21 maio 2010

ESPECIAL: O Império manda, as Colônias obedecem

*(Por Frei Betto e João Pedro Stédile)

Após a Segunda Guerra Mundial, quando as forças aliadas saíram vitoriosas, o governo dos EUA tentou tirar o máximo proveito de sua vitória militar. Articulou a Assembléia das Nações Unidas dirigida por um Conselho de Segurança integrado pelos sete países mais poderosos, com poder de veto sobre as decisões dos demais.

Impôs o dólar como moeda internacional, submeteu a Europa ao Marshall, de subordinação econômica, e instalou mais de 300 bases militares na Europa e na Ásia, cujos governos e mídia jamais levantam a voz contra essa intervenção branca.

O mundo inteiro só não se curvou à Casa Branca porque existia a União Soviética para equilibrar a correlação de forças. Contra ela, os EUA travaram uma guerra sem limites, até derrotá-la política, militar e ideologicamente.

A partir da década de 90, o mundo ficou sob hegemonia total do governo e do capital estadunidenses, que passaram a impor suas decisões a todos os governos e povos, tratados como vassalos coloniais.

Quando tudo parecia calmo no império global, dominado pelo Tio Sam, eis que surgem resistências. Na América Latina, além de Cuba, outros povos elegem governos antiimperialistas. No Oriente Médio, os EUA tiveram que apelar para invasões militares a fim de manter o controle sobre o petróleo, sacrificando milhares de vidas de afegãos, iraquianos, palestinos e paquistaneses.

Nesse contexto surge no Irã um governo decidido a não se submeter aos interesses dos EUA. Dentro de sua política de desenvolvimento nacional, instala usinas nucleares e isso é intolerável para o Império.

A Casa Branca não aceita democracia entre os povos. Que significa todos os países terem direitos iguais. Não aceita a soberania nacional de outros povos. Não admite que cada povo e respectivo governo controlem seus recursos naturais.

Os EUA transferiram tecnologia nuclear para o Paquistão e Israel, que hoje possuem bomba atômica. Mas não toleram o acesso do Irã à tecnologia nuclear, mesmo para fins pacíficos. Por quê? De onde derivam tais poderes imperiais? De alguma convenção internacional? Não, apenas de sua prepotência militar.

Em Israel, há mais de vinte anos, Moshai Vanunu, que trabalhava na usina atômica, preocupado com a insegurança que isso representa para toda a região, denunciou que o governo já tinha a bomba. Resultado: foi sequestrado e condenado à prisão perpetua, comutada para 20 anos, depois de grande pressão internacional. Até hoje vive em prisão domiciliar, proibido de contato com qualquer estrangeiro.

Todos somos contra o armamento militar e bases militares estrangeiras em nossos países. Somos contrários ao uso da energia nuclear, devido aos altos riscos, e ao uso abusivo de tantos recursos econômicos em gastos militares.

O governo do Irã ousa defender sua soberania. O governo usamericano só não invadiu militarmente o Irã porque este tem 60 milhões de habitantes, é uma potência petrolífera e possui um governo nacionalista. As condições são muito diferentes do atoleiro chamado Iraque.

Felizmente, a diplomacia brasileira e de outros governos se envolveu na contenda. Esperamos que sejam respeitados os direitos do Irã, como de qualquer outro país, sem ameaças militares.

Resta-nos torcer para que aumentem as campanhas, em todo mundo, pelo desarmamento militar e nuclear. Oxalá o quanto antes se destinem os recursos de gastos militares para solucionar problemas como a fome, que atinge mais de um bilhão de pessoas.

Os movimentos sociais, ambientalistas, igrejas e entidades internacionais se reuniram recentemente em Cochabamba, numa conferência ecológica mundial, convocada pelo presidente Evo Morales. Decidiu-se preparar um plebiscito mundial, em abril de 2011. As pessoas serão convocadas a refletir e votar se concordam com a existência de bases militares estrangeiras em seus países; com os excessivos gastos militares e que os países do Hemisfério Sul continuem pagando a conta das agressões ao meio ambiente praticadas pelas indústrias poluidoras do Norte.

