09 junho 2010

Beijos nas histórias em quadrinhos

Smak! Chuac! Mmmm!! Beijos molhados, apaixonados ou no pé do altar do Super Homem, Batman, Fantasma, Ferdinando, Pato Donald, Peanuts, Mônica, Menino Maluquinho e tantos outros personagens dos gibis já foram expostos nas galerias de Salvador nas décadas passados quando gostava de homenagear a todos os que se entregam à magia do amor. Nos mais de 40 quadros em sequências revelava que um beijo é mais que somente um beijo, é uma poderosa forma de comunicação entre duas pessoas. Se nos anos 30, 40 e 50 as personagens de quadrinhos passavam anos sem dar uma “bitoca”, pois a idéia era de que quadrinhos era coisa de criança, nas décadas seguintes o que se via eram beijos calorosos de dar água na boca.

Na história dos beijos quadrinizados, cada

geração pode escolher seu casal preferido: Mandrake e Narda, Fantasma e Diana, Pato Donald e Margarida, Super Homem e Lois Lane, Homem Aranha e Mary Jane, Mônica e Cebolinha, Zé Carioca e Rosinha ou Popeye e Olívia Palito. Vale a pena conferir cenas desses grandes beijoqueiros.


Antes, as namoradas existiam apenas para atrapalhar ou colocar os heróis em frias, como fazia Mirian Lane com Super Homem. É bom lembrar que naquela época não só a religião mas toda a sociedade colocava a mulher em segundo plano e o gibi refletia essa realidade. Os que passavam desse limite eram censurados. Depois de namorar Lana Lang e a sereia Loris Lemaris, Super Homem resolveu casar com Lois Lane comprovando que no amor nem ele é de ferro. Isso sem falar nos namoros de Spirit com Elle, filha do comissário de polícia Dolan, com muitos tumultos. Constantemente ela o pega em flagrante em conturbados romances com as vilãs da série como P´Gell ou Silk Satim. E não é só o Spirit que tem suas caídas por damas fatais. Flash Gordon é o que mais se prendeu nessa rede. Eterno noivo de Dale Arden. Ele sucumbiu a paixão da rainha Frigia, princesa Áurea e da rainha Azura. Ele namorou ainda todas as musas de todas as galáxias em que esteve.


Demorou 400 anos mas Fantasma resolveu finalmente casar com Diana Palmer. E a Princesa Narda com o Mandrake? Por amor Tarzan abandonou os macacos para conquistar Jane. E se não existisse o namoro do Príncipe Valente com Aleta, sua saga não teria um terço da fama. Se Brucutu não namorasse Ulla e não virasse o mundo pré-histórico de cabeça para baixo por ela, suas histórias não teriam a menor graça. O mesmo aconteceu com Fredy Flintstones e Vilma.


Durante década o Dia de Maria Cebola foi uma grande atração da série Ferdinando, de Al Capp. Ferdinando Buscapé morava em Brejo Seco, no interior dos EUA. Quando solteiro, era um dos mais perseguidos no tal dia de Mária Cebola, que em determinada hora, a partir de um sinal de gongo, todas as solteiras da vida tinham o direito de caçar os solteiros e levá-los ao altar à força. Por muitos anos, Violeta namorada de Ferdinando, nesta data protagonizava as mais loucas aventuras onde preparava armadilhas ou livrava seu namorado delas. Quando eles se casaram, o dia de Maria Cebola continuou com uma grande atração na série. E acabou por ser assimilado por universitários em todo o país nos anos 40. E os triângulos amorosos entre Donald, Margarida e Gastão? A gata Krazy Kat, o ratinho Inácio e o cão buldog Xerife? É bom lembrar os velhos namoros de Mickey e Minie, Popeye e Olívia, Zé Carioca com Rosinha e Bolinha com Luluzinha. E aquela paixão platônica de Charles Brown pela garotinha ruiva?.


Nos anos 60 o namoro esquentou com a chegada de Stan Lee e Jack Kirby que criaram o Quarteto Fantástico, implantando o novelão que são as historietas de super-heróis de hoje. Primeiro Benjamin namorava Sue. Ele se transformou no mostro Coisa e ela na Garota Invisível. Ela passou, mais tarde, a namorar o Senhor Fantástico, mas surgiu em sua vida o Príncipe Submarino, que se apaixona por ela, esquecendo Betty, Namora e Dorma, suas namoradas anteriores. O jeito foi o Senhor Fantástico acabar roubando Alicia, a nova namorada do Coisa, única capaz de sentir a angústia do Surfista Prateado, que abandonou seu planeta, para que o vilão Galactus deixasse sua namorada Shalla Ball viva. O casal X-Men, Scott Summers e Jean Grey finalmente oficializou o namoro e entrou na igreja com muitos beijos.


