10 abril 2018

Humor irreverente como o diabo gosta de Hector Salas


Ilustrador e designer, cartunista por paixão e publicitário por formação. Hector Salas é baiano e soteropolitano, já fez diversos trabalhos de alcance nacional como a marca do Carnaval de Salvador, a nova marca da Justiça Eleitoral Brasileira e a marca do GGB. Atualmente trabalha na agência de publicidade ADSS e mantém um blog com seus cartuns e charges políticas.

Formado em comunicação social, publicitário e artista gráfico, ele já participou de diversos salões, festivais, exposições, inclusive fora do Brasil, e colaborou com muitos jornais e revistas. Durante sua trajetória, tornou-se um colecionador de prêmios. O trabalho de Hector pode ser conferido pelo Blog Hora H ou através de suas redes sociais @bloghorah. Ele um diabo para lá de irreverente, mas também apresenta trabalhos variados do artista, incluindo textos de humor.


Confira sua trajetória nessa entrevista:


Com quantos anos você começou a trabalhar com cartum, charge e quadrinho?

HS - Comecei profissionalmente por volta dos 16 anos. Eu estudava na Escola Técnica Federal (hoje IFBA) e com alguns colegas que também desenhavam e escreviam criamos um fanzine: o Pinico. Vendíamos de mão em mão, bem baratinho só pra financiar a própria edição e de alguma forma um dos exemplares foi parar nas mãos de um jornalista, de uma assessoria que fazia jornais para sindicatos e associações. Gostaram e me chamaram para fazer ilustrações e charges. Um dos integrantes da "equipe pinico" é o Bruno Aziz que hoje é chargista no jornal A Tarde.


Que tipo de quadrinho você lê? Quais foram seus ídolos no quadrinhos, cartuns e caricaturas?

HS - Gosto de ficção, humor e terror. Hoje eu leio bem menos que lia antes. Apesar da oferta ser bem maior e a grana menos curta para comprar. Se bem que hoje quadrinhos é bem mais caro agora. Virou um artigo de luxo com edições de capa dura etc.

Eu pedi para aprender a ler porque queria apreciar integralmente os quadrinhos da Mônica e Disney e da Turma do Joinha do baiano Antônio Cedraz (que depois tive a honra de ser discípulo e amigo). Até então era minha mãe que lia pra mim, aliás devo muito a ela ter herdado o gosto pelos quadrinhos. A "véia" tem uma coleção gigantesca de quadrinhos. A casa dela é como uma biblioteca do gênero tudo catalogado e trancado em dois quartos para que eu não "roube"...

Um fato curioso sobre isto é que ela colecionava as tiras e charges de Lage, recortando o que saia na Tribuna da Bahia. Pouco antes dele falecer, conversamos e ele descobriu que eu era filho de um antigo colega de faculdade dele

Minha época de garoto. Quando eu  lia muito super heróis. Na década de 80 houve a reviravolta. Apareceram as revistas Circo, Chiclete com Banana e Animal. Nelas os nacionais Angeli, Laerte, Glauco, Marcatti, Luiz Gê brilhavam e pude conhecer os estrangeiros como Pacienza, Liberatore, Vuillemim e tantos outros.

Ao passar do tempo conheci outros grandes artistas dos quais sou fã: Flávio Luiz, Setúbal, Alix, Hoisel, Rogério Rios, Rezende, Affoba, Davi Sales, Augusto Mattos. Todos baianos com os quais tive oportunidade de trabalhar e aprender.

Além da parte técnica da coisa, apareceram outras figuras que me fizeram procurar entender mais o valor do que eu fazia como o Murilo Sarno, Sidney Gusman e um certo Gutemberg Cruz.

Quais são suas principais influências?

HS - Muita gente! Mas segue a lista não em ordem de importância, mas de lembrança mesmo: Mordillo, Quino, Cedraz, Alix, Jim, Flávio Luiz, Angeli, Laerte, Glauco... E certamente tem muito mais nomes, pois de cada  coisa que se lê a gente absorve algo e as vezes nem percebe.


