02 abril 2012

Personagens com identidade brasileira nos quadrinhos (11)

Luis Augusto começou a publica suas tiras diárias Fala Menino a partir de 1996 no jornal A Tarde. Ao colocar luz sobre a infância e juventude da garotada, Luis Augusto desmistifica e dá dignidade ao personagem. Em termos de inclusão e exclusão, Augusto mostra como as crianças ouvem o som do mundo, sente os perfumes, o calor do toque, do abraço amigo e sugere a inclusão, onde todos se tratam de igual para igual. Se seus personagens possuem limitação visual e/ou auditiva, são crianças felizes e com capacidade de sentir o mundo. O objetivo é falar sobre diferenças e deficiências. As crianças não nascem com preconceito, mas vão adquirindo no decorrer da vida, então o artista trabalhar na infância para ter uma sociedade melhor.


A tira de quadrinhos Fala Menino, do ilustrador Luís Augusto, discute o relacionamento do mundo adulto com a infância apresentando a diversidade do universo infantil e contribuindo para que a criança tenha voz atuante na sociedade. É uma das mais premiadas. A turma do Fala Menino é formada por 26 amigos. Alguns chamam a atenção pelas características quase nunca presentes em histórias em quadrinhos como Rafael que é deficiente visual, Bruninho com síndrome de Down, e Caio, um cadeirante. A maneira de tratar temas tão delicados funciona como um alerta para pais, educadores e adultos de uma maneira geral aprenderem a lidar com assuntos que fazem parte da vida de qualquer criança. As histórias que Lucas nos conta são sobre o relacionamento do mundo adulto com a infância. Ele nos fala de diferenças físicas ou sociais, de superação de limites, de inclusão, de responsabilidade social com a naturalidade das lições que apenas a infância sabe dar.


Em 1998 o quadrinhista Antonio Cedraz vem publicando no jornal A Tarde as tiras A Turma do Xaxado. Trata-se de um mergulho sobre as lendas e sobre a dura realidade do sertão, sem descuidar da crítica social. Xaxado agrada igualmente a criança e o adulto. Diverte, ensina e chama à reflexão.

Da simplicidade do traço à criatividade da narrativa, Xaxado retrata a vida rural com todas as suas lendas e mistérios. São aventuras de um garoto, neto de um famoso cangaceiro que vivia com o bando de Lampião, às voltas com problemas do dia a dia, junto com seus pais e amigos. A Turma do Xaxado reúne personagens tipicamente brasileiros e já recebeu diversos prêmios. Todo o trabalho tem um bom acabamento visual das personagens, com precisão no traço e originalidade temática. Através de um enredo fluente, falando de um cotidiano em que se misturam o real e o simbólico, o objetivo e o subjetivo, o autor constrói uma atmosfera da qual é difícil ficar alheio. Através de Xaxado penetramos no universo gráfico de Cedraz, o imaginário infantil cria asas e viaja na mente de todos nós.


Em 2003, a Coleção Cabeça Oca, do goiano Christie Queiroz foi lançada. A série de tiras do personagem impulsionou novas publicações do setor como Ozzy, de Angeli. Entre 2003 e 2005, Marcelo Cassaro, lança pela, Mythos Dungeon Crawler, desenhada por Daniel HDR e republicações de Holy Avenger, sob o título de Holy Avenger Reloaded. Os Guerreiros da Tempestade formam um grupo de super-heróis brasileiros criados por Anísio Serrazul e começaram a ser publicados pela ND Comics no início de 2005. Tendo como diretor comercial o também roteirista Fábio Azevedo, o título segue a linha estética dos comics americanos.


Em 2008, a Turma da Mônica ganha uma versão adolescente em estilo mangá: Turma da Mônica Jovem pela Panini Comics. Maurício de Souza está sempre em sintonia com seu público. Desde que lançou a personagem Tina que ele tinha vontade de dialogar mais com o público adolescente. Com a Turma da Mônica Jovem, ele apresenta a turma oito anos mais velha. Cada personagem passou por transformações individuais.


