
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Dantas concedeu habeas corpus a Dantas e outras pessoas por considerar que o fim da coleta de provas dispensava a prisão temporária deles. Dantas é preso novamente no dia seguinte, desta vez em caráter preventivo, por ordem do juiz federal Fausto De Sanctis. A justificativa era a acusação de que ele oferecera propina de US$ 1 milhão, por emissário, a um delegado de Polícia Federal (PF). O banqueiro volta à carceragem da PF. Mendes mandou soltar Dantas pela segunda vez, chamando a prisão preventiva de ”absurda” e “inaceitável”. Criou-se um embate jurídico.
Juízes e procuradores federais criticaram a decisão do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes de conceder liminar para suspender a decisão da prisão contra o banqueiro. O protesto foi de 42 procuradores da República e de 130 juízes federais. As instituições de classe saíram em defesa do juiz federal Fausto De Sanctis e divulgaram manifestos conta a intenção de Gilmar Mendes de investigar a conduta de De Sanctis.
O tal “Estado democrático de Direito” hoje está sendo usado a exaustão. Em 2000 o ministro do Supremo Marco Aurélio Mello disse que decidia “tecnicamente” e concedeu habeas corpus para o banqueiro Salvatore Cacciola. E deu no que deu: Cacciola voou para a Itália. Os personagens da Operação Satiagrahe têm currículos controversos, milionários e inimigos da opinião pública. Mas isso não está interessando ao ministro. Para ele o fundamental é cumprir a lei. Se a lei não é boa, dizem, muda-se a lei. O que está existindo é uma distância enorme entre as alegações jurídicas e o desejo sufocante da sociedade por justiça real, ética e igualdade. Se querem o Estado democrático de Direito esse tem que valer para todos – desde os que têm banco aos que dormem embaixo do banco.
O estranho é que Dantas se declarou “tranqüilo” e sorridente quanto ao Supremo Tribunal Federal, do qual nada temeria. Ele usou o recurso de suborno, mas a autoridade em questão botou a boca no trombone, fornecendo o motivo legal para a segunda prisão. Datas demonstrou confiança em relação ao Supremo e essa confiança que foi confirmada com o hábeas corpus. Mas o povo quer saber: Qual a razão de tanto zelo pelos “direitos individuais” do banqueiro? Será que o ministro Mendes deu foro privilegiado ao banqueiro? O que se nota é que réu de “colarinho branco”, ou seja, ricos e poderosos não são presos, pois contam não só com bons advogados, e, principalmente com a complacência do Poder Judiciário.
É desconcertante a desenvoltura com que um magistrado da nossa mais alta corte retorce a lei e a jurisprudência para acomodá-las aos interesses e ao poder de um suspeito. O problema maior das nossas leis é o sistema de sucessivos recursos e apreciações que muitos propõem encurtar, com a opinião que amplia a lerdeza judicial. Enquanto nosso Código de Processo Penal não sofrer profundas modificações, os bandidos poderão repetir em entrevistas que só temem a Polícia, porque a Justiça é cega às suas práticas criminosas.
O Ministro da Justiça, Tarso Genro, disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo (13/07/2008) considerar “muito difícil” para o banqueiro Daniel Dantas consiga provar ser “inocente”, pois há “farta prova dentro do processo” e “está praticamente comprovado” que tentou comprar um delegado da Polícia Federal, além da descoberta de crimes financeiros pela Operação Satiagrahe. Numa das gravações telefônicas, o assessor do banqueiro disse que o maior problema deles era com as instâncias inferiores da Justiça, porque no Supremo Tribunal Federal e no Supremo Tribunal de Justiça eles resolviam mais facilmente. Dá para acreditar???
Para o defensor público e coordenador no núcleo criminal da Defensoria Pública do Estado da Bahia, Raul Palmeira, a rapidez com que foi concedido habeas corpus em favor de Daniel Dantas causou surpresa não só a sociedade leiga no assunto, mas também à comunidade jurídica. Ele informou ao jornal A Tarde (11/07/2008) que os defensores públicos, responsáveis pela defesa em mais de 90% dos casos na Bahia, encontram dificuldades para colocarem em liberdade seus clientes, mesmo tomando todas as medidas judiciais. Questionado sobre o assunto, no mesmo jornal, o procurador-geral do Ministério Público da Bahia, Lidivaldo Britto, denunciou a postura discriminatória da Justiça brasileira: “Isso só reforça o estigma de que prisão é feita para pobre e analfabeto”.
4 comentários:
Grande texto Gutemberg!
Nessa lama toda que respinga por todos nós brasileiros, só fica um questionamento, será mesmo que os 3 poderes são independentes? Ou estão todos muito bem macumunados?
Meu caro amigo
Uma coisa tenho certeza, política é o fim da picada. Para mim é um atraso de vida. E o que está acontecendo é um atraso para toda os brasileiros. A violência que rodeia todos nós vem dessa política dos três podres poderes. Haja saco!!!
Gutemberg, sei que o comentário está meio fora de órbita, mas vá lá, talvez você goste de saber.
COLÓQUIO MILTON SANTOS.2
Vem aí a segunda edição do Colóquio Milton Santos, dia 25 de agosto em Salvador (Ba)
Tema geral: "O local e global no pensamento de Milton Santos:
Educação, Comunicação e Geografia Humana".
As inscrições para apresentação de trabalhos ou para ouvintes estarão
abertas, via internet, de 17 de julho a 22 de agosto/08. Aguarde
detalhes.
http://permanecermiltonsantos.blogspot.com/
Rebeca Bastos
Rebeca
Milton Santos é sempre uma referência importante no país, apesar da pouca visibilidade que a Bahia dá a ele. Vamos divulgar mais esse Colóquio, os palestrantes, os temas que serão abordados etc.
Um forte abraço
Gutemberg
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