A luta será longa, mas nessa semana podemos comemorar uma pequena vitória antiimperialista. (Frei Betto é escritor. João Pedro Stédile integra a direção da Via Campesina)Texto publicado no Patria Latina – www.patrialatina.com.br)


Música & Poesia

A Cama e a TV (Péri)


A paisagem que a tv me cala todos os dias, colando a noite

Uma menina esquálida sem rosto sem telefone

Ou nome que dê alegria a que a viu mas não entende quase nada

Uma janela na cabeça tela plana inteira

O preto e o branco em guerra nas cores de bombas na escuridão

Princípios do fim, na onda da televisão

Eu não entendo mais

Sua palavra é o verbo forte da minha alegria, a paz na vida

Mas o índio nu de cara pálida azul de fome

Nos conduz a um mar de becos sem saída num caminho que não continua

A imagem vesga da tristeza a morte derradeira

O não e o sim no olho na cara na boca no coração

O meio do fim, na mira da televisão


Viva vai a vida captando a vida

Via satélite para todo mundo ver

Num quarto escuro

A cama e a tv não param de dizer que tudo rola

Mesmo que as pedras nunca rolem por você


Eu não entendo mais

A solidão no quadro a quadro da melancolia, num breve slow motion

Os meus amigos voam e eu não posso mais ficar aqui a esperar

Sentado à beira do caminho

Só quero um pouco de carinho e tudo mais que vale a pena

Meu cinema, a sombra da noite e o sol partindo a manhã

Brilhando na minha cama



Tudo que mora em mim (Climério Ferreira)


Muito de mim foi ficando

Nos sonhos de cada idade

Fui outro tanto deixando

Pelas ruas da cidade

Muito morri por amor

Até sofri de verdade

E o que de mim foi sobrando

Dei de gastar em saudade

Tudo que em mim habita

Fui transformando em poesia

Uma pessoa bonita

A eternidade de um dia

Ou uma cidade antiga

Uma roça se chovia

Às vezes palavra amiga

Ou um gesto de alegria

De uma manhã de agonia

Ou então da tarde calma

Ou de uma noite vadia

Fui construindo minh’alma

Do que me sobrou da vida

Eu fui compondo a canção

Que simples e comovida

Embala meu coração

Sendo assim sou e serei

O que de mim sobrou

Não sou capacho nem rei

Nem palhaço sonhador

Sou o que a vida oferece

E o que invento e componho

O meu destino tece

Na tessitura de um sonho

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

20 maio 2010

Ziraldo em cartaz

Conhecido por suas charges, histórias em quadrinhos e livros infantis, Ziraldo agora é alvo de outra obra. Trata-se do livro: Ziraldo em Cartaz, uma vertente diferente do artista.


O livro foi realizado em parceria com o designer Ricardo Leite, e agrupa cerca de 300 pôsteres, entre trabalhos para eventos, shows, cinema, peças publicitárias, campanhas educativas e políticas.


O foco do livro é o design, e a publicação ressalta o valor da arte de Ziraldo como desenhista, desde a época em que os artistas gráficos não possuíam recursos modernos como o computador. Por meio desses cartazes podemos desfrutar a evolução gráfica no Brasil.


O livro, Ziraldo em Cartaz, é mais que um passeio pela história cultural recente do Brasil, a obra mostra como os cartazes do artista tiveram impacto na vida das pessoas.

Cartazes são grandes folhas de papel impressa como mensagens gráfico visuais. Existem capas de livros que poderiam ser cartazes ou cartazes que poderiam ser capas de livros, de discos, de revistas. O que, antes de tudo, caracteriza um cartaz é ser uma única grande folha impressa. Antes de ser uma solução estética, o cartaz é uma forma de raciocinar o desafio da comunicação. Ziraldo faz exatamente isso. Seu trabalho estabelece a ligação do público com o cartaz por meio da beleza de suas ilustrações e das emoções transmitidas por suas ideias. Mergulha no mundo cotidiano, monitorando as mudanças de valores e as tendências culturais, devolvendo-nos novos pontos de vista, fazendo-nos refletir com desenhos imprevisíveis e instigantes.

O Ziraldo cartazista é um mineiro apaixonado pela arte do affiche.


Pode-se dizer que ele transitou como poucos por todas as manifestações culturais do país. Desenhou e produziu materiais que representaram mais

do que artes e autores.