Mônica não é mais baixinha ou gorducha, mas continua líder da turma e dentucinha. Uma romântica incorrigível. E aposentou o vestidinho vermelho. Magali preocupa-se com a qualidade da sua alimentação, adora gatos e pratica esportes. Cascão usa brinco na orelha, toma banho “de vez em quando”, pratica esporte, sendo o skate um dos seus preferidos, junto com a moda street que ele adotou. Cebolinha virou um rapaz moderno, com óculos e cabelo estilosos, após fazer um tratamento com uma fonoaudióloga, não troca mais as letras e prefere ser chamado de Cebola.


O destaque dos desenhos é outra mudança da nova publicação. Mais próximos dos mangas (história em quadrinhos japonês), as histórias são cheias de ação, magia, aventura e humor com pitadas de romance. Hoje em dia, do ponto de vista das grandes tiragens há predominância das histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, que fazem sucesso em outros lugares do planeta, mas conta-se com uma nova geração de quadrinistas, muitos que se projetam no cenário internacional.


A Turma do Arrepio foi criada por César Sandoval, lançada em 1989 e publicada pela Editora Globo até 1993. Ao todo, a coleção possui quarenta e três revistinhas e um almanaque. Em 1995, a Rede Manchete exibiu um seriado de 45 minutos, às 17h, baseado nos quadrinhos da Turma do Arrepio, o seriado teve dois elencos diferentes. Em 2009, A Turma do Arrepio voltou a ser editada, desta vez pela editora As Américas. Personagens principais: Medeia (bruxinha atrapalhada com suas magias), Tuty, a múmia( tinha mania de consertar tudo com esparadrapos, e mania de limpeza, pois tinha alergia a pó), Stein, pequeno Frankenstein (inventor da turma, sempre às voltas com novos equipamentos e fórmulas malucas), Draky, vampiro (intelectual), Luby, lobisomem (vivia sendo confundido com um cachorro), Belfedo, o morcego (adorava pregar peças em todos), e Epitáfio, o zumbi (porteiro do prédio).


Flávio Luiz fez charge e ilustrações para o Correio da Bahia, Bahia Hoje, publicou a revista Jayne Mastodonte (uma aventureira musculosa), tiras (Rota 66, sobre um cacto e uma caveira de bisão em algum lugar da estrada mais americana, e Job um lutador, um cão dálmata, atrapalhado com seus próprios limites, que ele busca a todo custo vencer, se envolvendo nas mais variadas modalidades esportivas), e tem um álbum Au da Bahia, o capoeirista lançado em 2008. Aú o capoeirista teve suas duas mil cópias lançadas em Salvador, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo. A edição de luxo, em capa dura, contou com o apoio de um mecenas baiano que o patrocinou através da Lei Rouanet. Batizado como o movimento da capoeira, Aú vai conquistar um público leitor carente de personagem baiano. Com desenhos cheios de movimento (traço limpo e dinâmico), diagramação elaborada, trama cativante, Aú tem tudo para agradar baianos, romanos, gregos e americanos, mas o espírito baiano está ali, centrado nos personagens, no ambiente. Flávio canta sua aldeia e mostra ao mundo.



Exposição de Humor Gráfico


Continua aberta a visitação pública até domingo, dia 08, a exposição de Humor Gráfico no foyer do TCA. Com seleção das obras a cargo de Nivaldo Lariú, a mostra consta de trabalhos dos artistas Café, Caó, Cau Gomez, Cedraz, Flávio Luiz, Hector, Hoisel, Lage, Mineu, Setúbal, Simanca, Valtério, Wilton Bernardo e instalação de Tuti Minervino. Vale a pena conferir. Salvador está precisando dessas doses de bom humor. Excelente mostra!



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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

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