12 fevereiro 2016

Não chore por Gerhard Shnobble



A história de Gerhard Shnobble (The Story of Gerhard Shnobble) foi publicada por Will Eisner em05 de setembro de 1948. Trata-se de um conto de sete páginas que, com o tempo, se provaria a obra mais aclamada pelos críticos e mais republicada da série. 

A história tinha todas as marcas de Eisner – narrativa forte, personagem memoravel, experimentalismo formal, ângulos de câmara ousados e um final poderoso – e conseguiu fazer isso tendo Spirit apenas como presença incidental.

Na história, Gerhard Shnobble descobre aos oito a nos que sabe voar – desde que acredite que pode. Seus pais, por meio de repressão e surras, tiram seu ânimo de exibir seu poder a outros, e ele literalmente apaga aquilo da cabeça. 

Ele segue uma vida totalmente comum. Consegue ser promovido a vigia noturno de um banco. O banco é assaltado, e Shnobble é demitido, o que reforça sua sensação de isolamento e inutilidade. Totalmente derrotado, caminha pelas ruas de Nova York até que, no limite da depressão, ele se
lembra do seu poder.

Determinado a provar ao mundo que é realmente especial, ele sobe de elevador até o topo de um arranha céu, do qual propõe jogar-se e então planar sobre as pessoas na rua. Mas acaba se tornando a pessoa errada no lugar errado na hora errada: os ladrões do banco estão encurralados no telhado do mesmo prédio, e Spirit, chamado ao local para detê-los, acaba enfrentando-os assim que Shnobble pula do prédio e começa a voar. 

Mas é atingido por balas perdidas, e, em vez de fazer sucesso entre a multidão com seu voo, ele despenca no chão.mais uma vítima de um crime sem sentido.

Eisner deixa bem clara sua intenção no final de conclusão da história onde um narrador diz: “Mas não chore por Gerhard Shnobble. 

Melhor derramar uma lágrima por toda a espécie humana, pois nem uma só pessoa entre toda a multidão que viu seu corpo despencar soube, ou ao menos suspeitou, que naquele dia Gerhard Shnobble tinha voado”.

Apesar de toda a fantasia, essa fábula universal era profundamente pessoal para Eisner, fazendo-o voltar aos cortiços do Bronx, à necessidade (e incapacidade) de provar seu talento artístico, à falta de incentivo. 

Spirit foi um dos sintomas da superação estetica do conceito de super heroi tanto nos EUA como na Europa e na America Latina.

CONSTRUÇÃO - Toda vez que leio ou releio essa obra lembro de Construção, composição de Chico Buarque de 1971, o período dos exilados, pressões, torturas e morte. Mundo de “homens partidos”. Nessa obra pode-se decodificar não apenas o problema social do operário não qualificado, que se expõe à morte pela
precariedade das condições de segurança no trabalho, mas de uma sociedade desintegrada e mutiladora, que isola os individuos.

Trata-se de um dos textos mais rigorosamente “construídos” do compositores, de estrito rigor formal e apuro técnico. É uma das canções mais engajadas de Chico. Daria uma excelente história de quadrinhos. Atenção quadrinistas, mãos à obra.
 
MÁQUINA ZERO – Na Antologia Máquina Zero, projeto baião quereúne artistas nacionais e internacionais com obras autorais há uma historieta com roteiro de Lucas Pimenta e Carlos Kawahare e arte de Rafael Cordeiro, Pai, Herói?. 

No roteiro, um garoto conta a sua namorada o sofrimento de assistir a violência do pai contra sua mãe até que ocorre um incêndio na casa e ele vê o pai pegando fogo e voando pela janela. Isso ficou em sua cabeça como que seu pai fosse um super herói. 

Ao contar para a garota, ele resolve mostrá-la que também tem poderes e se joga do alto do edifício. O resultado? Só lendo...

A publicação traz trabalhos da França, Costa do Marfim, Italia, Portugal, Angola, Paraguai e Brasil.

Como no Brasil e em muitos outros países há uma acomodação de um mercado que teme investimento no novo, que reserva aos autores que ousam criar uma obra mais autoral e experimental, é de se parabenizar a iniciativa louvável e destemida de Lucas Pimenta e Marcello Fontana. 

É preciso que nossos governantes deixem um pouco de merchandising de lado e entre em ação de verdade para investir no grafismo baiano. Quase nunca se vê o que eles fazem para o desenvolvimento das artes gráficas na Bahia. O que é uma pena. Enquanto isso...a Bahia vai bem...na fita porque na realidade é esquisita!.

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