22 julho 2015

Tango, um sentimento triste que se baila (2)



O tango começou a ser exportado para o mundo por intermédio de marinheiros de diversas partes do
mundo, encantados com suas incursões em terras pelas noites argentinas. A Argentina reabilitou o tango cantado, que a ditadura dos generais tentara erradicar, e redescobre a riqueza de suas origens e a filosofia que o acompanha.

Até países como a Finlândia o tango tornou-se uma verdadeira instituição. Os mais conservadores e moralistas condenavam o tango (assim como já tinham condenado a valsa), por o considerarem uma dança imoral. Afinal, meter a perna entre as pernas de uma senhora era ofensivo e obsceno. A própria alta sociedade argentina desprezava o tango, que só passou a figurar nos salões da classe alta, graças ao efeito de ricochete provocado pelas notícias eu anunciavam o sucesso da dança em Paris.

A partir de 1917 a letra passou a ser parte essencial do tango e, consequentemente, surgiu os cantores de tango. “Mi Noches Tristes” é considerado o primeiro (ou pelo menos mais marcante nessa transição) tango-canção.

De 1928 a 1935 Carlos Gardel reinou e atraiu multidões. Ele foi responsável pela popularização do tango, estrelando filmes musicais de tango produzido em Hollywood. A figura lendária de Gardel é o símbolo clássico do tango cantado. Seu parceiro, compositor e escritor de suas canções inesquecíveis como “Mi Buenos
Aires Querido”, “El Dia que me Quieras” e “Volver”, foi Alfredo Le Pera, brasileiro.

Invadindo a cena da música para tirar o tango da marginalidade do “bas-fond”, Gardel cantou os caminhos e descaminhos do “Viejo Barrio”, “Mano a Mano”, “La Cumparsita”, “Caminito” e “Mi Buenos Aires Querido”.

Com pinta de Rodolfo Valentino, o ator romântico do cinema mudo de então, Gardel gravou 500 discos, tendo ainda atuado no cinema, filmando nos anos 30 em estúdios da França e dos EUA. Só não acumulou fortuna porque foi também um perdulário, tão apaixonado pelo tango como por mulheres e corridas de cavalo.

Outro grande nome do tango argentino, contemporâneo de Gardel, foi Astor Piazzolla. Sua música
encontrou resistência nas tradicionais famílias argentinas, mas representava a evolução de um ritmo que transcendeu os limites do popular para incorporar o erudito. Compositores europeus como Stravinski e Milhaud utilizavam elementos do tango em suas obras sinfônicas.

A partir daí o tango começa a sofrer tentativas de renovação. Entre os representantes dessa tendência figuram Mariano Mores e Aníbal Troilo e, sobretudo, Astor Piazzolla que rompeu decididamente com os moldes clássicos do tango, dando-lhe tratamento harmônicos e rítmicos modernos. E o tango (como o samba, no Brasil) tornou-se símbolo nacional com forte apelo
turístico. Casas de tango e o culto aos nomes famosos de Gardel e Juan de Dios Filiberto perpetuaram o gênero.

Com a invasão do rock and roll americano as danças de salão passaram a ser praticadas apenas por grupos de amantes e o tango passou a ser substituído por outros ritmos estrangeiros. Com o desinteresse comercial das gravadoras, poucos grandes tangos foram compostos. Muitos críticos musicais lembram quem o tango é irmão do fado. Os dois nasceram em meios difíceis, onde os homens se refugiam para esconder a solidão. Os dois gêneros abordam essa realidade. O tango nasceu na cidade portuária de Buenos Aires, nos bordéis e bares, assim como o fado em Portugal.


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