
Filho legítimo das danças
africanas, especialmente dos povos de língua banto, o samba veio dos batuques e
lundus. Onde se plantava cana, tabaco, algodão, café e minas de ouro, havia negros
e onde havia negros, havia dança e música, lembra Carneiro. Assim, os batuques
foram se espalhando pelo país e se misturando com sonoridades e danças dos
portugueses e dos índios, dando origem ao coco (no Ceará, Rio Grande do Norte,
Paraíba, Pernambuco e Alagoas), ao jongo (no Rio, São Paulo, Minas e Goiás) e
ao samba (no Maranhão, Bahia, Guanabara e São Paulo), afirma o pesquisador.
Considerado obscena, ofensivo, os
sambas eram vistos como locais de orgia e bebedeira, dignos da mais severa
perseguição. Apesar de tudo, o samba sobreviveu. Os negros eram a maioria da
população e o samba, a forma que eles conheciam de celebrar, se divertir,
brincar. E apesar da base africana, o samba é natural do Brasil, onde descobriu
novos instrumentos, coreografias e sotaques.
Os pesquisadores são unânimes em
afirmar que o centro de tudo, o local onde o samba ganhou vida foi no recôncavo
baiano, onde a música estava nas plantações, na pesca, na hora de construir, no
lazer. O samba, naquela época cadenciava o trabalho. O coração do samba no
recôncavo é a região que inclui Santo Amaro, Acupe, Santiago do Iguape e
Cachoeira. E foi de Cachoeira que saiu Hilária Batista de Almeida, ou Tia
Ciata, a mulata baiana que, no começo do século XX, ensinou o Brasil a sambar.
Ela promovia em sua casa festas onde estava presentes os grandes músicos da
época e foi lá que surgiu “Pelo Telefone”, o samba que lançaria no mercado
fonográfico um novo gênero musical. A gravação de Donga foi em 1917, mas antes
dele, em 1902, o santo-amarense Baiano foi o responsável pela primeira gravação
feita no Brasil, o lundu “Isto é Bom”, do baiano Xisto Bahia. A partir daí o
samba se espalhou por todo o país.
Há várias vertentes do samba como
o choro, um samba em forma de canção, ou a bossa nova, ritmia do samba a
serviço do requinte melódico da região. O samba de roda foi a grande fonte de
inspiração do pagode baiano, assim como o samba duro e o pagode carioca.
Depois que a Unesco reconheceu o
samba de roda como Obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial
da Humanidade,
todas as atenções se voltaram para essa expressão cultural que, desde os tempos
da escravidão, floresce no entorno da Baía de Todos os Santos. O samba de roda
do Recôncavo Baiano sobrevive em dezenas pequenas comunidades interioranas, sendo
a principal manifestação folclórica nas datas festivas, comemorações do dia a
dia ou nos batuques que animam o encontro de amigos nos butecos.
“Desde que o Samba é Samba”,
composição do mano Caetano diz: “A tristeza é senhora,/Desde que o samba é samba
é assim/A lágrima clara sobre a pele escura,/a noite e a chuva que cai lá
fora/Solidão apavora,/tudo demorando em ser tão ruim/Mas alguma coisa
acontece,/no quando agora em mim /Cantando eu mando a tristeza embora//O samba
ainda vai nascer,/O samba ainda não chegou/O samba não vai morrer,/veja o dia
ainda não raiou//O samba é o pai do prazer,/o samba é o filho da dor/O grande
poder transformador”.
Caetano Veloso, Maria Bethânia,
Gilberto Gil, Roberto Mendes e outros artistas baianos já se renderam à beleza
do ritmo tendo gravado vários samba de roda. De raiz africana, era a diversão
dos escravos e se subdivide em vários formatos como a chula, o samba de
corrida, o de parada, de quadra, o samba duro, entre outros. O samba não é
apenas um ritmo, é algo mais que uma simples música, ele evidencia o sentimento
de um povo, uma espécie de herança que passa de gerações a gerações sendo,
portanto, um conjunto de emoções.
O poeta Vinícius de Moraes
sintetizou, com extrema felicidade, a origem do samba brasileiro, seu
compromisso com a herança africana e as contribuições que lhe foram trazidas
pela cultura europeia, ao dizer que “o samba nasceu lá na Bahia e se hoje é
branco na poesia, ele é negro demais no coração...”.E Zé Keti completa: “Eu sou
o samba/A voz do morro sou eu mesmo sim senhor/Quero mostrar ao mundo que tenho
valor/Eu sou o rei do terreiro/Eu sou o samba/Sou natural daqui do Rio de
Janeiro/Sou eu quem levo a alegria/Para milhões de corações brasileiros/Salve o
samba, queremos samba/Quem está pedindo é a voz do povo de um país/Salve o
samba, queremos samba/Essa melodia de um Brasil feliz”.
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