Como entrou para o mercado de artes gráficas?

HS - Aos 16 anos estudava na Escola técnica. As minhas materias mais queridas era as de desenho técnico, arquitetura e mão livre. Quando fui fazer as ilustrações e charges para uma assessoria que fazia jornais sindicais eu comecei a observar que curtia aquela parte de diagramação que de certa maneira já fazia no fanzine. Comecei a estudar aquilo. Na época tinha fotocomposição e etc. Não era tão "fácil" como hoje em que muita gente tem acesso a programas de computador.

Dali fui chamado para fazer algumas charges para o Sindiquímica onde conheci Danilo, o diagramador Danilo Franco. Ele me observou e com aquele senso de humor peculiar ( sempre zangado) me deu a primeira aula: - Passe a borracha direito nesta porra!

Dali fui aprendendo, tendo contato com o universo da comunicação como um todo, conheci jornalistas de alto nível, como: Suely Temporal, Solange Galvão, Carlão, dentre outros e fui me aprimorando, até que Danilo saiu e me indicou. Já decidido pelo caminho a seguir, entrei nas faculdades de desenho industrial (design) da Ufba e de Comunicação na Católica, onde sou formado.



É possível para um artista sobreviver trabalhando apenas com artes gráficas?

HS - A palavra "sobreviver" me encuca. Mas é possível sim, se souber como se encaixar e ver além do que nos tentam conduzir. Se antes era a lógica de apenas ser empregado em agencias que pagam cada vez menos, hoje é a ilusão de ser empreendedor sem ter uma formação adequada a isto dentro das faculdades e sem ter um ambiente propício. Tudo que vi até hoje de ações governamentais a respeito não foram satisfatórias.

Eu sou publicitario. Tenho uma "eugência". Já tive uma estrutura maior, mas em 2014 junto com a Famigerada Copa veio um período de crise muito grande o dinheiro sumiu - hoje todos sabem o por quê. Somado isto a meus próprios erros tive que mudar tudo na minha vida. Mas aprendi muito e a chave é saber se adaptar.


Tudo mudou bastante com o avanço da tecnologia. Você aderiu às novas ferramentas para trabalhar, como o desenho digital?

HS - Aderi. Não tem como não aderir. Ganhou-se muito em velocidade e capacidade de entrega. Uma coisa essencial dentro de uma escala de produção.  Não me imagino mais com tintas e pincéis, até porque meu estilo é muito mais a mensagem embutida do que a arte virtuosa.

Mas quantidade e velocidade não significa qualidade. As vezes eu perco o controle de minha chatice. Certa vez estávamos vendo portfólios de gente que queríamos contratar e eu não em empolguei com nada do que via. Aí um sócio me chamou atenção por isto: - Você não gosta de nada! Respondi que não era questão de não gostar, mas sim de não me impressionar porque tive a oportunidade de ver gente fazendo e criando a mão e melhor, boa parte dos conceitos que estavam me apresentando.


De todo os seus trabalhos, há algum de que você mais se orgulha?

HS - Separando as atividades como publicitário e cartunista. Enquanto publicitario, gostei muito de ter feito a bandeira do municipio de Luis Eduardo Magalhães e as marcas do Carnaval da Bahia. Enquanto cartunista destaco o trabalho que me fez ganhar um prêmio no Salão de Piracicaba - o mais importante do País e uma tirinha sobre a volta da ditadura que viralizou na web e vez por outra vejo sendo compartilhada e os convites para participar dos livros homenagem à Cedraz e a Maurício e Souza.

Um que foi decisivo para mim foi quando eu em tornei um dos colaboradores do PASQUIM 21. Eu estava para desistir disto. Desanimado, pois não conseguia nenhuma oportunidade nos veículos de Salvador e questionava a minha qualidade. Um dia vi na banca um exemplar e resolvi entrar em contato. Não tinha nada a perder e mandei meus trabalhos sem conhecer ninguém lá. No mesmo dia a secretária de Zélio – irmão de Ziraldo e editor - me responde dizendo que toda segunda me mandaria a pauta. Sem saber quem eu era, sem indicações, apenas com a avaliação de minha qualidade como artista, aceitaram-me como colaborador de um jornal que simplesmente tinha em sues quadros os melhores cartunistas do país. Isto me deu novo vigor.


