa: intocado e intocável. A quebra de
fronteiras, chamada de globalização, tornou as sociedades abertas,
seja material ou intelectual. Resultado: toda injúria, privação
relativa ou indolência planejada em qualquer lugar é coroada pelo
insulto da injustiça: o sentimento de que o mal foi feito, um mal
que exige ser reparado, mas que, em primeiro lugar, obriga as vítimas
a vingarem seus infortúnios...
Trata-se
de uma sociedade impotente, em decidir o próprio curso com algum
grau de certeza e em proteger o itinerário escolhido, uma vez
selecionado. Essa globalização seletiva do comércio e do capital,
da vigilância e da informação, da violência e das armas, do crime
e do terrorismo. Todos unânimes em seu desdém pelo princípio da
soberania territorial e em sua falta de respeito a qualquer fronteira
entre Estados. Uma sociedade “aberta” é uma sociedade exposta
aos golpes do “destino”. A perversa abertura das sociedades
imposta pela globalização negativa é por si só a causa principal
da injustiça e, desse modo, indiretamente, do conflito e da
violência.
“Mercados
sem fronteiras” é uma receita para a injustiça e para a nova
ordem mundial. A política passa a ser um continuação da guerra por
outros meios, basta observar as ações do governo dos Estados Unidos
e seus “satélites mal disfarçados” de instituições
internacionais como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional
e a Organização Mundial do Comércio que geraram o nacionalismo, o
fanatismo religioso, o fascismo e o terrorismo nessa globalização
liberal. Daí outra advertência da sabedoria antiga: quando as armas
falam, as leis silenciam. E não foi o sentimento de segurança a
única baixa colateral da guerra. As liberdades individuais e a
democracia logo compartilharam a mesma sorte. O medo agora se
estabeleceu, saturando nossas rotinas cotidianas.

A
sociedade não é mais protegida pelo Estado, ou pelo menos é pouco
provável que confie na proteção oferecida por este. O que resta de
força e de política a cargo do Estado e seus órgãos se reduz
gradualmente a um volume suficiente para guarnecer pouco mais que uma
grande delegacia de polícia. O Estado reduzido dificilmente poderia
conseguir ser mis eu um Estado da proteção pessoal. Num planeta
negativamente globalizado, todos os principais problemas são globais
e, sendo assim, não admitem soluções locais. A insegurança do
presente e a incerteza do futuro produzem e alimentam o medo. Essa
insegurança e incerteza nascem de um sentimento de impotência.
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