
Um dos principais responsáveis por mostrar que boa reportagem pode ser feita em quadrinhos foi Joe Sacco. Ele tem já uma considerável trajetória na área de quadrinhos, que vem desde a adolescência, quando, depois de imigrar da Austrália para os Estados Unidos - ele, na realidade, nasceu na ilha de Malta, Espanha, em 1962 -, destacou-se como autor pela Fantagraphics, editora que publica principalmente gibis underground, um gênero com o qual ele sempre teve afinidade. No Brasil, suas primeiras HQs saíram pela Conrad Editora, em 1999, no título Comic Book: o novo quadrinho norte-americano, no qual teve publicada a história Natal com Karadzic, seu primeiro projeto na linha de jornalismo em quadrinhos, temática que persegue até hoje. Outra publicação sua, Àrea de segurança - Gorazde, foi eleita a melhor história em quadrinhos de 2000 pela revista Time; e, no Brasil, recebeu o troféu HQ Mix de melhor graphic novel estrangeira de 2001.
Uma de suas principais obras, Área de segurança Gorazde, conseguiu a proeza de simplificar um

O jornalista ganhou aplausos por sua dura reportagem gráfica sobre a Guerra da Bósnia (1992-95) e o conflito palestino. Ele publicou dois trabalhos sobre a questão dos territórios ocupados. Palestina,

No prefácio da obra Palestina uma nação ocupada, José Arbex escreveu: “Um dos grandes méritos de Sacco – e daí o imenso poder de seus quadrinhos – foi o de ter dado visibilidade aos árabes

Mais adiante Arbex conclui: “Sacco dá uma cara aos árabes sem cara. Mostra o sofrimento das mães palestinas, a ansiedade das crianças, o terror dos homens diante de um Exército formidável, poderoso e fascistoide. Mas ele não faz um ´panfleto palestino´. Ao contrário, há todo um esforço para mergulhar no componente profundamente humano da tragédia palestina. Produz seus heróis e seus covardes, suas esperanças e suas frustrações. Nisso reside a legitimidade e poder deste livro: no mundo em que impera as imagens, Sacco produz as suas próprias imagens de mundo para subverter, questionar uma percepção uniformizada pela grande mídia. E não será este, precisamente, o objetivo maior de uma grande reportagem?”.
o Joe Sacco denunciou as torturas sofridas por prisioneiros iraquianos na prisão de Abu Ghaib em tiras publicadas pelo jornal inglês The Guardian.
Entre os anos de 1992 e 1995, durante a Guerra da Bósnia, a imprensa mundial, sempre centrada na capital Sarajevo, realizou uma maciça cobertura da tragédia. Sarajevo tornou-se parte do grande

Gorazde foi a única cidade (na verdade, um enclave - território encravado noutro) que conseguiu sobreviver à guerra contra os muçulmanos no leste da Bósnia. Joe Sacco, o principal nome do "jornalismo em quadrinhos", esteve lá quatro vezes entre o final de 1995 e o começo de 1996, quando a população local já suportava as agruras da guerra havia três anos e meio. O autor presenciou os pesados bombardeios à cidade e as terríveis consequências do conflito: a fome, a luta dos homens para defender suas famílias, as casas em ruínas e incendiadas (quase sempre sem eletricidade ou água corrente) e, principalmente, a ausência de perspectivas e a desesperança da população em um acordo de paz. Sacco retratou tudo isso de maneira jornalística, com um texto exato e desenhos detalhadíssimos, com um traço no estilo underground, hachuras usadas com mestria e um competente uso das técnicas de contraste de branco e preto. O resultado é uma obra contundente, que escancara o lado não mostrado da Guerra da Bósnia. Área de segurança - Gorazde é uma história real, calcada sobre a história de pessoas comum em meio a um conflito irracional. Por isso, mostra também os primeiros passos de um povo em direção a uma nova vida.
“Quando as cadeias de televisão vêm ganhando cada vez mais importância e agilidade na cobertura das questões geopolíticas, a caneta de Joe Sacco consegue ir além das lentes das filmadoras das grandes redes. Cada capítulo de `Gorazde` com seus depoimentos em primeira pessoa e incursões no cotidiano dos habitantes, pode nos confortar mais do que horas de uma cobertura impessoal da mídia internacional (…) Na Bósnia de Sacco, traçada milimétrica e cuidadosamente, a dureza da guera parece mais real que nunca”, comentou Diego Assis no Folha de São Paulo.

Palestina: uma nação ocupada, escrito e desenhada pelo jornalista Joe Sacco, é um livro sobre a guerra entre os árabes e judeus. Nas 141 páginas da história, ele conta ao leitor tudo o que acontece em sua vida naquele local. As sessões de tortura e as prisões judaicas, em especial a famosa e gigantesca Ansar, merecem um capítulo a parte. Entre os inúmeros copos de chá que teve que tomar, Joe conversou com pessoas que foram presas sem saber do que estavam sendo acusadas. Muitos nem mesmo tinham cometido crime algum. É mostrado ainda que todo este abuso por parte dos judeus tinha apoio legal, fazendo os árabes sofrerem sem ter a quem recorrer.
Sacco vai a campo o tempo todo, como manda o manual do bom jornalista investigativo. No começo do livro, ele se contenta em colher depoimentos e tirar fotos do martírio diário vivido pelos palestinos e judeus. Já no último capítulo, ele se vê no meio de um levante popular contra as tropas judaicas e seu toque de recolher. Tudo em nome de uma boa matéria, ou, como ele mesmo diz "É bom para o gibi".
---------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)
Nenhum comentário:
Postar um comentário