17 outubro 2017

Bule-Bule comemora 50 anos de carreira (02)

Antônio Ribeiro da Conceição, nome artístico Bule Bule, nasceu no dia 22 de outubro de 1947 no município de Antonio Cardoso. Músico, escritor, compositor, poeta, cordelista, repentista, ator e cantador, ao longo de sua carreira gravou diversos CDs (Cantadores da Terra do Sol, Série Grandes Repentistas do Nordeste, A Fome e a Vontade de Comer, Só Não Deixei de Sambar, Repente não tem Fronteiras e Licutixo), quatro livros editados (Bule Bule em Quatro Estações, Gotas de Sentimento, Um Punhado de Cultura Popular, Só Não Deixei de Sambar), mais de 80 cordéis escritos, participação em vários seminários como palestrante, várias peças teatrais e publicitárias, agraciado pelo Prêmio Colunista, além de milhares de apresentações durante a sua carreira.

Atualmente ele é diretor da Associação Baiana de Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia e da Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel. Recentemente foi premiado com o Prêmio Hangar de Música no Rio Grande do Norte junto com Margareth Menezes e Ivete Sangalo.


Bule Bule, o cantador do samba rural baiano
Ele fez sua carreira de cantador e sambador circulando pelo interior da Bahia e diversos estados do Nordeste e do Brasil como artista popular e regional. Mesmo com toda essa globalização e tecnologia a arte dessa gente simples não foi totalmente esquecida. Existe a voz dos cantadores e sambadores da zona rural, esquecidos e pouco valorizados, mas prontos para contar e cantar seus casos e causos. Taí Bule Bule, uma lição de vida, de poesia e melodia. Ele semeia sabedoria, uma voz do povo que continua firme.

Bule Bule é músico, escritor, compositor, repentista, poeta, cordelista, ator e cantador.


CORDELIZANDO A CANÇÃO - Legítimo defensor de gêneros musicais nordestinos como chulas do sertão, cocos, martelos, agalopados, xote, marcha de serra e repentes, Bule Bule é escritor de cordéis em sua essência. Depois dos álbuns Licutixo, A fome e a vontade de comer e Simples como a Natureza, ele lançou Cordelizando a Canção com a participação especial de artistas consagrados. Desta vez o repentista baiano traz o show de gravação do seu segundo DVD.

Cordelizando a canção abre com “O Bicho Pega” onde ele não se intimida com cara feia, “me trate direito/não me falte com respeito/que o bicho pega”. Em “O Chifre Esquerdo do Carneiro Preto” ele ensina a ficar com o corpo fechado. “Baticum Danado” narra a saudade do sertanejo, de alma doida, pela partida do seu amor e, por isso, o baticum danado do coração. “De chão de piso batido, de barro de formigueiro, do lado um fogão de lenha para cozinhar buchado”, essa é a “Casinha de Palha” que conta com a participação de Gereba. “Em Defesa do Forró” ele cita Jackson do Pandeiro, Gonzajgão e Dominguinhos (participação de Quininho de Valente).

Ele cresceu sob a influência do samba rural do sertão e do Recôncavo, além dos repentes sertanejos. Seu pai, o tiraneiro Manoel Muniz, lhe ensinou as artes e traquejos da essência sertaneja que ele somou à vivência com os repentistas e seus versos de cordel.



Um pout pourri conta com a participação especial de Téo Guedes, Ellícia Magdaline e Eli Abel Franco cantando “A Máquina de Lavar Roupa/A Fome e a Vontade de Comer/Você Morena”. Com Raimundo Sodré ele canta “Não Brinque Comigo”: “Eu não quero mais/arengar com você/eu não quero mais/a garapa que vou lhe servir é amargosa/o machado que eu lhe arranjei está sem gume/o jardim que você cultiva não brota rosa/e toda a flor que vpcê for colher não tem perfume...”

“Chorando e Soluçando” e “Vai Vai”, de domínio público e improvisos reunem Bule Bule e Antonio Queiroz. A décima sexta composição, “No Pé de Serra/Estrela D´Alva”, também de domínio público e com improvisos conta com a participação de Dona Nildes e Grupo Espermacete.


A obra traz essa coletânea do trabalho musical do artista com a riqueza dos seus cordéis com a participação ativa de amigos. A arte de Bule Bule passa pelo lirismo mas não abandona a crítica construtiva às injustiças sociais. Sua carreira de cantador e sambador circula pelo interior da Bahia e diversos estados do Brasil como artista popular e regional.


Bule-Bule escreveu diversos cordéis de tom contemplativo existencial e, também, de cunho político. Durante o regime militar, fez diversos cordéis clamando por liberdade de justiça social. Até cordel de fundo ecológico ele confeccionou.

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