20 outubro 2017

Brasil, revisão de uma história (2)

ESCRAVIDÃO - De início, a exploração das novas terras deu-se preferencialmente pela extração de pau-brasil. Com a expansão da presença portuguesa e o cultivo da cana de açúcar os primeiros colonos passaram a escravizar os indígenas para o trabalho agrícola. Por volta da segunda metade do século XVI, a dizimação das populações indígenas pelas doenças trazidas pelos europeus (gripe, varíola, sarampo) e pelos conflitos, aliada à dificuldade de adaptação dos indígenas ao trabalho escravo, levou os primeiros colonos à utilização de escravos negros. Do século XVI ao século XIX, estima-se que de 3 a 4 milhões de africanos foram trazidos ao Brasil.

A partir da segunda metade do século XVI, tornou-se marcante a presença dos jesuítas no trabalho de conversão dos indígenas ao catolicismo e fundando aldeias comunitárias similares às missões presentes na América espanhola. De modo geral, os primeiros colonos chegaram com ânimo de exploração, motivados pelas perspectivas de fazer fortuna com a extração das riquezas da terra. Esta circunstância deixou profundas marcas em nossa formação, por ser determinante na orientação das políticas coloniais da coroa portuguesa.


BANDEIRANTES - Filhos de portugueses com mulheres brasileiras, os bandeirantes descobriram terras que nenhum homem branco tinha visto. Durante 200 anos, entre os séculos 17 e 18, eles se embrenharam no mato para buscar índios, que capturavam para usar em suas próprias fazendas ou vender como escravos. Graças a eles, o Brasil ficou muito maior do que deveria ser, já que o Tratado de Tordesilhas, assinado entre Espanha e Portugal em 1494, dava aos portugueses só o nosso litoral. Os bandeirantes aumentaram o tamanho do nosso país, mas também provocaram um rombo de população. Cometeram o maior assassinato em massa do país. Mataram e prenderam tantos índios que o nosso interior ficou bem mais vazio.

Um dos primeiros bandeirantes da história, o português João Ramalho (século 16) fez amizade com a tribo dos tupiniquins, tinha várias esposas e uma multidão de filhos. Com o apoio do índios fundou a cidade de São Paulo. Mas sua aliança com os tibiriçás provocou a fim dos tupinambás. Surgiram outros bandeirantes que começaram a devastar o sul do Brasil. Antônio Raposo Tavares exterminou os índios guaranis que viviam pacificamente com os padres jesuítas (Missões).


Quando os guaranis ficaram raros, os bandeirantes foram para o Planalto Central dominar os guaicurus. No Nordeste os índios tapuias se rebelaram contra os donos dos engenhos de açúcar e o famoso Domingo Jorge Velho chegou para destruir. Anos depois, as operações de caça (conhecidas como bandeiras) ganharam uma nova motivação – procurar ouro. Com o extermínio dos índios, o Brasil passou a usar os escravos da África e os bandeirantes voltaram para suas terras, para viver como fazendeiros. (Para saber mais, leia: “A Guerra dos Bárbaros”, de Pedro Puntoni, Hucitec e “Negros da Terra – Índios e Bandeirantes nas Origens de São Paulo”, de John Manuel Monteiro, Cia das Letras).Brasil, revisão de uma história (II)


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