Quais são os artistas brasileiros que você admira?

HS - Cedraz, Hoisel, Alix, Maurício, Marcatti, Lourenço Mutarelli, Angeli, LAerte, Glauco, Luiz Gê, Flávio Colin...e tantos outros

E os estrangeiros?

HS - Quino, Mordillo, Vuillemim, Jim Davis...e outras centenas.

Qual a sua opinião sobre os quadrinhos na internet?

HS - Eu leio muita coisa boa. Mas me deparo com muita coisa ruim. Mas o ruim também tem seu valor a medida que possibilita ao artista, através da crítica, evoluir. Antes a gente fazia isto com fanzine, hoje é nos blogs e redes sociais com um alcance infinitamente maior.


Qual a sua opinião sobre o mercado de quadrinhos hoje? Há realmente uma crise?

HS - Eu não sei avaliar isto corretamente. Não sei como se dá a relação dos autores com as editoras ou como tocam o barco os independentes. Vejo os eventos de quadrinhos cada vez mais lotados e vejo muitos títulos nas livrarias, mas as vezes me parece ser mais do mesmo. Poucas bancas de revistas.

Vejo produtos caros isto impossibilita o acesso. Parece que o importante é ter capa dura, papel de primeira e não o entretenimento em si. Por outro lado também pode ser o medo de apostar em um público que consome cada vez mais coisas de qualidade duvidosa e que mesmo com acesso não teria interesse.


Que material você usa para desenhar e arte finalizar?

HS - Canetas pigma brush ou similares papel comum, scanner e photoshop. As vezes desenho direto no pc.

Fale um pouco de seus trabalhos recentes

HS - Estou em uma fase mais charge. Colaborando para um site, para sindicatos e "uma vez na vida" algo para a Folha de São Paulo e com meu blog no ar: Hora H (https://www.horah.blog.br).

Quais os projetos que você está trabalhando atualmente e quais são seus planos para o futuro?

HS - Por enquanto estou montando por conta propria uma coletânea e preparando algumas edições. Penso em ir nos eventos ver a receptividade. Mas sem prazos estabelecidos. Estou caminhando

Fale um pouco de sua tira Inferno são os Outros. Como surgiu e quando foi lançado? Tem outras tiras já lançadas?

HS - Eu curto muito tirinhas. Mas minhas temáticas nem sempre são bem aceitas. Desde sempre faço as tirinhas, as vezes mudo o nome pois não em tenho a personagem, mas as situações.


Durante sua trajetória, Hector tornou-se um colecionador de prêmios. Cite esses prêmios

HS - É foram alguns sim entre os mais importantes estão : Folha de São Paulo, II Bahia international humor constest, 10º Salão de humor de Volta Redonda, 30º Salão de humor de Piracicaba , 5 Salão Internacional de Humor de Caratinga, FIHQ 2006 vencedor categoria Caricatura, Irancartoon Internet Festival, Salão de Humor de Paraguaçu Paulista 2006 e 2007, Salão de Humor de Ribeirão Preto 2006 e 2007, Marca do Carnaval de Salvador 2001 e 2006 ( até 2011), Marca da Justiça Eleitoral Brasileira 2008...

Em 2017 você foi premiado pelo Folha de S.Paulo. Como foi isso?

HS - Foi um concurso para novos colaboradores. Fiquei em segundo lugar em caricatura. Embora meu foco fosse cartuns e tiras. Gosto muito de participar dos concursos. Eles ajudam a balizar o trabalho e aprimorar


Do que gosta mais de produzir, charge, caricatura, cartum ou quadrinhos e porque?

HS - Gosto mais  de charges pela resposta rápida e das tiras pela construção compacta. Estou pegando o gosto pelo roteiro de quadrinhos nada desagas enormes, mas contar histórias curtas. Gosto da síntese. 












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