24 abril 2015

Democracia sem povo pensante



Democracia, ao da letra, quer dizerpoder do povo, isto  É, soberania e governo do povo(demos). É o princípio de legitimidade que constitui a democracia. Como e em que medida transferir este poder das bases para a cúpula do sistema do poder constituído. Uma coisa é a titularidade, e outra coisa totalmente diferente é o exercício do poder. O povo soberano é titular do poder. De que forma o mesmo povo se torna também capacitado para exercer tal poder?.

Na democracia representativa o povo (demos) exerce o seu poder elegendo alguém  que irá governá-lo. Neste caso não é o povo que decide por si mesmo as saídas, buscando a solução que deve ser dada às questões a serem resolvidas, mas se limita a escolher alguém que vai decidir por ele. No entanto, a democracia representativa não apresenta mais condições satisfatórias, e por isso pedimosmais democracia, implicando, concretamente, doses cada vez maiores de democracia dirigida.

É essencial a distinção entre informação ecompetência cognitiva. Por exemplo, o fato de eu ter conhecimento geral a respeito da situação econômica, isso não me torna um economista, assim também, se eu possuísse algum conhecimento de física, isso não me transformaria num físico. De modo análogo, quando falamos de pessoalpolitizadas, precisamos distinguir entre quem é informado de política e quem é cognitivamente competente para resolver os problemas da política. No Ocidente os indivíduos informados e interessados em política representam entre 10 a 25% do universo populacional, ao passo que os competentes caem para níveis de 2 a 3%.


O cerne da questão é que qualquer maximização do conceito de democracia e qualquer aumento do dirigismo, exige que se aumente o número dos informados e aumente ao mesmo tempo a sua competência, o seu conhecimento e a sua capacidade de compreender a política. Se esta for a caminhada pode resultar em uma democracia potenciada, capaz de fazer mais e melhor do que antes.

O que acontece é que todo o sistema de educação que foi decaindo e amplamente desqualificado de 1968 para cá, e a tevê contribuiu para empobrecer drasticamente a informação e a formação do cidadão. O mundo que nos é proposto pela televisão desativa a nossa capacidade de abstração e, junto com ela, a nossa capacidade de compreender os problemas dos de maneira racional.

Nestas condições, quem invoca e promove um poder democrático que se autogoverna é um trapaceiro deveras sem escrúpulos. E no entanto, é o que está acontecendo. Enquanto a realidade se complica e as complexidades aumentam vertiginosamente, as mentalidades se tornam cada vez mais simplistas e nós estamos criando uma geração tevê que não cresce, um adulto que se configura durante a vida inteira como alguém que volta a ser criança.

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