23 março 2012

Personagens com identidade brasileira nos quadrinhos (5)

Em 1960 foi vencida a resistência dos editores e surgiu uma revista em quadrinhos com personagens e temas brasileiros. Foi O Pererê com texto e ilustrações de Ziraldo (mesmo autor de O Menino Maluquinho). O personagem principal era um saci e não raro suas aventuras tinham um fundo ecológico ou educacional. Mais do que quadrinhos para criança, Ziraldo publica uma profunda reflexão (sob o crivo do populismo) sobre o Brasil da época, entre 1960 e 1964, quando a revista acaba. A Turma do Pererê se tornou o marco do quadrinho nacional. Conta as travessuras de um grupo de amigos na Mata do Fundão. Pererê, um menino negro inspirado na figura folclórica do Saci,e seus amigos; o índio Tininim, o macaco Alan, a onça Galileu, o jabuti Moacir, o tatu Pedro, o coelho Geraldinho, a coruja General Nogueira, a Boneca-de-Piche, a mãe Docelina vivenciam situações que estão no cotidiano das crianças, mas difíceis de tratar tanto na escola quanto em casa. Entre os assuntos abordados com naturalidade por Ziraldo estão saúde, ética, pluralidade cultural, preservação da natureza e drogas.


Durante 43 números e 182 histórias, a alegre fauna ziraldiana representou no microcosmo da Fazenda do Fundão o clima de euforia nacionalista então vigente no país. Pererê, conforme observou o quadrinhólogo Moacy Cirne, entrou sorrateiramente para a história como um acontecimento tão importante quanto os filmes do Cinema Novo, o Centro Popular de Cultura, o movimento dos poetas Concretos e a Bossa Nova. Em 1975 a série voltou através da Editora Abril.


Um grupo de desenhistas brasileiros – entre eles Jayme Cortez, Julio Shimamoto, Flávio Colin se reuniu em 1961 disposto a defender o quadrinho nacional, acabando de vez com o imperialismo norte americano. Com manifesto, acusaram as editoras que só publicavam histórias estrangeiras, transmitindo assim uma realidade alienígena. As editoras boicotaram o movimento. Para se defenderem, as quatro editoras (Ebal, Rio Gráfica, Abril e O Cruzeiro) criaram uma cópia do Comics Code norte americano, que chamaram de Código de ética. Esse Código garantia que as histórias, apesar de estrangeira, não eram nocivas à formação dos jovens leitores. Nocivas eram – segundo eles – as histórias de terror publicadas pelas editoras paulistas (La Selva, Outubro), que não se submeteram ao Código.


A lei que regulamentava a publicação de histórias nacionais chegou a ser decretada, mas nunca cumprida. Com a renúncia de Jânio Quadros, os planos de nacionalizar os quadrinhos foram por água abaixo. Os processos foram arquivados e as editoras não precisavam mais de se apoiar no Código de Éticas para se manter de pé, e por isso chegaram até a abandoná-lo de vez. O mercado de trabalho foi drasticamente cortado: as editoras pequenas fecharam as portas, e as grandes se recuravam a fornecer trabalho aos desenhistas que estavam ligados ao movimento. Eles então fundaram uma cooperativa no Rio Grande do Sul, a CETPA (Cooperativa Editora de Trabalho de Porto Alegre) que só publicava histórias sobre temas nacionais, mas que acabou pouco tempo depois. A conturbada situação política da época, acabou aniquilando completamente o movimento.


Em 1962, Leonel Brizola (RS) declarou proibida a entrada de quadrinhos estrangeiros nesse estado e, às bancas, só chegavam produtos nacionais. A medida provocou uma avalancha de desenhistas às terras gaúchas. Mas faltava divulgação e estrutura para distribuição dessas novas publicações.


Com as dificuldades cada vez maiores para sobreviver nos moldes do modelo americano, a solução foi partir para o quadrinho cartunístico. Usando esse recurso, nascem os quadrinhos de traços nervosos, mas profundamente críticos como Os Fradinhos (1964), de Henfil, Dr Macarra (1962) de Carlos Estevão, Os Chopinik´s, de Jaguar, O Pato, de Ciça e o alternativo O Pasquim.


No dia 26 de junho de 1969 chegou às bancas o semanário O Pasquim que se tornara a mais importante publicação de humor nos 20 anos do Regime Militar. No início foi um jornal de costumes. O semanário foi um reduto de humor que surgiu para revolucionar a imprensa e o humorismo brasileiro. O cartunista Henfil continuou com a tradição da "tira" com seus personagens contestadores Graúna e Os Fradinhos.

Nildão lança novo livro no Rio Vermelho

O cartunista e designer Nildão promove big festa para lançar "Alegria Passa-e-Fica"", seu décimo quinto livro. Será dia 29 de março, quinta-feira, a partir das 21 horas no Bar Santa Maria, próximo a Dinha, no Rio Vermelho. A animação fica por conta de DJ Roger N' Roll & Dj Rafabela e o ingresso custa 30 reais e dá direito a um exemplar do livro.


O novo trabalho em formato compacto e de capa dura possui uma abordagem inusitada sobre as cidades brasileiras. Já na apresentação o autor nos dá pistas sobre a criação desse novo livro: "descobri o mapa da mina quando avistei as 5.565 cidades brasileiras. Uau! Garimpei nomes, comparei sotaques, avancei fronteiras na busca frenética da cartografia poética do meu eu Interior."


"Alegria Passa-e-Fica" faz um contraponto bem humorado com os nomes de 316 cidades brasileira. A brincadeira já começa no jogo de palavras do titulo da obra: Alegria fica no Rio Grande do Sul e Passa-e-Fica situa-se no Rio Grande do Norte. Sem acrescentar uma palavra sequer e se valendo apenas dos nomes originais das cidades Nildão criou um vasto e instigante mosaico brasileiro


Link da animação:

http://www.youtube.com/watch?v=6Gu9QjisSi8&feature=youtu.be

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

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