21 maio 2015

Personagens que escravizam



Há personagens ingratos no cinema: ao mesmo tempo em que trazem fama e fortuna para os atores que os encarnam, marcam tão profundamente a vida do artista que o público não consegue mais dissociar uma coisa da outra. Já falamos de Sean Connery com 007-James Bond, de Sylvia Kristel com Emmanuelle, entre outros. Agora vamos mostrar outros astros/vítimas desta confusão personagem/ator e concluir: o preço da fama, como diriam nossos avós, é caríssimo.


Charles “Carlitos” Chaplin. O criador do pastelão Mack Sennett quer um tipo engraçado. E Charles Chaplin (1889/1977) cria Carlitos: calças largas, estilo balão, sapatos enormes, casaquinho justo ao corpo, chapéu-coco, bengalinha e um pequeno bigode. Os primeiros filmes de Chaplin faziam a alegria das classes trabalhadoras. O povo vai vê-los para esquecer a vida dura e rir da dignidade ofendida das classes superiores e seus representantes. O Vagabundo é a primeira obra prima. O filme identifica definitivamente o ator com a figura de Carlitos. Além, disso, Chaplin consegue aumentar a dose de emoção e fica cada vez mais popular.

O segredo do sucesso universal de Carlitos é que, longe de ser um mito, é um personagem humano, com um lado malvado e, ao mesmo tempo, com tanta ternura que, às vezes, se deixa levar pela ilusão. Vida de Cachorro, O Garoto, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Grande Ditador entre outros filmes. Durante seus 25 anos de existência, Carlitos foi um implacável crítico das épocas que atravessou. Na madrugada do Natal de 1977, Chaplin morre, tranqüilo. Mas Carlitos continua imortal.

Rita “Gilda” Hayworth. Nunca houve uma mulher como Gilda. Nem como Rita Hayworth (1918/1987). Sua trágica morte não apaga a lenda de seu filme e personagem de 1946. Acima de tudo, Gilda tem o brilho, a presença sensual, explosiva e forte de Rita Hayworth. O cinema talvez ainda não tenha produzido uma cena de erotismo tão deslumbrante como aquela em que Rita canta (sem dublagem) “Put the Blame on Mame Boys”. 

Com um vestido de cetim negro, ela dança e vai tirando lentamente as luvas, também negras, que cobrem quase totalmente seus braços. É um strip-tease sutil, apenas sugerido. A explosão de Gilda nos cinemas derruba tabus. Ela cria um novo tipo de mulher, “a perdição dos homens”, mas que sabe cair de joelhos diante de um homem capaz de domá-la e satisfazer seus impulsos.

Johnny “Tarzan” Weissmuller. Tarzan é o mito cinematográfico de maior duração. Há mais de 60
anos ele é repetido, recriado por vários atores e diretores e, principalmente, com roupagens que vão do insólito ao realista. 

Criado na literatura por Edgar Rice Burroughs, o personagem tem fascinado leitores por quase um século, emocionando gerações e gerações nos livros, depois quadrinhos, passando para o cinema, tevê e até novela radiofônica. O primeiro Tarzan nas telas foi Elmo Lincoln em 1918. Mas o Tarzan por excelência é, sem dúvida, o de número seis, Johnny Weissmuller (o primeiro Tarzan do cinema sonoro, 1932) e o mais duradouro dos atores.

Dos mais de 50 filmes de Tarzan produzidos até agora, Weissmuller (1904/84) participou de 12, seis para a Metro Goldwyn Mayer e seis para a RKO. Foram 12 filmes memoráveis e ele foi o mais famoso Tarzan do cinema. Campeão olímpico, nadador de musculatura perfeita, e tipo padrão de todos os Tarzans poderosos, é a partir de sua figura que o desenhista Burne Hogart recriará o personagem nos quadrinhos.

Boris “Frankenstein” Karloff. Em 1918, com a aparição da novela de Mary Shelley, nasceu o mito de Frankenstein que, consagrado pelo mundo do cinema, manteve-se vivo até os nossos dias. O texto de Shelley só ganhou sua versão cinematográfica clássica, intitulada “O Doutor Frankenstein” – com Boris Karloff (1887/1969), despontando para a fama em 1931. 

O filme simplesmente definiu a linguagem do gênero terror. Boris é um caso raro de astro que foi lançado apenas com o sobrenome Karloff. Já havia feito mais de 20 filmes antes de ser escolhido para ser o monstro Frankenstein. Boris fez o papel de Múmia, Fu Manchu, Lobisomem, e só ganhou o papel do monstro Frankenstein quando Bela Lugosi o recusou. Hoje, o monstro não pode ter outra cara senão a dele.

Buster “Flash Gordon” Crabbe. Flash Gordon, personagem criado em 1934 por Alex Raymond nas histórias em quadrinhos é levado ao cinema por Dino de Laurentis, em superprodução no início dos anos 80, não teve o sucesso esperado. 

O herói foi interpretado pelo canastrão Sam Jones. Na década de 30, o herói ganhou sua feição definitiva, numa série de filmes em que combatia o impiedoso Ming, imperador do Planeta Mongo. 

O ator Buster Crabbe (1907/1983), ex-atleta e que também foi Tarzan em 1933, encontrou a imortalidade fazendo Flash Gordon em três seriados de 1936 a 38, produzidos pela Universal.

E quem se lembra de Anthony Quinn, o inesquecível Zorba, o Grego, seu papel-símbolo, aquele grego individualista e entusiasmado. 

Ou mesmo Sylvester Stallone que incorporou por diversas vezes o lutador Rocky e estampou na pele a fúria de Rambo. E o que dizer de Arnold Schwarzenegger que viveu o truculento guerreiro Conan o Bárbaro.



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