27 abril 2007

Música & Poesia

Saga da Amazônia (Vital Farias)

Era uma vez na Amazônia a mais bonita floresta
mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
no fundo d'água as Iaras, caboclo lendas e mágoas
e os rios puxando as águas

Papagaios, periquitos, cuidavam de suas cores
os peixes singrando os rios, curumins cheios de amores
sorria o jurupari, uirapuru, seu porvir
era: fauna, flora, frutos e flores

Toda mata tem caipora para a mata vigiar
veio caipora de fora para a mata definhar
e trouxe dragão-de-ferro, prá comer muita madeira
e trouxe em estilo gigante, prá acabar com a capoeira

Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
prá o dragão cortar madeira e toda mata derrubar:
se a floresta meu amigo, tivesse pé prá andar
eu garanto, meu amigo, com o perigo não tinha ficado lá

O que se corta em segundos gasta tempo prá vingar
e o fruto que dá no cacho prá gente se alimentar?
depois tem o passarinho, tem o ninho, tem o ar
igarapé, rio abaixo, tem riacho e esse rio que é um mar

Mas o dragão continua a floresta devorar
e quem habita essa mata, prá onde vai se mudar???
corre índio, seringueiro, preguiça, tamanduá
tartaruga: pé ligeiro, corre-corre tribo dos Kamaiura

No lugar que havia mata, hoje há perseguição
grileiro mata posseiro só prá lhe roubar seu chão
castanheiro, seringueiro já viraram até peão
afora os que já morreram como ave-de-arribação
Zé de Nata tá de prova, naquele lugar tem cova
gente enterrada no chão:

Pos mataram índio que matou grileiro que matou posseiro
disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro
roubou seu lugar

Foi então que um violeiro chegando na região
ficou tão penalizado que escreveu essa canção
e talvez, desesperado com tanta devastação
pegou a primeira estrada, sem rumo, sem direção
com os olhos cheios de água, sumiu levando essa mágoa
dentro do seu coração

Aqui termina essa história para gente de valor
prá gente que tem memória, muita crença, muito amor
prá defender o que ainda resta, sem rodeio, sem aresta
era uma vez uma floresta na Linha do Equador...



Touro (21 de abril a 20 de Maio)

Estás sob a dominante de Vênus
e de seus contraditórios influxos.
É por isso que te digo:
cuidado com teu umbigo.
Não te assombres
se o ponteiro do relógio, o pequenino,
se transformar num escorpião:
a cada volta que ele dá,
uma criança morre de fome
ao lado do meridiano mais amado.
Não brinques com a liberdade,
nem te atormentes tanto
com com os conceitos fundamentais.
Principalmente não brinques
com as posições de Vênus
quase ao amanhecer.
Touro tem reservas inesgotáveis de paciência,
mas um bom dia a casa cai, em pleno maio.
Recomendo cautela nos negócios
nacionais,
e um pouco mais de vergonha
nos internacionais,
porque Touro está-te vendo,
a ti,
homem encolhido e turvo,
cujo fim não tardará.
Certas prosperidades
avultam inevitáveis
no centro do quadrante.
Mas te advirto
que enquanto acumulas topázios,
está-se recobrindo de mofo
a flor silvestre de tua juventude.
Em caso de dúvida,
fabrica um navio
e convida a todos os teus amigos de infância.

Trata de repartir amor um pouco mais
do que se reparte a riqueza nacional.
Não terás problemas com teus filhos,
que crescerão muito limpos
e ciosos de sua candura.
Mas não te esqueças de que existem outras
crianças,
por aí, pelos caminhos de Touro.
Não recomendo muitas intimidades
com Capricórnio.
Deves fazer pausas bruscas
em tua fatigada rotina.
E ouve um concerto de Bach
de preferência para fagote
ou fuzil."

[Thiago de Mello "Horóscopo para os que estão vivos"]

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