21 outubro 2019

Tina: Respeito aborda assédio no trabalho


Criada em 1964 em tiras de jornal a hippie e baiana Tina era uma pré-adolescente que usava calças com boca de sino e um medalhão com o símbolo da paz. Em 1973 cresceu e se tornou adolescente. Em 1977 a cultura hippie não fazia mais parte da vida dos jovens da época, o que estava no auge era a Discoteca. Tina então passou a ser uma mulher de cerca de 18 anos, com traços muito femininos e com roupas da moda. Nos anos seguintes, ela continuou evoluindo em visual e personalidade, acompanhando as tendências jovens de cada época

Não é de se espantar que uma das personagens mais velha da Turma da Mônica trate de temas como assédio, aceitação e afirmação. Muito mais que uma simples HQ. Necessária, com um tema que precisa ser debatido e combatido. Sempre. Mas o texto e a arte mostram a força, a coragem da mulher, o absurdo de assédios ainda serem usuais e que isso é uma luta de todos. A 24º edição do selo Graphic MSP da Editora Panini lança agora Tina – Respeito. A obra aborda o assédio no ambiente de trabalho, problema enfrentado por muitas mulheres, e mostra como lidar com diversas situações delicadas que, muitas vezes, envolvem o poder hierárquico.

Na história cuja arte e roteiro são assinados pela catarinense Fefê Torquato, a personagem, agora uma jornalista recém-formada, passa por situações que mostram as diversas formas de assédio que uma mulher sofre ao longo do dia. O traço e a finalização em aquarela e lápis de cor usadas por Torquato têm movimento e leveza. A edição traz, na capa, um texto assinado pela vlogueira, escritora e jornalista, Jout Jout. Casos como o de Tina são reais e, geralmente, os assediadores não são denunciados por puro medo. O objetivo desta Graphic MSP é alertar e instruir jovens e adultos a respeito de situações em que se sintam constrangidos no ambiente de trabalho. Não se calar é a melhor forma de lutar contra o assédio.


Jornalista recém-formada, aos 22 anos, Tina finalmente realiza o sonho de trabalhar em uma redação. Em meio ao aprendizado constante, novas amizades e muito esforço para buscar o seu espaço, ela só não esperava que seu maior desafio fosse ser pessoal, e não profissional.

Assédio moral é uma realidade cada vez mais próxima e deve ser levado a sério, principalmente nas relações de trabalho, em que o poder diretivo do empregador, muitas vezes, é confundido com abuso de poder. Nenhum ser humano é obrigado a tolerar situações degradantes, principalmente por ter assegurada sua dignidade na Constituição Federal


Mulheres, por exemplo, maioria da população brasileira, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são minoria entre os brasileiros que trabalham (42,8%). E, quando chegam ao mercado de trabalho, voltam a representar o maior número, mas entre as vítimas de assédio, como aponta o relatório da Organização Internacional do Trabalho de 2018.

Moral e sexual são as duas formas com mais recorrências nesse tipo de violência. Apesar de algumas consequências comuns entre as duas, como a desestabilização da vítima em relação ao ambiente de trabalho, forçando a desistir do emprego e da sua produtividade



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