E o que dizer do Homem Aranha. Um tremendo namorador. Primeiro, conquistando Betty, a secretária do jornal Clarin, depois Mary Jane, a linda sobrinha do melhor amigo de sua tia. Mas quando conheceu Gwen Stacy ficou perdido. Por azar do herói, ela morre em seus braços, assassinada pelo vilão Duende Verde. Veio a super heroína a Gata, mas ele ficou mesmo foi com Mary Jane. E para acabar com os boatos da existência de um romance entre Batman e Robim, seus editores deram-lhe uma namorada fatal, Tália, filha do vilão Rã´s Al Ghul, que acabou por lhe dar um filho no álbum “O Filho do Demônio”.


Enquanto os autores de aura politicamente correta envolviam os heróis com o ar ingênuo, os mais liberais divertiram leitores adultos. Barbarella, por exemplo, namorava não só um anjo sem sexo, mas também se envolvia com qualquer macho, mesmo que fosse robô. A bela Drunna frequentemente é vista enlaçada por criaturas em decomposição. Vampirella é sedutora de corpo e alma e os famosos catecismos de Carlos Zéfiro (aquelas revistinhas picantes que circulavam pelas bancas de jornais dos anos 50 e 60) não faziam mais nada além daquilo. Querem mais? Dessa forma, com ou sem censura, no mundo das histórias em quadrinhos, namorar é imprescindível e o beijo é fundamental para o início do relacionamento.

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929

08 junho 2010

"O amor vê não com os olhos, mas com a mente”.

Alguns poetas davam a entender que a origem do amor era totalmente orgânica. Outros acreditavam à atividade profunda do coração a verdadeira origem. Para o estudioso Bronislaw Malinowski em seu livro The Sexual Life of Savages (Londres, 1929), o amor “é uma paixão que atormenta a mente e o corpo em maior ou menor extensão; conduz muitos a um impasse, um escândalo ou uma tragédia; mas raramente, ilumina a vida e faz com que o coração se expanda e transborde de alegria”.


Apesar de a beleza atrair nossa atenção, o sentido duradouro da beleza de uma pessoa revela-se em estágios. Pode ser através das qualidades criadas pelo entusiasmo, inteligência, sagacidade, curiosidade, doçura, paixão, talento e graça. Como disse Shakespeare em “Sonhos de uma Noite de Verão”: “O amor vê não com os olhos, mas com a mente”. “Amar é um deserto e seus temores/vida que vai nas celas dessas dores/não sabe voltar/me dá teu calor/vem me fazer feliz por que eu te amo/você deságua em mim e eu oceano/e esqueço que amor é quase uma dor/só sei viver/se for por você”, revela o apaixonado Djavan na bela Oceano.


Para o baiano Raimundo Sodré, “amar é coisa fina/é porcelana da China/que não deve se quebrar/porque uma dor desatina/e as garras desta felina/coração dilacera” (Desejo de Amar). Para Edil Pacheco e João Nogueira, “é bom viver de amor/e até morrer de amor é bom”. Na canção De Amor é Bom eles afirmam que “o amor não quer poder/não quer dinheiro não/o amor n]ao quer beber/o vinho da ilusão/o amor é bem querer/é a fonte da emoção/então lugar de amor/é mesmo o coração”. Já Renato Russo diz que “é ó o amor que conhece o que é verdade” (Monte Castelo).


Na composição de Isolda e Milton Carlos, Roberto Carlos declara: “Eu quero seu amor a qualquer preço/quero que você me tenha até pelo avesso/pra me sentir envolvida em seus cabelos/faça de mim o que quiser/você é meu homem, sou sua mulher” (Pelo Avesso). Um dos maiores clássicos da MPB, “Eu Sei que Vou te Amar”, os poetas Tom Jobim e Vinicius de Moraes se declaram à amada: “Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar/a cada despedida eu vou te amar, desesperadamente eu sei que eu/vou te amar e cada verso meu será pra te/dizer que eu sei que vou te/amar por toda a minha vida eu/sei que vou chorar, a cada ausência tua eu vou chorar, mas cada volta/tua há de apagar o que essa ausência tua me causou, eu/sei que vou sofrer, a eterna desventura de viver, a espera de viver ao lado teu por/toda a minha vida”.