Durante a segunda metade do século XX, pudemos ver seu talento estampando tendências, pensamentos e comportamentos. Se uma das inspirações do artista foi a escola francesa dos grandes affichistes (cartazistas, em francês), por meio do exercício dessa atividade que Ziraldo aprimorou, a da projeto, seu traço inconfundível.


Pela primeira vez, uma seleção dos melhores cartazes do multifacetado Ziraldo foi reunida em um único livro.


Ziraldo em Cartaz apresenta esta seleção

inédita analisada e comentada por Ricardo Leite, designer, professor universitário, sócio fundador e diretor de criação da agência Crama Design Estratégica e ganhador do Prêmio Jabuti em 2004 com o livro Ver e compreender: o design como pensamento estratégico

de negócio.

O desenho de humor e a caricatura

substituíram a fotografia e passaram a carregar significados ampliados. Assim como nas artes plásticas, com as obras de Roy Lichtenstein, Ziraldo também se apropriou de elementos das histórias em quadrinhos, usando retículas ampliadas, efeitos tipográficos que remetiam às onomatopeias e, como palheta principal, cores primárias (azul, amarelo e vermelho).


A série de cartazes Os Zerois é um bom exemplo disso, afinal o própria tema já é história em quadrinhos. Em outros cartazes também faz referências claras a elementos de quadrinhos e cartuns. Os Zerois por exemplo, que vinham no Pasquim como Posters dos pobres, foram copiados no mundo inteiro. Depois foram publicados na revista Fatos e Fotos (em cores) e nas páginas do Jornal do Brasil. Os personagens são uma caricatura dos heróis dos quadrinhos norte americanos.


Vejam alguns de seus cartazes.



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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929



19 maio 2010

Furacão Grace Jones

A cantora jamaicana Grace Jones, 61, ícone fashion que sempre chamou atenção por seus visuais ousados, revelou ao jornal britânico Guardian que não acha Lady Gaga original. Segundo o jornal, Gaga chamou Grace para cantar na faixa "Telephone", mas a jamaicana negou o pedido e foi substituída por Beyoncé. "Ela me chamou, mas eu disse não. Eu prefiro trabalhar com alguém mais original, e com alguém que não me copie inteira, na verdade", afirmou Grace Jones.


Ela tem estilo. A deusa de ébano modelo, cantora e atriz jamaicana radicada nos Estados Unidos, Grace Jones passou mais de 20 anos fora do mercado fonográfico. Mas está sempre nas passarelas. Ela nasceu na Jamaica e cedo se apaixonou, primeiramente pelo mundo da alta costura. Nos anos 70 era uma das modelos mais requisitadas pelos grandes estilistas da época. Não é á toa: Grace Jones tem quase dois metros de altura, distribuídos por um corpo perfeito e sinuoso. Aparência enigmática, como um androide inviolável.


Vivia num ambiente que tinha as artes plásticas e a música como extremidades. O papa da pop art, Andy Warhol apadrinhou-a, abrindo as portas da música. Grace não só entrou por ela como a escancarou. “Portfolio” foi seu primeiro LP. Seguiu-se “Fame”, “Muse”, “Warm Leatherett”, “Nightclubbing” e “Living My Life”. Depois dos discos, mais reviravoltas. A ida ao cinema: Conan o Destruidor; 007 na Mira dos assassinos, Vamp, etc, além dos incontáveis anúncios em TV e revistas.

VOCAIS FORTES


Miss Jones é uma cantora contralto e domina algumas técnicas de soprano. Ele tem duas formas de cantar: o canto-falado como nas canções “Private Life” e “Walking In The Rain”, e o modo quase soprano como em “La Vie En Rose” e “Slave To The Rhythm”. Além de ser dona de vocais fortes, autoritários e hipnóticos, Jones também toca acordeão. Embora seu último álbum de estúdio tenha saído em 1989, Grace Jones nunca deixou de se apresentar ao vivo por aí. Ela prefere seguir o estilo underground em seus shows, sem grandes divulgações, o que coloca seus fãs em uma "emocionante caçada". Ela mistura funk com soul eletrônica num estilo disco, dub, pop, new wave synth. "Grace era a luz principal do disco nos anos 70, junto com os Bee Gees e Donna Summer. Disco tinha alma e da personalidade que estão faltando no techno de hoje”, comentam seus fãs em todo o mundo.

