21 março 2012

Personagens com identidade brasileira nos quadrinhos (3)

Em O Tico-Tico foi publicada também a série O Talento de Juquinha, do carioca José Carlos de Brito e Cunha, mais conhecido por J. Carlos, considerado um dos maiores nomes dos quadrinhos e do humor gráfico brasileiros. Ele esteve à frente da revista desde o início e foi um de seus maiores ilustradores, criando ainda os personagens Jujuba e seu pai, Carrapicho e a negrinha Lamparina, que é considerada sua maior criação nas HQs.


Max Yantok publicou a partir de 1910 Kaximbown, tornando-se um de nossos principais caricaturistas. O personagem era um grã-fino metido a intelectual e aventureiro que portava seu inseparável cachimbo. Na companhia de Pipoca, seu criado, fazia viagens de aventuras e descobertas por lugares míticos como a Pandegolândia. Yantok criaria ainda vários tipos cômicos, como o Barão de Rapapé, o palhaço Tony Malasorte, Pandareco e Chico Preguiça, demonstrando fôlego e criatividade.


Em 1911, Alfredo Storni criou o casal Zé Macaco e Faustina, dois anos antes do surgimento da famosa dupla Pafúncio e Marocas (Bringing up Father, no original), do norte-americano George McManus. Zé Macaco e Faustina eram um casal marcado pela feiura e pela idiotice, que se esforçava para aparentar boa educação, inteligência e por estar na moda. Alfredo Storni apresentou também As Mentiras de Manduca.


Mas, sem dúvida, um dos grandes destaques da revista foi a série Réco-Réco, Bolão e Azeitona, obra imortal de Luiz Sá, com seu inconfundível traço sinuoso. Criados em 1931, Reco-Reco, Bolão e Azeitona, eram três garotos trapalhões que apareciam em O Tico-Tico. Bolão ficou tão popular que, em 1961, virou uma série de figurinhas do chiclete Ping-Pong. O cearense Luiz Sá estreou na edição 1331, em 8 de abril de 1931, colaborando com a publicação por três décadas. O talentoso artista destacou-se pela originalidade de seu traço e pela graciosidade de suas criaturas. Além de publicar inúmeras ilustrações e desenhar capas para O Tico-Tico, criou outros personagens, como o papagaio Faísca, o detetive Pinga-Fogo e a negrinha Maria Fumaça.

O Tico-Tico resistiu até fevereiro de 1962. As edições semanais foram dando espaço às mensais e depois bimestrais, aos almanaques e especiais dirigidos a pais e professores, até que, finalmente, com a marca excepcional de 2097 edições e quase 57 anos de existência, encerrou uma saga ainda não igualada pela revistas infantis nacionais.


Durante o governo de Juscelino Kubitscheck (1956/1961) foram livres os sindicatos, as manifestações artísticas e científicas - apareceram a música de protesto, o Cinema Novo, a Bossa Nova. Foi livre a imprensa. É nesse período que tem início a quadrinização de artistas populares como Arrelia e Pimentinha, Mazaropi, Oscarito e Grande Otelo, Carequinha e Fred. É o surto de nacionalização. Ziraldo lança na O Cruzeiro o seu Pererê. Moyses Weltman cria Jerônimo, o herói do sertão. Álvaro Aguiar cria O Anjo. Mauricio de Sousa cria Bidu e Cebolinha. O quadrinho brasileiro começa a tomar fôlego. Apesar do pequeno surto de nossos quadrinhos, Juscelino foi também um aliado fraterno das multinacionais.


Em São Paulo, no ano de 1925, através do desenho de Belmonte, concebido especialmente para figurarem na Folha da Noite, nascia um dos mais populares personagens daquele cotidiano, o José da Silva Pato – vulgo Juca Pato -, talvez “o primeiro personagem essencialmente urbano na caricatura brasileira”.Assim nas décadas de 1930 e 1940 Juca Pato e foi um dos personagens mais populares do dia a dia dos paulistanos. Careca, “de tanto levar na cabeça”, adotava o lema conformista “podia ser pior”, virou bordão na cidade de São Paulo e atravessou fronteiras. Hoje Juca Pato é nome de prêmio literário, conferido anualmente pela União brasileira de Escritores ao intelectual do ano.


Carlos Estêvão de Souza entrou para os Diários Associados (Diário da Noite) em 1948, onde passou a trabalhar com Vão Gôgo (Millôr Fernandes) na tira Ignorabus, o contador de histórias. O trabalho era totalmente diferente das tiras convencionais da época, brincando com os recursos da metalinguagem e do non-sense.


Além de Ignorabus, Carlos Estêvão criou outro personagem: Dr. Macarra era tipo de mandrião sempre a contar vantagens em situações que lembram o já citado quadro "As aparências enganam". Em geral, seu tema são as memórias do Dr. Macarra, versão livre narrada por ele mesmo a uma interlocutora embevecida. Um exemplo é a série Dr. Macarra em Cuba. Num dos quadros ele se gaba de que em Cuba servia de exemplo à juventude. No quadro seguinte, em flash back, ele está caído numa calçada, completamente bêbado, enquanto uma mãe o mostra ao filho: Myra, hijo, los hombres que beben tequilla acaban así, cahidos en las calles. Dr. Macarra chegou a ter uma revista própria que, como toda revista do gênero no Brasil, teve vida curta. Durante o ano de 1962, foram lançados nove números da Dr. Macarra.

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