Não dá para esquecer a bela “Eu Te Amo”, de Tom Jobim e Chico Buarque: “Ah, se já perdemos a noção da hora/se juntos já jogamos tudo fora/me conta agora como hei de partir/Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios/rompi com o mundo, queimei meus navios/me diz pra onde é que inda posso ir/Se nós, nas travessuras das noites eternas/já confundimos tanto as nossas pernas/diz com que pernas eu devo seguir/Se entornaste a nossa sorte pelo chão/se na bagunça do teu coração/meu sangue errou de veia e se perdeu/como, se na desordem do armário embutido/meu paletó enlaça o teu vestido/e o meu sapato inda pisa no teu/como, se nos amamos feito dois pagãos/teus seios inda estão nas minhas mãos/me explica com que cara eu vou sair/não, acho que estás te fazendo de tonta/te dei meus olhos pra tomares conta/agora conta como hei de partir”


Um beijo fez com que Johnny Alf descobrisse o amor: “É só olhar, depois sorrir, depois gostar/você olhou, você sorriu, me fez gostar/quis controlar meu coração/mas foi tão grande a emoção/de sua boca ouvi dizer ´quero você´/quis responder, quis lhe abraçar/tudo falhou/porém você me segurou e me beijou/agora eu posso argumentar/se perguntarem o que é amar” (O Que é Amar). Já Chitãozinho e Xororó e Zé Ramalho afirmam em “Sinônimos” que sinônimo de amor é amar: “Quanto o tempo o coração, leva pra saber/que o sinônimo de amar é sofrer/no aroma de amores pode haver espinhos/ é como ter mulheres e milhões e ser sozinho/ na solidão de casa, descansar/ o sentido da vida, encontrar/ ninguém pode dizer onde a felicidade está// O amor é feito de paixões/ e quando perde a razão/não sabe quem vai machucar/quem ama nunca sente medo/de contar o seu segredo/sinônimo de amor é amar”

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929

07 junho 2010

Um estado de graça chamado amor

O amor é um sentimento universal e natural, presente em todas as épocas e culturas. O amor e a paixão existem. Poucos sabem descrevê-las, ninguém nunca viu ou tocou, mas todos sentem na hora em que menos se espera. Este vício ou virtude, este impulso que escapa à razão ou este luxo dos sentidos nos invade vez por outra e, numa posição confortável e segura, fica por detrás de nossas ações. É a nossa força motriz, o que nos faz viver.


Todo mundo sabe o que é isso. O fogo que arde sem se ver, a ferida que dói e não se sente (Camões), o sentimento que move o sol, como as estrelas (Dante), a força obscura e potente que dissolve membros (Safo) ou amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no elipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários (Drummond). É o amor, louco, delicioso, tolo, embriagante, o princípio unificador do cosmo, segundo os filósofos gregos, motor de todos os poetas, êxtase celestial e doce tormento de todos os apaixonados, alegria dos comerciantes no Dia dos Namorados.


O amor como uma força independente e incontrolável vem vendendo obras de ficção ao longo de muitos séculos. Muitas tentativas foram feitas para desvendar os mecanismos dessa reação química e que pode até criar dependência. Antropólogos, biólogos e químicos aliam-se na tarefa. Amor não é sexo, surgiu como consequência da necessidade de propagar e reforçar a sobrevivência da espécie – o que a pura reprodução sexual não garantiria. O amor evoluiu milhões de anos atrás para levar homens e mulheres a ficar juntos e criar seus filhotes. A fragilidade dos filhotes gerou o amor programado biologicamente, embutido no código genético, baseado em elementos químicos específicos. Para os cientistas, o amor é um mecanismo criado pela natureza para a perpetuação da espécie.