Nascida Grace Mendoza é uma modelo jamaicana radicada nos Estados Unidos. Antes de se tornar uma modelo de sucesso em Nova Iorque e Paris, Grace estudou teatro na Universidade Syracuse no estado de Nova Iorque. Em 1977 assinou um contrato com a Island Records, o que resultou num estouro de hits Disco e Dance. Os três álbuns Disco que ela gravou - Portfolio (1977), Fame (1978) e Muse (1979) - geraram grande sucesso no mercado da época. Durante esse período, ela também se tornou uma musa para Andy Warhol, que a fotografou incontáveis vezes. Jones também o acompanhou em várias ocasiões ao famoso clube Studio 54 em Nova York.


DIFERENTE

No final dos anos 70, ela se adaptou à música New Wave e decidiu criar um estilo diferente para ela. Ainda na Island Records, ela lançou os álbuns Warm Leatherette (1980) e Nightclubbing (1981). Tais álbuns incluíram re-adaptações de canções do The Pretenders, Sting, Iggy Pop, Roxy Music, Flash and the Pan, The Normal, Ástor Piazzolla e Tom Petty.

Seu visual masculino que inclui vestimentas, maneiras e estatura (1,79m), foi uma grande influência no movimento "power dressing" dos anos 80, e também em artistas como Annie Lennox (Eurythmics) e Claudie Fritsch-Mentrop (Desireless). Ela também exemplificou o corte de cabelo em "caixa" dos anos 70, que seria usado em seguida por muitos negros da América na próxima década. Jones manteve uma carreira de atriz em paralelo com a sua música. Sua forte presença e visual foram levados ao seu trabalho de palco rapidamente: Suas performances mostraram diversas personagens com roupas peculiares e forte atitude. Um bom exemplo disso foi a sua colaboração com o artista visual Keith Haring, que pintou o seu corpo com símbolos tribais e a vestiu com uma armadura de fios. O artista também pintou o corpo de Jones no clipe de “I'm Not Perfect (But I'm Perfect For You)”.


VISUAL


Em paralelo com sua transformação musical, Miss Jones mudou seu visual dramaticamente, um visual criado em parceria com o estilista Jean-Paul Goude. Jones adotou um look severo e andrógino, com um corte de cabelo em formato quadrado e roupas acolchoadas. As capas icônicas de “Nightclubbing” e, em seguida, “Slave To The Rhythm” (1985) exemplificaram essa nova identidade. Até hoje, Grace Jones é conhecida pelo seu look único tanto quanto pela sua música. Sua colaboração com Sadkin e Blackwell continuou com o álbum “Living My Life” (1982), influenciado pelo dub-reggae.


O trabalho de Jones como atriz em grandes filmes começou com o papel de Zula, uma amazona no filme Conan, o Destruidor (1984), ao lado de Arnold Schwarzenegger e a lenda da NBA Wilt Chamberlain. Antes disso ela havia aparecido em filmes de produção baixa, freqüentemente com conteúdo sexualmente explícito. Em seguida ela fez o papel de May Day, no filme 007: A View To A Kill (1985). Jones também apareceu em vários outros filmes, incluindo Vamp (1986), onde ela interpretou uma exótica dançarina vampírica chamada Katrina, usando a pintura corporal de Keith Haring. Ela também fez o papel de Helen Strange no filme Boomerang, de Eddie Murphy - para o qual gravou a canção-título do filme, 7 Day Weekend - em 1992. Em 2001, ela apareceu junto com Tim Curry em Wolf Girl (a.k.a Blood Moon), como um travesti e aberração de circo chamado Christoph/Christine. Ela também apareceu em um episódio do seriado Beastmaster como a Guerreira Impatra.


RELACIONAMENTO


Jones namorou ambos atores/fisiculturistas Dolph Lundgren e Sven-Ole Thorsen nos anos 80. No ano de 1987, ela posou nua para a Playboy em um ensaio sensual ao lado de seu namorado da época, o fisiculturista e ator Dolph Lundgren. Em 1996, ela se casou com um guarda-costas chamado Atila Altaunbay. Tem um filho chamado Paulo, fruto de seu antigo relacionamento com Jean-Paul Goude. Paulo faz parte de um grupo pop francês chamado La Gouache.


