16 maio 2013

Vale do Capão, em Palmeiras, é o diamante misterioso da Chapada


A Vila do Caeté – Açú mais conhecido como Vale do Capão, único distrito do município de Palmeiras, 470km de Salvador é um dos principais redutos de turismo ecológico do Brasil com visitas de aventureiros de todo o mundo. O Vale, juntamente com os municípios de Lençóis, Andaraí e Mucugê faz parte do chamado ciclo de diamante da Chapada Diamantina. Situado no Parque Nacional da Chapada, os aventureiros que por lá passam precisam de predisposição para enfrentar 1.000 metros de altitude entre as Serras do Candombá, Larguinha e Morro Branco.

Mas predisposição é o que não falta para os turistas. Com diversas trilhas que cortam a mata Atlântica proeminente no parque, os passeios ecológicos reúnem grupos que depois de uma boa e longa caminhada são recompensados com banhos de cachoeira e vistas deslumbrantes. Para os exotéricos, um outro atrativo do local é a energia misteriosa responsável por segurar muitas pessoas que deixaram de ser turistas para se tornar morador local. Tiago Ferreira (22), técnico em equipamentos de laboratório largou o emprego em Salvador e
resolveu ir morar no Capão. “Estou indo morar lá porque é o momento certo. Me bateu uma energia muito forte da natureza e eu tô indo pra lá passar uma fase. Vou morar na comunidade de Campina que se auto sustenta. Não sei quando vou voltar”. Tiago estava arrumando as malas quando parou alguns minutos para dar esta entrevista. “eu estou indo hoje, daqui a pouco. Quero sentir a energia de lá como morador e não como turista”, garante o técnico.

Essa energia misteriosa que atrai tantos visitantes é a principal responsável pelo surgimento de diversas comunidades alternativas que apareceram no Capão e nas regiões próximas desde 1970. Atualmente essas comunidades vivem do auto-sustento, e das práticas como artesanato, agricultura orgânica, cultura de ervas medicinais e aromáticas.

RECEITAS - Conhecer a culinária local é uma das principais atividades de um bom turista que se preze. E no Capão a história não é diferente. Quem por lá já passou, espalha pelo famoso boca-a-boca os principais restaurantes da localidade e os mais variados pratos da terra. Mas nada de muito requinte e/ou sofisticação no espaço. O clima alternativo é o que comanda os restaurantes e o que chama atenção nos pratos típicos são as misturas de temperos com os ingredientes locais. Um exemplo dessa mistura excêntrica é o pastel frito ou assado de, pasmem, jaca com palmito. Mas sem cara feia para experimentar. O turista Renan Ivo Ferreira (19), estudante de mecatrônica garante que é saboroso. “A primeira vez que experimentei foi quando eu estava voltando de uma trilha no Vale do Pati e lá vendia os pastéis. Quando eu soube do que era feito, fiquei curioso, porque é um picadinho. Você nem vê a jaca. Eu experimentei e adorei. Todas as vezes que vou, sempre como alguns”, garante Renan.

Outras opções de combinação saborosa e singular são os pratos típicos oriundos das épocas dos antigos garimpeiros. Um exemplo é o cortado de palma (cacto) com carne-de- sol e o cortado de mamão verde. Para quem não tem um paladar ousado, as sugestões são o pirão de maxixe com carne-de-sol e a moqueca de tucunaré. Para sobremesa, o assunto é o doce caseiro de buriti feito com leite puro e açúcar.

Morros, picos de montanhas, queda d'água e riachos. Atrativos que levam diversos turistas a se aventurarem pelas trilhas da Chapada. No Capão, as trilhas mais realizadas são a Cachoeira da Fumaça com 380 metros de queda livre e uma vislumbrante paisagem e o Morro do Pai Inácio. Conta a lenda que no tempo dos escravos, o local era reservado para encontros amorosos proibidos, é nesse ponto que fica o poço encantado, que emociona pela beleza e mistério. Tem ainda o Morrão (também conhecido como Monte Tabor), os Gerias do Vieira, o Morro Branco e o Vale do Pati. O vale onde está cortado por um rio que lhe dá nome, Capão, oferece várias opções de mergulho.

HISTÓRIA - Em 1815, Francisco José da Rocha Medrado poderoso senhor de terras e escravos formou uma grande fazenda de Café e deu a ela o nome de Palmeiras. Com a descoberta de garimpos de diamantes e carbonatos na região a Fazenda Palmeiras foi crescendo, passando a abrigar um arraial com casas de garimpeiros. Posteriormente, povoados foram surgindo ao lado da fazenda, como é o caso dos povoados de Serra Negra, Tijuco, Lajedinho e Lavrinha. Em 1890 se eleva a condição de vila e em dezembro de 1930 chega a condição de cidade, com o nome simplificado para Palmeiras.

No início da década de 50 a mineração entrou em declínio e a economia local sofreu fortes modificações. O produto a ser extraído da localidade passa a ser o cristal. No final da década de 70 a cidade passou a ser encontro de pessoas alternativas vinda do Brasil como do Exterior. Atualmente é um dos principais pontos de ecoturismo na Bahia, chegando a receber 2,5 mil turistas em alta estação ou feriados prolongados.
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