02 abril 2007

Nascimento e morte das civilizações

Existiram importantes civilizações ao longo do tempo que se localizaram em todos os continentes, envolvendo as mais diferentes etnias. Foram cidades-estados, impérios, federações, confederações e Estado-nações, que viveram sob as mais variadas formas de governo. Impérios e civilizações surgiram e sumiram. Os sumérios foram os primeiros a dominar no período 310 a 1950 antes de Cristo. Os egípcios veio a seguir, e foram a civilização de maior destaque antes dos gregos e dos romanos. Formada cerca de três milênios antes de Cristo (3100 a.C a 30 a.C.) pela unificação de várias comunidades à beira do Nilo, a civilização foi subjugada pelos persas em 525 a.C. e desintegrou-se.

Vieram a seguir os hindus (2500 a.C. a 1500 a.C.), acadianos (2350 a.C. a 2180 a.C.), chineses (2000 a.C. a 1911 d.C.), israelitas (2000 a.C. a 70 d.C.). Os babilônios (1894 a.C. a 539 a.C.) ficaram conhecidos pelo Código de Hamurabi, a primeira compilação de leis que se conhece, e desapareceram após a derrota para Alexandre, o Grande. Surgem os hititas (1700 a.C. a 1193 a.C.) e os olmecas (1500 a.C. a 400 a.C.). O Império Maia (1500 a.C. a 1400 d.C.) construiu cerca de 15 cidades e desapareceu no século 15. Os assírios dominaram de 1400 a.C. a 612 a.C. Mas foi a civilização grega que mudou o mundo ao desenvolver o conceito de democracia e estimular atividades como filosofia, dramaturgia, ciências, esportes, artes plásticas, poesia e arquitetura. Durou de 1200 a.C. a 323 a.C. e desapareceu quando foi dominada pelos romanos.

Chegam os fenícios (1000 a.C. a 538 a.C.), os cartagineses (800 a.C. a 145 a.C.) e os romanos (753 a.C. a 476 d.C.). Este último, com a herança grega, desenvolveu o direito, a engenharia e a arte. O império acabou por causa das invasões germânicas. Surgiram os macedônios, persas, nazcas, bizantinos, teotiguacans, árabes, vikings, astecas e otomanos. Durante o seu apogeu, entre os séculos XV e XVIII, o Império Otomano poderia ser considerado como um Estado-núcleo da civilização muçulmana. Com sua posterior decadência e desaparecimento, no início do século XX, logo após a Primeira Guerra Mundial (1914/1918), não houve mais um Estado-núcleo da civilização islâmica. Como as civilizações têm uma espécie de "ciclo de vida", muitas delas desapareceram ao longo da história, mas deixaram inúmeros vestígios de sua existência, cujo impacto e ecos culturais sobrevivem até nossos dias.

Depois dos otomanos vieram os incas, os portugueses, espanhóis, britânicos, austro-húngaros, soviéticos e agora os americanos. O centro da produção artística nos séculos XV e XVI foi a Itália. A partir do século XVIII e XIX a França tornou-se o espaço produtor e aglutinador das artes. Foi a partir da Segunda Guerra Mundial que os Estados Unidos tomaram de vez a idéia de arte moderna. E de lá para cá vivemos sob a hegemonia americana, que inclui Mickey e Pollock, Pato Donald e Warhol, Michael Jackson e George Bush. E no meio de tudo isso teve a poesia de Whitman, a música de Armstrong e a pintura de Edward Hopper.

Durante sua secular e contínua expansão, os ocidentais virtualmente eliminaram as civilizações ameríndias, praticando terríveis etnocídios. Além disso, as culturas indiana, islâmica e africana foram subjugadas enquanto a chinesa e a japonesa foram subordinadas aos "desejos" ocidentais. Por outro lado, as principais ideologias e doutrinas políticas dos séculos XIX e XX – o Liberalismo, o Anarquismo, o Socialismo, o Nazi-facismo, o Comunismo, o Nacionalismo – foram produtos da civilização ocidental.

O final da Segunda Grande Guerra deixou a França exaurida, e o mercado americano tinha necessidade de obras que os franceses não podiam mais fornecer. O vácuo da produção européia começou a ser preenchido por obras surgidas do orgulho americano estimulado pela vitória contra o nazismo. Assim obras abstratas surgiam como oposição a arte figurativa comunista. O sucesso da vanguarda americana deveu-se não apenas às considerações estéticas e estilísticas, mas também a um movimento de ressonância ideológica.

Os EUA optaram por modelos estéticos que se opunham ao que Hitler fizera em 1937, quando este declarou como “arte degenerada” a arte moderna. O governo americano organizou rapidamente uma exposição de sua arte de vanguarda para correr o mundo. O projeto econômico, estético e político se completou com a exportação dos ícones americanos, capitaneados pela indústria cinematográfica. Essa mudança do eixo artístico da Europa para os Estados Unidos ocorreu através da ideologia dominante e arrogância do governo americano se envolver na cena artística internacional para dominar. E tudo ficou dominado, mas tem época certa de terminar e provavelmente a China voltará a se tornar grande potência. Quem viver, verá!

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