Jones ainda marcou presença nas trilhas sonoras de novelas brasileiras. "That's The Trouble" fez parte da trilha de Locomotivas, de 1977; "I Need a Man", de Sem Lenço, Sem Documento (1977/1978); em 1978, "La Vie En Rose" foi hit em O Pulo do Gato, e "Do Or Die" fez parte da trilha internacional da novela Pecado Rasgado.

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18 maio 2010

Rock Dreams

O artista plástico belga Guy Peellaert (1934/2008) é autor dos quadrinhos Aventuras de Jodelle (1966), cuja heroína foi desenhada a imagem e semelhança de Sylvie Vartan. Dois anos depois publica Pravda, a survireuse, desta vez inspirada em Françoise Hardy. Pintor, ilustrador, quadrinhista e fotógrafo, especializado em imagens surrealistas, uma de suas obras mais famosa é o livro Rock Dreams junto com Nik Cohn. Nesse trabalho (lançado em 1973) ele mistura collages com fotografias e desenhos hiper realista dos grupos de rock. Peellaert também fez ilustração para as capas dos álbuns de David Bowie (Diamond Dogs), The Rolling Stones (It's Only Rock 'n' Roll) e muitos outros, além de desenhar muitos muitos posters para filmes como Táxi Driver, Paris, Texas e Short Cuts.



Rock Dreams retrata com um estilo hiper-realista e toques surreais momentos e flagrantes da vida dos ídolos do rock´n´roll no período entre 1945 e 1970, e cada imagem traz um tanto da história do rock ora com doses de ironia otimista ora com atmosfera melancólica. As ilustrações vêm acompanhadas por textos curtos do jornalista musical inglês Nik Cohn que se encaixam com perfeição aos trabalhos de Peellaert.

A capa traz Elvis Presley, John Lennon, Bob Dylan, Mick Jagger e David Bowie reunidos num balcão de uma lanchonete. E ao longo das páginas de Rock Dreams, estão lá, por exemplo, Bill Halley em frente a um espelho cuidando da maquiagem. E mais Elvis Presley ajoelhado a rezar. Gene Vincent, Chuck Berry. Eddie Cochrane numa esquina a flertar garotas.

Outra página que chama a atenção é que simula uma espécie de Última Ceia com uma mesa repleta de cervejas, Elvis Presley ao centro, à semelhança de Jesus Cristo, e ladeado por ídolos adolescentes da fase inicial do rock´n´roll

. E tem ainda Sinatra. Big Joe Turner sentado com seu barrigão em evidência com duas negonas maravilhosas em seu colo em frente a uma prateleira de garrafas de bebida. Ray Charles. Fats Domino.


Tem ainda The Drifters, James Brown, Marvin Gaye, Diana Ross, Wilson Pickett, Motown, Otis Redding, James Dean, Johnny Cash, Bo Diddley, Jerry Lee Lewis, Beatles, Rolling Stones, The Who. Uma ilustração que ficou famosa é a que apresenta Bob Dylan como uma superestrela. Vestido num casaco de peles e postado no banco de trás de uma limusine carregando nos braços um gato siamês, Dylan é retratado de maneira sarcástica e incorpora a persona descrita em sua canção Like A Rolling Stone. The Band enverga uniformes da guerra civil americana. Os Rolling Stones está em várias situações, ora como travestis sadomasoquistas, ora fantasiados de oficiais da SS nazista ao lado de ninfetas pré-adolescentes e nuas, ou então em um banquete-bacanal com mesa farta e mulheres a granel.

Tina Turner em dois momentos: ainda anônima com uma comportada farda de empregada doméstica enquanto é observada pelo seu mentor, e depois marido, Ike Turner; e outra, cheia de volúpia empunhando o microfone como

se nele estivesse a fazer um boquete. Hendrix e sua guitarra, Janis Joplin abatida pela solidão, Jim Morrison decadente e barbudo num banheiro.


Adquiri essa obra na Bienal do Livro em São Paulo, no anos 80 e fiquei chapado até hoje. Divido alguns imagens com os leitores, mas o bom mesmo é folhear a obra.

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929

17 maio 2010

Kiki de Montparnasse

Depois de vencer em 2008 o Festival Internacional de Quadrinhos de Angouleme (principal premiação da área na França e uma das mais importantes do mundo), o álbum Kiki de Montparnasse – lançado em 2007 - finalmente chega ao Brasil, desta vez pela Editora Record. Modelo, atriz, pintora, cantora e amante de vários artistas na Paris dos anos 1920, a artista francesa Alice (1901-1953) Prin (apelidada Kiki), fez parte da vanguarda artística parisiense da década de 20, frequentando os mesmos círculos sociais de surrealistas como André Breton e Max Ernst.