Trata de uma teoria conhecida como “banho químico”, uma cascata de elementos que, descarregados no cérebro, correm ao longo dos nervos, espalham-se pelo sangue e geram reações rigorosamente iguais nos humanos em estado amoroso. “Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso chegar centenas; mas dessas centenas, amo apenas um”, espantava-se o francês Roland Barthes. “Eis um grande enigma do qual nunca terei a solução. Por que desejo esse?”. A resposta está no mapa do amor, uma pré-seleção que a pessoa faz desde a infância, gravando no inconsciente as coisas que aprecia e as que não gosta e já na adolescência surge uma proto-imagem do parceiro ideal. Cultura, maneira como cada criança é criada, seu meio ambiente e as influências externas moldam os contornos dessa imagem. E quando alguém se encaixa nesse mapa do amor e passa por perto, a biologia entra em ação e o estágio de encantamento aparece.


Alguns poetas davam a entender que a origem do amor era totalmente orgânica. Outros creditavam à atividade profunda do coração a verdadeira origem. Na poesia satírica de Gregório de Matos “o amor é finalmente um embaraço de pernas, uma união de barrigas, um breve tremor de artérias, uma confusão de bocas, uma batalha de veias, um rebuliço de ancas, quem diz outra coisa é besta”. Arnaldo Jabor em seu livro “Amor é prosa, sexo é poesia” ele define: “O amor é o profundo desejo de vivermos sem linguagem, sem fala, como os animais em sua paz absoluta. Queremos atingir esse ´absoluto´, que está na calma felicidade dos animais”. “Amor meu grande amor, só dure o tempo que mereça, e quando me quiser, que seja de qualquer maneira, enquanto me tiver, que eu seja a última e a primeira...”. A letra, arrebatadora, é de Ângela RôRô e Ana Terra. A paixão é o lado nervoso do amor, escreveu Milton Nascimento e Fernando Brant. Para os dois, “amar é a melhor maneira de viver”.

“O que será que me dá, que me bole por dentro será que me dá, que brota à flor da pele será que me dá, e que me sobe às faces e me faz corar, e que me salta aos olhos e me atraiçoar, e que me aperta o peito e me faz confessar, o que não tem mais jeito de dissimular, e que nem é direito ninguém recusar...”. “O que será?”. Chico Buarque e Milton Nascimento respondem na mesma canção. Amor é estado de graça, escreveu o poeta Drummond de Andrade. “Além do amor, não há nada, amar é o sumo da vida, o mundo é grande e cabe, nesta janela sobre oi mar, o mar é grande e cabe, na cama e no colchão de amor, o amor é grande e cabe, no breve espaço de beijar”.


“O amor e a agonia, cerraram fogo no espaço, brigando horas a fio, o cio vence o cansaço, e o coração de quem ama, fica faltando um pedaço, que nem a lua minguando, que nem o meu nos seus braços. . .”. Assim é o amor de Djavan, faltando um pedaço ou mesmo a beleza de pétala: “Por ser exato, o amor não cabe em si, por ser encantado, o amor revela-se, por ser amor, invade e fim”

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04 junho 2010

Música& Poesia

Eu não existo sem você (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)


Eu sei e você sabe

Já que a vida quis assim,

Que nada neste mundo

Levará você de mim,

Eu sei e você sabe

Que a distância não existe

E todo grande amor

Só e bem grande se for triste

Por isso, meu amor

Não tenha medo de sofrer

Pois todos os caminhos

Me encaminham pra você



Assim como o oceano

Só é belo com o luar

Assim, como a canção

Só tem razão se se cantar

Assim como uma nuvem

Só acontece se chover

Assim como o poeta

Só é grande se sofrer

Assim como viver

Sem ter amor

Não é viver

Não há você sem mim

E eu não existo sem você.

Assim como o oceano

Só é belo com o luar

Assim, como a canção

Só tem razão se se cantar

Assim como uma nuvem

Só acontece se chover

Assim como o poeta

Só é grande se sofrer

Assim como viver


Sem ter amor

Não é viver

Não há você sem mim

E eu não existo sem você.




A Porta (Vinicius de Moraes e Toquinho)

Eu sou feita de madeira

Madeira, matéria morta

Mas não há coisa no mundo

Mais viva do que uma porta


Eu abro devagarinho

Pra passar o menininho

Eu abro bem com cuidado

Pra passar o namorado

Eu abro bem prazenteira

Pra passar a cozinheira

Eu abro de supetão

Pra passar o capitão


Eu fecho a frente da casa

Fecho a frente do quartel

Fecho tudo no mundo

Só vivo aberta no céu!

