17 fevereiro 2016

Índio, português e africano na música brasileira (1)



Tambores, chocalho, flautas ou apitos foram alguns instrumentos que o indígena usava em seus rituais, além da prática de bater palmas ou os pés no chão, o que auxiliava nas danças.

Ao chegar à Bahia, em 1500 o colonizador português, principalmente os jesuítas com musica e instrumentos europeus, e os africanos, com seus tambores e o vibrante arsenal rítmico, seduziram os índios com as sofisticadas sonoridades. A mistura desses três raças e tradições (indígena, africana e europeia) foi formando a música brasileira. Os batuques e suas danças se misturavam nas horas de folga. As charangas dos escravos brasileiros eram requisitadas tanto para festas religiosas de rua e procissões como para festas profanas em que executavam lundus, fandangos, dobrados ou quadrilhas. Eram os sucessos até meados do século XIX.

O primeiro gênero musical vocal brasileiro foi a modinha. E se a modinha teve sua origem na Corte, o lundu era de origem popular, oriunda das populações negras. Era o primeiro gênero musical afro brasileiro. Sua dança compreende a umbigada, tipo de movimento de corpos que sugere libidinagem. Ele é a base do maxixe (virada do século XIX para o XX, misto de lundu com a música de salão europeia) é do samba.

Os primeiros ranchos carnavalescos chegam inspirados nas antigas procissões folclóricas religiosas dos ranchos dos reis nordestinos, formado por ex-escravos e filhos de escravos nordestinos. Nos desfiles de blocos de folião formam-se os entrudos onde as pessoas tinham o habito de atirar líquidos e pós nas outras, o que gerava certa violência e desequilíbrio.

Nos salões o sucesso era a polca, dança de pares entrelaçados, em tempo binário, leve e movimentada. Misturando a polca com o lundu e outros motivos ritmos brasileiros, surge o choro. Ele desenvolveu uma rica e virtuosística linguagem de improvisação instrumental, e pode ser considerada a primeira forma popular urbana desenvolvida. E de Pernambuco no final do século XIX surgiu o frevo, o ritmo quente que vem da polca marcha executada pelas bandas de forma cada vez mais vibrante e acelerada.

O conhecido tango brasileiro, maxixe, tornou-se independente na virada do século. Notabilizou-se pela forma exagerada do requebro de sua dança, a dois, considerada obscena à época.

O processo de gravação eletrônica chega ao Brasil com o artista de nascimento do samba: “Pelo Telefone” interpretado por Baiano. A partir dai surge diversos autores como Sinhô, Heitor dos Prazeres e Ismael Silva. Criam-se as primeiras escolas de samba e, como as primeiras favelas, o samba de morro.

Chega a era do rádio com grande programação musical destacando o samba canção que se transformava em um “bolerão brega”, na base de “ninguém me ama ninguém me quer”. Mas no final dos anos 1950 alguns que chegam cantando baixinho “chega de saudade” deu uma explosão silenciosa na nossa música com a bossa nova. Tipo de música de câmara popular, feita pelos jovens, era afirmativa, descontraída, com harmonias modernas e melodias mais elaboradas, estruturas ritmicas nova e mais sofisticadas. Por ser um movimento sofisticado, urbano, interpretado por artistas e personalidades de boa formação, a bossa nova provocou uma espécie de tomada de consciência cultural e político a partir da música popular.

Em meados dos anos 1960 uma segunda geração de rock tomava o mundo de assalto (Beatles e Rolling Stones) e logo surgiu a versão tupiniquim dessa tendência, apelidada de iê iê iê. Era o tempo da Jovem Guarda,. A era dos festivais. E dois baianos em 1967 lideravam em São Paulo um movimento que era uma resposta brasileira e efervescência mundial de ideias: Tropicalismo que interagia e explodia da música de vanguarda à de retaguarda, da fina à cafona, da discreta à comportamental, da intimista a social, do grito ao melódico, do som ao ruído, da poesia concreta à de Cuica de Santo Amaro, do samba ao rock, do canto ao toque.

Daí surgem Secos e Molhados, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, Valter Franco, João Bosco, Pepeu Gomes, Alceu Valença, Raul Seixas e muitos outros. As mulheres se destacaram também como Elis Regina, Gal Costa, Maysa, Angela Ro Ro entre outras. A vanguarda paulista deu músicos como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Premeditando o Breque, Rumo, Lingua de Trapo, Vania Bastos, Tetê Spíndola, Na Ozetti, Marlui Miranda entre outros.

Nos anos 1980, o meio musical de Salvador deu ao cenário brasileiro o samba reggae, cujas letras produzidas pelos blocos afro, o universo negro.

As duplas caipiras investiram na década de 1990 com cantores de grupos de pagodes. Mas também de artistas como Marisa Monte, Cassia Eller, Almir Sater, Chico Cesar etc.

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