Na vila francesa de Châtillon-sur-Seine, ela era Alice Prin. Na Paris boêmia e genial dos anos 20, tornou-se Kiki de Montparnassi, uma das figuras mais carismáticas e adoradas do período entre guerras. Companheira de Man Ray e musa de outros tantos como Moise Kisling, Fujita Tsuguharu, Perkrog, Calder, Léger, Utrillo, Picasso, Cocteau, Modigliani entre outros. Ela foi eternizada em quadros, fotos e manifestos. Mas não pense que Kiki foi apenas musa de uma geração que procurava eliminar a ressaca da Grande Guerra. Ela foi uma das primeiras mulheres emancipadas daquele século. Muito além da liberdade emocional e sexual, Kiki ansiava por outra liberdade – de expressão de pensamento.

Nesta graphic novel biográfica de Catel Muller e José Louis Bocquet conhecemos a vida de Kiki como modelo e cantora, as noites nos cabarés, o longo relacionamento com Man Ray, a amizade com Fujita, sua biografia censurada (com prefácio de Ernest Hemingway), enfim, a ascensão e queda de uma estrela que assombrou e conquistou uma geração de artistas.

SURREALISMO - O pintor polonês Maurice Mendjisky a retratou em “Kiki de Montparnasse”, tela de 1921 e foi a foto mais representativa da surrealismo. Depois, a moça roliça, de nariz proeminente e cabelos à la Louise Brooks, que ganhava uns trocados posando para pintores do bairro francês, ainda se envolveria com outros artistas, como Moïse Kisling, Fujita Tsuguharu e, finalmente, Man Ray, seu grande amor. E ela aparece na foto mais famosa do autor: “O violino de Ingres”. A imagem de 1924 é tão forte que serve de referência para a capa de “Kiki de Montparnasse”, volumosa biografia em quadrinhos escrita por José-Louis Bocquet e ilustrada por Catel Muller, ambos franceses. A história desta mulher de personalidade forte, que participou de movimentos artísticos importantes como o movimento dadaísta, foi pesquisada por Bocquet. O livro tem 416 páginas


Durante os sete anos em que viveram juntos, Kiki e Man Ray tiveram uma relação tumultuada, em que os dois experimentaram outros parceiros. Mas foi através do fotógrafo que ela fez amizades com artistas como Jean Cocteau, Marcel Duchamp, Pablo Picasso e Ernest Hemingway. A trajetória de Alice Prin é contada em detalhes, da infância pobre aos últimos dias, também vividos sem dinheiro e às custas da ajuda de outros. São 30 capítulos da artista que entrou para o circuito artístico francês por conta do trabalho de modelo vivo.


PSEUDÔNIMO - Kiki de Montparnasse é a biografia de Alice Prin, que usava o pseudônimo como modelo, atriz, pintora e musa de vários artistas da Paris na primeira metade do século 20. O álbum de Cate e José-Louis Boucquet foi premiado no Festival de Angoulême de 2008.


Ícone sexual da vida boemia de Paris, Kiki era uma mulher que se viu envolvida em uma vida que não estava prevista para ela e que soube aproveitar ao máximo. Saiu de uma cidade pequena francesa para cair, sem querer, nas ruas de Paris em plena entreguerras. Mesmo sendo modelo sua principal trabalho, atividade que defendeu com dignidade em um tempo em que se considerava prostitutas às modelos, também triunfou como pintora, como cantora de cabaré e como atriz.


Chegou a ser a personagem mais popular da noite parisina e coroada rainha de Montparnasse. Para ela todos os dias eram u

ma grande festa, tal era sua paixão pela vida que mesmo nos inumeráveis momentos de penúria econômica, sempre se sobrepôs porque na verdade se conformava com pouco. E quando teve dinheiro o dedicou a gastá-lo com seus amigos e, nos últimos anos, a compartilhar o pouco que tinha então com diversas instituições benéficas. Esta é a faceta abordada na obra.

