
A fase de criança é sempre presente na sua obra porque foi um tempo bom. “Fui uma criança feliz graças ao professor Adroaldo Ribeiro Costa. Um ano depois de chegar de Ibicaraí, em 1945, já estudando na Hora da Criança, ele colocou um professor particular de desenho pra mim, Álvaro Zózimo. Acho que foi ali que tudo começou“, disse o artista. Dali em diante, Ângelo Roberto nunca mais deixou a prancheta. Aos 12 anos, desenhava personagens infantis para a recém-inaugurada Biblioteca Monteiro Lobato, o que rendeu uma exposição dele no VI Congresso de Escritores Infanto Juvenis, em São Paulo. Foi amigo inseparável da bibliotecária Denise Tavares, a fundadora da Monteiro Lobato. Aos 13 anos, também levado por Adroaldo Ribeiro Costa, passou a ser o ilustrador das páginas infantis do Diário da Bahia e A Tarde.

Formado pela Escola de Belas Artes da UFBa, fez cursos de pintura, gravura, escultura e cerâmica. Tendo optado pela técnica do bico-de-pena, tornou-se, nesta área, um dos melhores artistas da Bahia e do Brasil, participando de exposições no Museu de Arte de São Paulo, a convite de Pietro Maria Bardi, da Primeira e da Segunda Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia e de mostras individuais e coletivas em quase todos os espaços culturais e galerias importantes de Salvador. Produziu capas e ilustrações para mais de 30 livros de escritores baianos, além de cartazes para vários filmes baianos e para entidades e movimentos, como o Comitê Brasileiro p

Retratar os amigos e pessoas mais próximas sempre foi, aliás, um dos passatempos prediletos de Ângelo Roberto. Humorista por excelência e observador da vida, ainda na Escola de Belas Artes, surpreendeu colegas e professores com uma fantástica exposição de caricaturas deles. Em 1984, retratou 30 políticos, artistas e intelectuais com quem dividia a mesa de bar, como os escritores João Ubaldo Ribeiro e Guido Guerra, a atriz Nilda Spencer, o dono da Cantina da Lua, Clarindo Silva, o poeta e Ruy Espinheira Filho, o professor Cid Teixeira, o artista plástico Juarez Paraíso, o vereador Celso Cotrim e o jornalista Béu Machado, amigo de infância. A mostra, muito comentada na cidade, trazia o estilo de caricatura do artista: o personagem de corpo inteiro e dentro do seu ambiente.
“O traço enxuto, a linha essencial, a captação do fugidio, a retenção do imponderável

Os personagens podem ser crianças, humildes, mendigos, vendedores de rua. Mas também os homens que contribuem para a vida pública e cultural do estado, como os escolhidos para a mostra. Como caricaturista, os traços são simples, precisos para uma percepção imediata de quem as vê. O que ele faz é congelar a imagem psicológica do retratado, “com extraordinária e expressiva síntese visual, na qual as sutilezas dos detalhes, a atitude, o gesto, a ação, transcendem a mera enfatização das características físicas”, observou Juarez Paraíso.
O mesmo traço das brilhantes caricaturas de Ângelo Roberto é característico dos desenhos de cavalos – tema da exposição que está sendo apresentada no Centro Cultural Arraial D´Ajuda, em Porto Seguro –, pássaros, animais e crianças, que o caracterizam como um artista inspirado na infância. “Eu nunca me desliguei da infância, acho até que ela me persegue, por mais que eu corra“, brinca.
O mesmo traço das brilhantes caricaturas de Ângelo Roberto é característico dos desenhos de cavalos – tema da exposição que está sendo apresentada no Centro Cultural Arraial D´Ajuda, em Porto Seguro –, pássaros, animais e crianças, que o caracterizam como um artista inspirado na infância. “Eu nunca me desliguei da infância, acho até que ela me persegue, por mais que eu corra“, brinca.
3 comentários:
Puxa, quanta honra saber que o meu avô te deu o "empurrão" inicial.
Sou neta de Alvaro Zózimo e fiquei muito orgulhosa de conhecer o seu trabalho e saber da sua influência.
Parabéns !
Abç,
Adelaide Chao
Puxa, quanta honra saber que o meu avô te deu o "empurrão" inicial.
Sou neta de Alvaro Zózimo e fiquei muito orgulhosa de conhecer o seu trabalho e saber da sua influência.
Parabéns !
Abç,
Adelaide Chao
Oi, Adelaide, sou filho de Ângelo e é uma honra receber seus elogios. Meu pai foi se encontrar com seu avô, Álvaro, de quem ele tinha maior orgulho, assim como todos da Hora da Criança. Posso lhe dizer, com autoridade, que a honra foi de meu pai.
Iésu Landim
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