22 dezembro 2014

Aú enfrenta piratas no Farol da Barra (02)




O pensador russo Tolstoi escreveu, sabiamente, que o poeta só é universal se cantar a sua aldeia. Não se pode compreender a cultura de um povo sem conhecer a sua história. Para conhecer a história de um povo, é preciso conhecer a historia dos seus grandes homens. Aqueles que fizeram a história do seu povo e determinaram seu destino. E o jovem Flávio Luiz resgatou esse tipo de arte que está nas ruas, mas esquecido pelas autoridades.

A Bahia é um estado vasto, complexo, contraditório, plural e singular. Pode-se pensar a Bahia de múltiplos modos e todos sustentáveis com uma argumentação coerente e reconhecível. O povo baiano foi silenciado e não foi efetivamente representado na vida intelectual e política ao longo dos seus cinco séculos de vida.

Quem são os heróis da história baiana? Poucos autores conseguiram tocar em seus nervos e coração para o aprofundamento da reflexão sobre o complexo amalgamento de nosso passado e futuro, de nossas condições materiais e culturais de nossa unidade e diversidade.

A capoeira ficou invisível durante muito tempo na historiografia brasileira. Depois de dar a volta ao mundo e alcançar reconhecimento internacional, ela se tornou patrimônio cultural brasileiro. O registro desta manifestação foi em 2008.

A mistura de dança e luta foi trazida para o Brasil no século XVIII pelos escravos, que jogavam capoeira como forma de resistência e foi proibida por muitos anos. A decisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) incluiu ainda o ofício de mestre no Livro dos Saberes; e a roda de capoeira, no das Expressões
Culturais.

Expressão brasileira surgida nos guetos negros há mais de um século como forma de protesto às injustiças sociais, arte que se confunde com esporte, mas que já foi considerada luta, a capoeira foi reconhecida como patrimônio imaterial da cultura brasileira.

A partir de 1890, a capoeira foi criminalizada, pelo artigo 402 do Código Penal, como atividade proibida, com pena que poderia levar de dois a seis meses de reclusão, e seus praticantes foram considerados como “mendigos e vagabundos”. Com a disseminação da arte pelos mestres Bimba e Pastinha, ao longo do tempo passou a ser considerada como arte, esporte, dança, cultura brasileira legítima. Presente hoje em 150 países, a manifestação é o símbolo da identidade, solidariedade e resistência cultural brasileira. É um dos esportes mais praticados no mundo e, no Brasil, é implementada em quase todas as instituições de ensino público como atividade de educação física.
 

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