AUTORES - José-Louis Bocquet publicou seu primeiro romance pela Gallimard. Desde então, assinou outros sete e também biografias dedicada a Henri-Georges Clouzot, Georges Lautner e René Goscinny. Como escritor de quadrinhos, começou nas páginas da Metal Howling, e, em seguida, assinou uma dúzia de álbuns com artistas como Serge Clerc, Arno, Max, Philippe Berthet, Francis Vallès, Andréas Geffe e Stanilas. Kiki de Montparnasse é sua primeira graphic novel.


Catel Muller ilustrou mais de cinquenta livros, como as aventuras de Marion & Charles, com Fanny Joly, e a L´Encyclo dês filles, com Sonia Feertchak. Nos quadrinhos, criou a série Lucie, com a escritora Véronique Grisseaux. Desde então, três outros volumes desta heroína muito moderna foram publicadas. Catel também co-assinou, com De Metter, Le Sang dês Valentines, publicado pela Casterman e vencedor do prêmio Angoulême, em 2005.

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14 maio 2010

Música, música & Poesia, poesia

Lero Lero (Edu Lobo & Cacaso)


Sou brasileiro de estatura mediana

Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer

Porque no amor quem perde quase sempre ganha

Veja só que coisa estranha, saia dessa se puder

Não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero

Não tolero lero lero devo nada pra ninguém

Sou descasado, minha vida eu levo a muque

Do batente pro batuque faço como me convém

Eu sou poeta e não nego a minha raça

Faço versos por pirraça e também por precisão

De pé quebrado, verso branco, rima rica

Negaceio, dou a dica, tenho a minha solução

Sou brasileiro, tatu-peba taturana

Bom de bola, ruim de grana, tabuada sei de cor

Quatro vez sete vinte e oito nove fora

Ou a onça me devora ou no fim vou rir melhor

Não entro em rifa, não adoço, não tempero

Não remarco, marco zero, se falei não volto atrás

Por onde passo deixo rastro, deixo fama

Desarrumo toda a trama, desacato Satanás

Sou brasileiro de estatura mediana

Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer

Porque no amor quem perde quase sempre ganha

Veja só que coisa estranha, saia dessa se puder

Diz um ditado natural da minha terra

Bom cabrito é o que mais berra onde canta o sabiá

Desacredito no azar da minha sina

Tico-tico de rapina, ninguém leva o meu fubá




Flor do destino (Nilson Chaves e Vital Lima)


Te amei assim como água de chuva

Que vai penetrando pra dentro do mundo

Te bebi assim como poço de rua

Que eu olhava dentro mas não via o fundo

Tu me deste um sonho

Eu te trouxe um gosto de tucumã

Tu me deste um beijo

E a gente se amou até de manhã

Veio o sol batendo

E nos despertou

Da gente virando terra, mato

Galho e flor

Água de riacho é clara e limpinha

Mas às vezes turva com a chuva violenta

Teu amor é um papagaio que "xina"

Dentro do silêncio da tarde cinzenta

E o amor é um rio, profundo rio

De muitos sinais

Onde os barcos passam

Conforme o vento deseja e faz

Ai, que inda me lembro

Disso que ficou

Da gente virando terra, mato

Galho e flor...



De ardor se morre um poeta (Jamile Gonçalves)


A minha alma está inquieta:

li de um passarinho, que queria ser poeta,

o desejo de um poema que me matasse de amor.

Aqui, morta, estou.

Morri de tanto ardor.

O mesmo ardor que faz o poeta é o mesmo que o consome.

Matou-me aos poucos estar longe do que amo.

O meu tempo me come, devora-me e lambe os dedos, após.

E choro de saudades da minha arte.

O meu ar - te dei.



Há vida (Jamile Gonçalves)


Vão-se os meus dias

como os de quem tem fé.

Não creio em coisa alguma,

acontecimentos me trouxeram isso.

Planejo os meus passos porque gosto, apenas.

Não creio em um futuro melhor,

porque nunca o vivemos: e se o melhor não existe?

Esvaem-se de mim toda e qualquer esperança

de que os planos agreguem segurança aos passos

que dou.

Não acontece.

Apenas, não.

Desenho as linhas do meu destino,

planejo porque gosto, apenas.

Pelo vão da porta se vão

meus gostos

meus gestos

meus dias...

E a vida?

Bate à porta antes ou depois de sair?

Não avisa.

Não nos visa...

Ah, vida !

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