30 janeiro 2017

Capoeira, uma escola de cidadania (1)



O baiano "Ratto" venceu a primeira edição do Red Bull Paranauê e foi eleito o capoeirista mais completo do mundo, durante um evento realizado no Farol da Barra, no último sábado, 28. Com participantes de vários lugares do Brasil e do mundo, Lucas Dias Ferreira, o "Ratto" (de roda) como ficou conhecido, levou o prêmio e foi consagrado em frente a um público de cerca de 3.500 pessoas, pelo mestre João Grande, uma lenda da capoeira mundial.

Não se pode compreender a  cultura de um povo sem conhecer a sua história. 

Para conhecer a história de um povo, é preciso conhecer a historia dos  seus grandes homens.

Aqueles que fizeram a história do seu povo e determinaram seu destino

A capoeira baiana é um processo dinâmico, coreográfico, desenvolvido por dois parceiros, caracterizado pela associação de movimentos rituais, executados em sintonia com ritmo ijexá, regido pelo toque do berimbau, simulando intenções de ataque, defesa e esquiva, ao tempo em que exibe habilidade, força e autoconfiança, em colaboração com o parceiro do jogo, pretendendo cada qual demonstrar sua superioridade sobre o companheiro. O complexo coreográfico se desenvolve a partir dum movimento básico denominado de gingado do qual surgem
os demais num desenrolar aparentemente espontâneo e natural, porém com um objetivo dissimulado de obrigar o seu parceiro a admitir a própria inferioridade.

Dentre as características mais importantes da capoeira destacamos a liberdade de criação, a estrita obediência aos rituais, a preservação das tradições, o culto dos antepassados e o respeito aos "mais velhos" como repositório da sabedoria comunitária. Existem muitos tipos de capoeira, mas os dois principais são a capoeira Angola e a Regional. Esta última foi criada pelo baiano Manoel dos Reis Machado, o respeitado Mestre Bimba.

IDENTIDADE - Herança dos negros escravos trazida para o Brasil e usada como luta no movimento da busca de liberdade ou como um ritual, capaz de manter a identidade de um povo subjugado pelo poder dos 'senhores'. Nos diversos olhares temos a capoeira como manifestação da cultura afro, passando por esporte praticado em academias, folclore para turista ver e clicar, e ferramenta terapêutica no tratamento de doenças mentais.

No Brasil colonial a luta era permitida, mas os senhores deixava acontecer manifestações culturais negras, espécie de válvulas de escape das tenções inerentes. Os negros, então, tiveram que dissimular a capoeira, disfarçando-se de dança com direito a cânticos e um instrumento musical (o berimbau). Ainda para disfarçar a luta, os
negros faziam a ginga, emprestando à dança um aspecto malicioso, lúdico e cadenciado, aparentando muito mais uma brincadeira inofensiva do que uma luta mortal.

Historicamente, coube ao ex presidente Getúlio Vargas, com o objetivo de angariar apoio e aceitação das massas, liberar as 'válvulas de escape' da população marginalizada. Exercendo, ao mesmo tempo, um controle sobre essas manifestações e sobre os atos de seus participantes.

Assim, Vargas eliminava a inconveniência de desordem e determinam regras e normas para a sua prática. E, no ano de 1930, em Salvador, Mestre Bimba ao sentir que esta seria apenas para exibição em praças e deixava muito a desejar em termos de luta, apresenta sua luta regional baiana.

Apresentada ao ex presidente, caracterizada por um método de ensino racional, foi liberado e transformado em esporte, passando a ser ensinado em academias e a fazer parte dos programas de governo para incentivar o turismo.

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