05 outubro 2011

O Paradoxo Amoroso, de Pascal Bruckner

Segundo o filósofo Pascal Bruckner, no ensaio O Paradoxo Amoroso (mesmo autor do romance Lua de Fel, filmado por Polanski), os amantes hoje sofrem de miséria causada pela saciedade e não pela falta. Ele nos instiga em seu ensaio sobre as metamorfoses da experiência amorosa. Em O Paradoxo Amoroso, ensaio sobre as metamorfoses da experiência amorosa, publicado este ano pela Editora Difel, “o amor não é nenhuma doença, ele é exatamente o que deve ser em cada instante, com seus abismos e seus esplendores”, diz Pascal Bruckner no epílogo de seu ensaio.

Como é que o amor, que nos prende, pode ser conciliável com a liberdade, que nos separa? É este o dilema do casal contemporâneo que anseia simultaneamente pela paixão e pela independência. Neste novo ensaio de Pascal Bruckner fala-nos, por meio das metamorfoses do casamento e do erotismo, sobre a resistência do sentimento a todas as tentativas de unificação.


O ensaísta francês no livro O Paradoxo Amoroso aborda temas como anseios e frustrações ligados às relações afetivas. “Na tragédia contemporânea, o amor é morto por ele mesmo, morrendo de sua própria vitória. É exercendo-se que ele se destrói, sua apoteose é seu declínio. Nossos romances nunca tiveram vida tão breve, nunca foram retomados tão depressa no leito da conjugalidade, uma vez que nada se opõe a seu florescimento. Miséria mais sorrateira do que qualquer outra, pois nasce da saciedade, e não da falta”, escreve Bruckner.


Antes, havia uma ordem cruel a ser combatida em nome do amor. Pense em Romeu e Julieta, de Shakespeare, em que os jovens apaixonados vindos de famílias rivais preferem morrer a ter de se separar. Hoje, o que se combate parece ser o tédio e as tentações. A sociedade atual, individualista até a alma, estaria “dividida entre o ideal de fidelidade e o apetite de liberdade”, segundo Bruckner.


Ele nos instiga em seu ensaio sobre as metamorfoses da experiência amorosa. Como é que o amor, que nos prende, pode ser conciliável com a liberdade, que nos separa? É este o dilema do casal contemporâneo que anseia simultaneamente pela paixão e pela independência. Neste novo ensaio de Pascal Bruckner fala-nos, por meio das metamorfoses do casamento e do erotismo, sobre a resistência do sentimento a todas as tentativas de unificação.


Apresenta uma rica trajetória de como esse sentimento foi sendo “construído” ao longo do tempo. Desde a época em que ele era mais um aprisionamento, condicionado por valores políticos, econômicos e familiares até os nossos dias, quando a liberdade é um pressuposto básico. O amor, segundo Bruckner, se legitima a partir do século dezenove, mas também se tornou o seu algoz. Ninguém está mais disposto a abrir mão da plena realização de todas as expectativas que o envolvem.

Bruckner defende a tese de que a nossa geração é filha de maio de 1968. No entanto, não vivemos a utopia feliz imaginada por quem participou dos movimentos libertários daquele tempo. Podemos ser livres para amar, porém nunca fomos tão solitários e infelizes no amor como agora. Como se a liberdade trouxesse consigo outra forma de tirania: o imperativo do gozo. Com suas decorrências: a fantasia da eterna juventude, a pressão pelo desempenho, o ideal do prazer infinito. Imperativos condenados ao fracasso porque o tempo é implacável, a performance sexual não é uma forma de atletismo e o desejo humano parece intermitente. Quanto mais livres nos julgamos, mais presos de fato estamos, e a outras instâncias que não controlamos.


A liberação dos corpos (revolução sexual dos anos 60 e 70), que tanto trabalho custara a mais de uma geração, foi brecada pela chegada de um vírus misterioso e mortal. O surgimento da aids não apenas colocou um travo à utopia da sexualidade ilimitada como deu lugar ao aparecimento de um neo-moralismo: a doença seria uma espécie de castigo dos deuses (ou pior, da natureza) à promiscuidade. Assim, a revolução sexual que parecia triunfante e absoluta nas décadas anteriores, sofreu um refluxo. Mas não recuou, ajustou-se. Daí o paradoxo da convivência entre comportamentos sexuais que parecem mais livres do que nos anos 60 e um moralismo social arraigado, raivoso e assumido. Em nosso tempo redescobrimos que a liberdade tem mesmo seu preço. Alto, altíssimo às vezes, mas que vale a pena ser pago.


O amor nasce sob o signo do entusiasmo, da entrega febril, e depois vai se convertendo numa rotina tediosa, sem aventura. O romance da libertação a dois passa, gradualmente, a ser o drama da prisão partilhada. Assim, o amor nasce como luz, mas logo os amantes se veem cegos.


Se o poeta romano Ovídeo (43 a.C./17 ou 18 d.C.) em sua Arte de Amar chama de “amores sólidos”, o escritor e poeta argentino Jorge Luis Borges (1899/1986) diz que o amor é amizade e sexualidade. Para que o amor seja duradouro é necessário uma conversa contínua, uma troca de duas vozes sempre redescobrindo a si mesmas. Não é um contato. Na atualidade o amor quer liberdade tipo: “Você me agrada, ficamos juntos; você me cansa, eu o dispenso. Experimentamos o outro como um produto”. Hoje, “o amor é uma aventura de que não queremos nos privar, mas com a condição de que ela não nos prive de nenhuma outra”.

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