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02 junho 2010

Sangue, a força vital da vida

Todas as células do nosso organismo têm necessidade, para manter-se em vida e desempenhar as suas funções, de receber oxigênio e materiais nutritivos. A tarefa de transportar a elas esses elementos cabe ao sangue, o qual, por sua vez, recebe das células as substâncias de rejeição. Para realizar esse refornecimento, o sangue tem necessidade de circular continuamente: os canais dentro dos quais o sangue circula são os vasos sanguíneos, enquanto o coração é a bomba que dá ao sangue o seu impulso para circulação. Coração e vasos constituem, no seu conjunto, o aparelho circulatório.


“Tum, tum, tum, bate coração...”. O coração bate mais rápido, porque ele é que faz o sangue circular. Mas o que é sangue? É um tecido. No corpo de um adulto circulam, em média, cinco litros de sangue, variando de acordo com o peso. O sangue é formado por uma parte líquida (plasma), constituída por água, sais, vitaminas e fatores de coagulação, na qual estão misturados as partes sólidas; hemácias, leucócitos e plaquetas. Os globos vermelhos, brancos e plaquetas são como as peças de um carro. Cada um tem uma função definida. Os glóbulos vermelhos levam oxigênio. Os brancos combatem infecções, ou seja, vírus e bactérias que atacam o corpo. E as plaquetas ficam responsáveis por parar os sangramentos, como quando alguém faz um corte na mão, ou seja, ajuda na coagulação do sangue.

O Brasil necessita diariamente de 5.500 bolsas de sangue. O ato de doar sangue representa a única forma de muitas pessoas continuarem vivendo, pois ainda não existe substituto para o sangue. É essencial que as pessoas saudáveis façam da doação de sangue um ato voluntário e contínuo. Doamos sangue porque alguém dele precisa. Pela facilidade e segurança com a qual pode ser retirado, associado ao enorme benefício para quem dele necessita, doar sangue é considerado um gesto simples de pessoas dispostas a ajudar o próximo, contribuir para a cura de enfermos. Quando doado para aquele que não conhecemos pode ser considerado um ato de profundo humanismo e respeito ao próximo.


O doador de sangue deverá ser voluntário, estar com boa saúde, alimentado, descansado. Deverá ser de maior (por questões legais) e acima de 50 kg. Deverá ser respeitado um intervalo desde a última doação de três meses para a mulher e dois meses para o homem. Pacientes de grupos de risco, que tiveram hepatite, malária ou portadores de Doenças de Chagas são considerados inaptos definitivamente a doação. Toda ênfase é na proteção ao paciente. O ato de doar é simples e dura menos de dez minutos. Todo material utilizado é descartável e não poderia ser hoje de outra forma: bolsas plásticas estéreis em sistema fechado e inviolável até o momento do uso.


Para a religião africana tudo o que a natureza produz é sangue, é o Axé. Utiliza-se vários tipos de sangue para formar o Axé, visando ampliar, acumular e distribuir o mesmo, que é essencial para existência humana. Divide-se em três categorias que são: vermelho, o preto e o branco. Sangue vermelho é encontrado no fluxo menstrual, no sangue humano e animal. No reino vegetal, o azeite-de-dendê e o mel extraído das flores são os melhores exemplos. Já no reino mineral encontra-se presente nos metais como cobre e o bronze. Este sangue está relacionado ao fogo, movimento, coisas quentes, razão pela qual os orixás que exigem uma quantidade maior desses elementos dominam exatamente esses aspectos da natureza, como Exu, Xangô e Iansã.


O sangue preto no reino mineral é encontrado no carvão e no ferro. A cor verde e azul são variações da cor preta, por isso suas fontes são encontradas nas folhas e cascas de árvores. No reino animal, o sangue preto é encontrado principalmente nas cinzas dos animais. A associação do preto é com a terra e esta força da natureza responde entre outros os orixás Ogum, Oxossi, Ossain e Obaluaê.


O sangue branco é encontrado no sêmen, saliva, hálito, secreções e no plasma. Isto no reino animal, como o caracol por exemplo. No lado vegetal o sumo das plantas leitosas e bebidas alcoólicas extraídas de palmeiras e outros vegetais. Na parte mineral há a prata, chumbo e o sal, sem esquecer que nessa cor tem a água e o ar.


