16 outubro 2017

Bule-Bule comemora 50 anos de carreira (01)

Um dos mais importantes artistas populares da Bahia celebra seus 50 anos de carreira,  além completar 70 anos de vida no próximo dia 22 de outubro.Para festejar, Bule Bule  volta aos palcos da Bahia para apresentar o show Antônio 70, Bule-Bule 50. No dia 22, canta na Cidade do Saber. No dia 28, se apresenta em Salvador, no Sesc Senac Pelourinho.

Ele é considerado um legítimo defensor de gêneros musicais nordestinos como das chulas do sertão, cocos, martelos, agalopados, xote, marche de pé-de-serra e repentes. Consegue unir o lado negro e mouro da cultura do sertão com alguns elementos da cultura do Recôncavo. Escritor de cordéis, Bule-Bule é sinônimo de celebração nordestina em alta voltagem, mas desplugado da tomada.


“Cordelista de primeira geração, escritor, poeta, repentista, compositor, Antônio Ribeiro da Conceição, o Mestre Bule Bule, parece ser muitos em um, tantos são os significados do seu trabalho. Talvez porque a essência de tudo o que faz seja mesmo a cultura tradicional do Brasil nordestino, com suas múltiplas faces, mil vezes redesenhadas com as tintas das necessidades e do senso de sobrevivência”, escreveu a gestora cultural Rosiane Oliveira na apresentação do livro Bule Bule Literatura de Cordel.

De chapéu e casaco de couro, Bule Bule se tornou um grande representante da cultura brasileira. Em suas mãos, a poesia vai entrando no tom e os acordes embalam a riqueza de um país rural.




A obra traz uma coletânea do trabalho literário do artista, com a riqueza dos seus cordéis, aliada as contribuições de alguns outros amigos escritores, estes conquistados ao longo dos seus 40 anos de carreira e de fortalecimento à cultura nordestina e brasileira. A arte de Bule-Bule passa pelo lirismo, mas não abandona a crítica construtiva às injustiças sociais e ao sistema deste Brasil tão bonito e cheio de contraste.

Tem a “Saudação a Bule Bule”, versos do poeta Klévisson Vieira por ocasião da posse do mestre na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, e seus cordéis: A Tragedia de Três Amante, O Encontro Sangrento de José Caso Sério com Manoel Qualquer Hora, Irmã Dulce da Bahia – Santa Mãe de todos nós, O Encontro da Aranha com o Reumatismo, O Tremendo Duelo de Quirino Beiçola com Tomaz Tribuzana, Peço pra não Acabar o Raso da Catarina, Judith mulher divina que salvou o marginal, Bimba espalhou capoeira nas praças do mundo inteiro, Chora o Nordeste com a morte de Rodolfo Cavalcante, Beleza de Bule Bule com Zé Maria de Fortaleza e Tancredo foi prestar contas no Tribunal de Jesus.



SAMBA RURAL - Bule-Bule cresceu sob a influência do samba rural do sertão e do Recôncavo, além dos repentes sertanejos. Ele não esconde a paixão pela figura do pai, o tiraneiro Manoel Muniz, que faleceu em 1996, aos 81 anos de idade. Por ele, que era sambador, lhe ensinou as artes e traquejos da essência sertaneja que ele somou à vivência com os repentistas e seus versos de cordel. Criado numa região que fica na entrada do sertão e próximo ao Recôncavo, Bule-Bule mergulhou no samba rural derivado da região sertaneja, mas com ligeira influência da chula do Recôncavo. Muitos dos camponeses da região de Bule-Bule vão cortar cana-de-açucar quando retornam com a influência da chula típica do Recôncavo, mais sincopada e menos “gritada” do que a chula rural sertaneja.

“Eu vou do coco de embolada com pandeiro, a vaquejada, a tirana, ao licutixo, a chula, ao repente, a literatura de cordel, eu mexo em todas essas áreas culturais, graças a Deus e faço com qualidade”

Escreveu diversos cordéis de tom contemplativo existencial e, também, de cunho político. Fez cordel clamando por liberdade de justiça social durante o regime militar. Cordel de fundo ecológico ele também produziu: “A alma de Lampião resolveu dar um passeio/ Mas achou o Raso feio, não quis nem pisar no chão/ Rezou uma oração sobrevoando a campina/ Apontou a carabina, somente pra ameaçar/ Peço pra não acabar o Raso da Catarina”.



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