O sangue é de importância vital por estar ligada a fertilidade, concepção, ao nascimento, enfim todos os ciclos da vida. Ninguém vive sem sangue, e sem ele não há vida. Segundo a Umbanda, existem cinco tipos de sangue na natureza. O sangue verde (o sumo das folhas), sangue amarelo (o sal, o néctar das frutas e a seiva das árvores – dos troncos), sangue branco (a água), sangue negro (o petróleo, o magma) e o vermelho (dos animais). Assim, o nosso planeta não pode viver sem sangue.

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Neste domingo, dia 06, o programa REDE BAHIA REVISTA da TV Bahia vai exibir uma reportagem sobre as histórias em quadrinhos na Bahia. Vale a pena conferir!
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01 junho 2010

República bahiana: a Sabinada

Um movimento republicano que decorreu de 1837 a 1838, na cidade de Salvador, Bahia: a Sabinada. O nome deve-o ao seu líder, o médico Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira. O movimento espelhou o descontentamento de uma classe média, contra a Corte do Rio de Janeiro, que ignorava as necessidades da Província e que exigia sacrifícios cada vez mais pesados.

A situação tornou-se explosiva quando o chefe do movimento farroupilha, Bento Gonçalves fugiu da prisão e se colocou ao lado dos líderes do movimento, Francisco Sabino Vieira e João Carneiro da Silva Rego.


A 7 de Novembro, com a adesão de algumas guarnições militares, conseguem controlar a cidade durante quatro meses. Pretendiam instaurar um regime republicano provisório até à maioridade de D. Pedro de Alcântara. Contudo, a falta de adesão das elites e das camadas populares deixaram o movimento isolado, condenando a Sabinada ao fracasso. A 15 de Março de 1838, as tropas da Regência chegaram para sufocar o movimento que acabou por cair perante um bloqueio terrestre e marítimo à cidade do Salvador. As repressões foram exemplares, condenando uns à morte e outros como Francisco Sabino Vieira ao exílio.



REBELIÃO


A Bahia, desde o período colonial, se destacou como palco de luta contra a opressão política e o desmando governamental. Entre outras rebeliões de escravos desencadeadas durante a Regência, a Sabinada se destacou enquanto movimento de natureza eminentemente popular. Antes do seu desenvolvimento, um grupo de negros malês tentaram conquistar a cidade de Salvador. Contudo, mediante a delação às autoridades, essa primeira revolta não se desenvolveu. Nesse segundo momento, liderados pelo médico Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira, os participantes da Sabinada se opuseram a mal resolvida questão da centralização política que se arrastava desde o início do Brasil Império.


Causas - Os revoltosos eram contrários às imposições políticas e administrativas impostas pelo governo regencial. Estavam profundamente insatisfeitos com as nomeações de autoridades para o governo da Bahia, realizadas pelo governo regencial. O estopim da revolta ocorreu quando o governo regencial decretou recrutamento militar obrigatório para combater a Guerra dos Farrapos, que ocorria no sul do país.


Objetivos - Os revoltosos queriam mais autonomia política e defendiam a instituição do federalismo republicano, sistema que daria mais autonomia política e administrativa às províncias.


República Bahiense - Com o apoio de vários integrantes do exército, os revoltosos foram para as ruas e tomaram vários quartéis militares. No dia 7 de novembro de 1837, tomaram o poder em Salvador (capital). Decretaram a República Bahiense, que, de acordo com os líderes da revolta, deveria durar até D.Pedro II atingir a maioridade.


O governo central, sob a regência de regente Feijó, enviou tropas para a região e reprimiu o movimento com força total. A cidade de Salvador foi cercada e retomada. Muita violência foi usada na repressão. Centenas de casas de revoltosos foram queimadas pelas forças militares do governo. Entre revoltosos e integrantes das forças do governo, ocorreram mais de 2 mil mortes durante a revolta. Mais de 3 mil revoltosos foram presos. Assim, em março de 1838, terminava mais uma rebelião do período regencial.


Quem desejar conhecer com mais profundidade o assunto, o livro do historiador baiano Paulo César de Souza – “A Sabinada. A revolta separatista da Bahia”, editado pela Companhia das Letras é uma boa pedida. O livro traz desde os prenúncios da revolta, seu alastramento pelo interior do estado, a tomada der Salvador pelos rebeldes, o perfil de seus líderes, as condenações dos mesmos e cartas da época.


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